Imagem da matéria: O deboche de Elon Musk sobre NFTs e a desconstrução da narrativa facciosa da bolha Web3 | Opinião
Elon Musk em “A experiência de Joe Rogan” (Foto: Reprodução)

Mal sabia Elon Musk que sua opinião debochada sobre os NFTs alimentaria a mais nova rivalidade ascendente na bolha que circunda a blockchain e seus construtores.

Ao dizer que eles são “apenas uma URL para o JPEG” e que deveriam “ao menos” estarem codificados na cadeia, o excêntrico bilionário ganhou o apreço da corrente pró-Bitcoin e seu protocolo Ordinals.

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A repercussão das declarações dadas ao podcast “Joe Rogan Experience” e as reações intempestivas, especialmente dos adeptos fervorosos das tecnologias emergentes, contabilizam mais um episódio que expõe como a narrativa do mundo descentralizado foi sendo contaminada por um discurso repleto de facciosismo, postergando ainda mais a tão difundida adoção em massa.

Finn Lobsien fez uma ótima analogia entre a OpenSea e o eBay que elucida perfeitamente este cenário. Trazida em janeiro, quando o insider fez projeções sobre os mercados NFT, sua comparação segue irretocável: “Curiosamente, o eBay foi fundado em uma visão do ‘mercado perfeito’ por um libertário tecno-otimista, que se assemelha ao dogma da Web3, que muitas vezes atrapalha a adoção mainstream”.

O tecno-otimismo, inclusive, ganhou os holofotes há duas semanas, quando Marc Andreessen publicou o seu “The Techno-Optimist Manifesto”, causando delírio entre os adeptos do “aceleracionismo eficaz”, uma corrente a favor dos avanços tecnológicos desregulados.

Olhando para o legado do fundador da a16z podemos incluí-lo em uma relação dos promotores da “escória criptográfica que saiu da Web3”, como classificou Theo Priestley, autor do livro “The Future Stars Now”: “Nunca as empresas de capital de risco lucraram com uma tendência mais rapidamente do que a Web3 , um elaborado esquema de pump and dump cheio de criadores de mercado duvidosos e falsos influenciadores disfarçados de nova Internet.”

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Há uma generalização equivocada nas ponderações de Priestley, sim! O tom raivoso, porém, é motivado, provavelmente, pelo discurso ufanista e vazio que tem transformado um dogma em clichês repetidos exaustivamente para vender a qualquer custo ideias e produtos que até agora não fazem sentido para uma grande maioria.

Nos últimos dois anos, estamos escutando repetidamente conversas do tipo “iremos estabelecer relações mais significativas entre marcas e clientes” e “é uma maneira de aumentar a conexão com seu público, rejuvenescendo a base de fãs”.

A Web3 e os produtos digitais trouxeram promessas embaladas com muita pompa e pouquíssima praticidade de como funcionaria na real. As entregas, em sua maioria, foram de projetos pontuais e desconexos, e que replicaram os formatos mercantilistas e especulativos das coleções profile pictures (RIP!) sob o pretexto da entrega de “experiências imersivas.”

“A impressão geral é que tudo o que a Web3 tem a oferecer são lançamentos vazios de NFT e projetos de token”. A observação do alemão Thomas Euler, fundador de uma plataforma blockchain parceira do Borussia Dortmund, não irá envelhecer tão cedo.

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No mês passado, o The Athletic perguntou: “Remember NFTs? This is how football’s projects dived in value”.

A publicação lembrou como o futebol serviu de plataforma para a tal massificação dos ativos digitais ao longo de 2021 e 2022. Quase dois anos depois, boa parte dos projetos está abandonada, aumentando a coleção de fiascos movidos pelo hype.

Uma exceção é a proposta do Manchester United. Ainda sobrevivente em meio a um cenário de destroços, a iniciativa propôs-se a trazer os produtos digitais sem o viés financeiro e com um storytelling que fala com o fã de futebol.

Custodiado pela Tezos, que ativou seu patrocínio blockchain plurianual de US$ 27 milhões a partir do ano passado, o United Digital Collectibles não divulgou métricas desde o seu lançamento no fim de 2022.

A pergunta que fica é: até quando a plataforma terá fôlego financeiro para mater uma operação custosa?

Enquanto os ingleses dizem que seu diferencial é “oferecer NFTs gratuitos”, o marketplace Magic Eden anunciou no último dia 17 sua “coleção digital tokezinada de Pokémon”.

O release de divulgação frisou que “o popular mercado NFT se destacou pela tokenização de ativos do mundo real (RWAs) na blockchain”.

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Nos últimos meses, você deve ter percebido que o uso da palavra NFT foi sendo escanteado à medida em que o mercado se definhava e perdia o hype para a inteligência artificial (IA). Agora, os entusiastas dão ênfase à economia tokenizada.

O rebranding tardio não será suficiente para descontaminar uma indústria nova alavancada em meio a um clima de obalização por uma maioria de builders mais discursistas do que construtores.

Se antes a prioridade era o onboarding (desordenado) dos milhões na criptografia e Web3, mais um destes bordões clickbait difundidos pela comunidade, o foco, agora, deveria estar na retenção antes que aconteça uma debandada de quem se cansou deste discurso para nativo digital ver.

“A realidade é que precisamos reter melhor as pessoas (na Web3). Se você tem um barco salva-vidas que está vazando, você não quer convidar mais pessoas para o barco até consertar os buracos/vazamentos”, comparou Frank DeGods, expoente entre lideranças comunitárias na Web3, durante o evento “The Gateway: Korea”, realizado em setembro.

Sobre o autor 

Eduardo Mendes é consultor para cultura e inovação. Cofundador da The Block Point (TBP), a primeira newsletter em português sobre Web3 no Brasil, ele é co-criador do Território Alvinegro, a plataforma que reúne as iniciativas digitais do Atlético-MG. Também foi responsável pelo primeiro case do uso de produtos digitais em um festival de live música no Brasil com a T4F e desenvolveu o projeto piloto de Web3 da OneFootball no país com a TBP.

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