Pilha com varias moedas de Ethereum
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As maiores criptomoedas conseguem sair do marasmo nesta terça-feira (23) e operam em terreno positivo, enquanto investidores de renda variável seguem focados no cenário macro, atentos ao drama fiscal nos EUA. 

O Bitcoin (BTC) sobe 1,6% nas últimas 24 horas, negociado a US$ 27.292,72, segundo dados do Coingecko.  

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Em reais, o BTC avança 1%, para R$ 136.246,23, de acordo com o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).   

O Ethereum (ETH) sobe 2%, cotado a US$ 1.855,22.  

Desde a atualização Shanghai em 12 de abril, quando usuários receberam sinal verde para resgatar seus ETH bloqueados na rede em troca de recompensas, o número de tokens depositados de volta na blockchain no chamado “staking”, um serviço de renda passiva, deu um salto de 4,4 milhões, mostram dados da Glassnode, elevando o total para quase 22,6 milhões. 

No entanto, Vitalik Buterin, cofundador da rede Ethereum, alertou em um blog para iniciativas que possam introduzir riscos desnecessários no ecossistema e complicar o papel dos validadores. 

As altcoins são negociadas entre perdas e ganhos nesta terça, entre elas BNB (+1,5%), XRP (+0,1%), Cardano (-0,1%), Dogecoin (+0,7%), Polygon (+2,5%), Solana (-0,4%), Polkadot (+1%), Shiba Inu (-0,6%) e Avalanche (+1,6%).  

Bitcoin hoje 

O Bitcoin praticamente zerou os ganhos em sete dias, ainda afetado pela baixa volatilidade e ausência de fatores que impulsionem a maior criptomoeda. 

Os produtos de investimento em ativos digitais registraram saídas pela quinta semana consecutiva, em resgates liderados pelo Bitcoin. 

As retiradas na semana passada chegaram a US$ 32 milhões, elevando o total durante a sequência para US$ 232 milhões, de acordo com relatório da CoinShares. Investidores sacaram US$ 33 milhões apenas de produtos de BTC na semana passada, o que significa que fundos focados no maior token mais uma vez dominaram o fluxo de saídas, mesma tendência vista nas últimas semanas. 

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O investidor veterano Peter Brandt, figura popular no Crypto Twitter, publicou uma análise sobre o preço futuro do Bitcoin, prevendo uma queda abaixo do patamar dos US$ 25 mil. 

Em março, em meio a uma euforia do mercado cripto, com o Bitcoin superando a marca de US$ 28 mil, Brandt jogou uma ducha de água fria nos traders, recomendando apostar na queda de preço do BTC. 

Volume da Tether 

Com o mercado cripto marcado pela baixa liquidez, alguns especialistas começaram a questionar o valor de mercado da Tether, a maior stablecoin do mundo. 

Enquanto as negociações com a USDT estão no menor nível em quatro anos, a capitalização da stablecoin está perto de um recorde, somando quase US$ 83 bilhões, apontou a empresa de pesquisa cripto Kaiko em relatório

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“Historicamente, as mudanças no volume de negociação têm sido vagamente correlacionadas com mudanças no valor de mercado da Tether, com aumentos ocasionais durante períodos de notável atividade de mercado”, disse a Kaiko. “Hoje, a correlação é zero.” 

Já a USDC, a segunda maior stablecoin emitida pela Circle, “tem uma correlação clara entre volume de negócios e capitalização de mercado”, de acordo com o relatório. 

Projeto FTX 2.0  

O novo CEO da FTX, John Ray III, indicado para administrar o processo de recuperação judicial da exchange cripto colapsada, sinalizou em janeiro que a empresa poderia retomar as operações. 

Novos números de sua mais recente fatura analisados pelo CoinDesk sugerem planos para concretizar o objetivo. 

Documentos mostram que Ray cobrou 6,7 horas por serviços prestados relacionados ao termo “2.0”, que seria uma referência à FTX 2.0, a retomada das operações da exchange. 

Apesar do ceticismo de alguns especialistas sobre a possibilidade de reabrir a empresa, o novo CEO da FTX disse ao The Wall Street Journal que “tudo está na mesa”. 

