um robô triste sentado na frente do bitcoin em crise
Foto: Shutterstock

Um dado histórico do comportamento do Bitcoin (BTC) pode ser colocado à prova nas próximas horas, caso os preços continuem a se aproximar de romper para baixo o nível de US$ 20 mil.

Trata-se do fato de que, desde que o bitcoin começou a circular em 2009, seu preço nunca caiu abaixo da máxima histórica do halving anterior.

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Halving é um evento programado na blockchain do Bitcoin que, a cada quatro anos, corta pela metade a recompensa gerada por bloco minerado, diminuindo a emissão de novas moedas no mercado.

O último halving do bitcoin aconteceu em maio de 2020, e o topo histórico do ciclo anterior ao halving foi de US$ 19.783, registrado no dia 17 de dezembro de 2017, segundo dados do CoinDesk Bitcoin Price Index.

Essa cotação demarcou o ápice daquele ciclo de alta e, após a correção do mercado nos anos seguintes, o preço voltou a subir para um novo recorde no final de 2020 — apenas meses depois do halving de maio daquele ano.

Com a grande desvalorização do bitcoin em 2022, o preço do ativo voltou ao nível do final de 2020, ao cair brevemente para US$ 20.950 na noite de segunda-feira (13), antes de se recuperar para os US$ 22.630 registrados na terça-feira (14).

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Mas será que os US$ 19.783 conseguirá se manter como um suporte histórico ao atual ciclo de baixa do bitcoin? Três especialistas brasileiros deram sua opinião ao Portal do Bitcoin e concordam que, embora essa tese de preço tenha funcionado no passado, pode não ser suficiente para evitar uma queda mais grave nos próximos tempos.

“Essa tese sempre fez sentido no quesito história, mas pode não se repetir agora. Estamos muito próximos do topo anterior, claramente é um suporte, mas não acho que esteja tão difícil de ser quebrado dessa vez”, disse Carlos Lain, desenvolvedor e criador da corretora PagCripto. Na visão dele, o bitcoin pode cair abaixo dos US$ 19,7 mil neste atual ciclo.

A projeção também é compartilhada pelo trader da Nox Bitcoin, Lucas Bassotto, que aponta o atual cenário macroeconômico como empecilho para que o preço do bitcoin replique o  comportamento histórico.

“O problema é que o bitcoin nunca viu um aumento tão agressivo de taxas de juros nos EUA e no mundo todo. Essa é a primeira vez. Existe um desafio nesse ciclo de que o que aconteceu no passado possa não se repetir, porque a conjuntura econômica mudou completamente. O bitcoin de 2010 até 2021 estava operando num mercado de baixo de juros, e agora os juros estão subindo”, explicou.

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O trader arrisca uma análise de que o bitcoin poderia cair até os US$ 14 mil se a inflação continuar subindo e o mercado precificar que a taxa de juros crescerá, embora acredite que, no momento, o suporte possa estar em torno de US$ 17 mil e US$ 19 mil.

O que o passado não diz sobre o futuro do bitcoin

O cientista de dados do Mercado Bitcoin, Breno Brito, ajuda a entender a ideia de que, a cada momento que o bitcoin atinge um marco histórico, seja positivo, como um recorde de preço, como negativo, como a maior queda da história, há uma ruptura no comportamento que faz com que os padrões do passado não necessariamente se repitam no futuro. 

Para exemplificar isso, ele traz uma análise técnica que tinha no passado: “Eu lembro que em 2018 eu fiz uma análise de que, todo mundo que comprava bitcoin e segurava por pelo menos dois anos, saía no lucro. Isso aí já mudou, agora para você segurar e ter lucro leva pouco mais de três anos”. 

Ele afirma que o topo histórico do ciclo anterior ao halving ainda se mantém como um suporte forte para o bitcoin, mas que o mercado atual é fundamentalmente diferente.

“Não necessariamente por ser um suporte significa que vai se manter, pode ser que ele se quebre, uma vez que temos várias pequenas bolhas de acontecimentos: teve a Luna que quebrou, mais recentemente o Celsius que deu problema, e o cenário de alta de juros nos EUA – o que afeta as bolsas e os institucionais que fazem trade do bitcoin de forma equiparada a uma ação de tecnologia, como um ativo de muito risco”, explica Brito.

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Um mercado diferente

Segundo o analista, no curto prazo, a volatilidade não segue os fundamentos da criptomoeda e sim os fluxos do mercado, oferta e demanda, mudança nas taxas de juros e medos geopolíticos. Nesse cenário, quem tem mais dinheiro tem mais peso no mercado e pode formar padrões que contrariam tendências históricas:

“Um grande investidor, por exemplo, que tem muito dinheiro investido em bitcoin e acredita que esse é um ativo especulativo que vai ser prejudicado no atual cenário mundial, e decide que precisa vender rapidamente, acaba gerando uma profecia autorrealizável. No momento em que ele vender os milhões e milhões de bitcoin que tiver, vai forçar o ativo para baixo”, exemplifica Brito.

Um outro fator de forte impacto no preço do bitcoin e que não tinha o mesmo peso em ciclos passados, é a estrutura de derivativos e posições alavancadas, na qual um espiral de liquidações pode se formar.

De qualquer forma, o cenário de baixa não significa que os investidores mais tradicionais estão abandonando o bitcoin, e sim diminuindo a exposição a ativos de “risco”.

“Os investidores institucionais não tiraram bitcoin e ether do portfólio. Eles mantêm, mas reduzem a exposição, assim como ações de empresas de tecnologia, como forma de diminuir o risco”, analisa Lucas Bassotto.

Ele acrescenta que é natural haver uma reequilíbrio nas posições em momentos de alta de baixa do preço, mas que a queda do bitcoin pode ser vista como um momento propício para acumulação por alguns players do mercado.

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“Eu sinto que eles estão voltando a comprar. No mercado de OTC, na segunda-feira eu vi a maior procura em meses. Ainda tem muita gente querendo comprar bitcoin”, conta.

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