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Enquanto isso, um plano da mineradora cripto Core Scientific prevê o fim de seu processo de recuperação judicial em setembro, enquanto a BlockFi não consegue chegar a um acordo com credores sobre a liquidação da plataforma de crédito cripto. 

Processo contra Binance no Texas 

A Binance Holdings conseguiu ser liberada de um processo movido por uma mulher no Texas que disse ter sido roubada em US$ 8 milhões como parte de uma fraude cripto orquestrada por um homem que ela conheceu no Tinder, informou a Bloomberg

Divya Gadasalli falhou em apontar um “único fato de como a Binance está realmente envolvida neste caso” para demonstrar que o tribunal tem jurisdição sobre a exchange cripto, decidiu o juiz distrital dos EUA, Amos Mazzant. 

O juiz determinou que, embora a Binance seja uma corporação estrangeira com uma entidade sediada nos EUA, a Binance.US está impedida de operar no Texas. Gadasalli não pode provar que os eventos que levaram à sua fraude ocorreram no estado, decidiu o juiz. 

Em outro destaque entre exchanges cripto centralizadas, a OKX planeja se expandir na França com a contratação de 100 pessoas, enquanto a Gemini recebeu um alerta do governo das Filipinas de que sua plataforma de derivativos não em registro. 

Já a corretora cripto Hotbit, com 5 milhões de usuários, decidiu fechar as portas, citando uma série de questões e sugerindo que é improvável que as exchanges centralizadas sejam viáveis a longo prazo. 

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Com os colapsos da FTX e outras grandes empresas cripto, a indústria ficou com a escolha entre regulamentação ou aumento da descentralização, disse a Hotbit, fundada em 2018 e que tem sede em Xangai, China, e Taipei, em Taiwan. 

Regras globais para criptoativos 

E justamente com base nas lições aprendidas com a implosão da FTX, a IOSCO, reguladora internacional de valores mobiliários, divulgou nesta terça-feira (23) a primeira abordagem global para regular criptoativos e mercados digitais, de acordo com a Reuters

As recomendações representam “um ponto de inflexão na abordagem dos riscos muito claros e próximos à proteção dos investidores e aos riscos de integridade do mercado”, disse Jean-Paul Servais, que preside a Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO). 

As 18 propostas de políticas incluem temas como conflitos de interesse, manipulação de mercado, cooperação regulatória transfronteiriça, custódia de criptoativos, riscos operacionais e tratamento de clientes de varejo.  

A IOSCO, que conta com a CVM em seu conselho diretivo, pretende finalizar as normas até o fim do ano e espera que seus 130 membros no mundo todo utilizem as regras para fechar brechas em seus mercados. 

O período de consulta para feedback sobre as recomendações termina em 31 de julho. 

Em Hong Kong, governo está prestes a anunciar que investidores de varejo poderão negociar criptomoedas sob seu novo marco regulatório para o setor, segundo a Bloomberg

A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros da cidade pretende detalhar as conclusões de uma consulta sobre a participação do varejo nesta terça-feira. A agência deve manter um plano para permitir que investidores pessoa física negociem tokens maiores, como Bitcoin e Ethereum, a partir do próximo mês, sob as devidas salvaguardas. 

Outros destaques das criptomoedas  

A plataforma de derivativos cripto Bitget decidiu limitar o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) como o ChatGPT. A decisão foi tomada depois que a empresa — incluindo seus traders — disse ter descoberto resultados problemáticos decorrentes do uso da tecnologia. 

Uma pesquisa realizada pela Bitget revelou que, em 80% dos casos, traders de criptomoedas tiveram uma experiência negativa usando o chatbot de IA, disse a empresa ao Blockworks, citando falsos conselhos de investimento e outras informações equivocadas. 

Gracy Chen, diretora-gerente da Bitget, disse que a plataforma busca priorizar “uma combinação de conhecimento humano e inovação tecnológica”, já que o entendimento da sociedade sobre as ferramentas de IA precisa de mais tempo para amadurecer. 

De fato, o uso indevido da inteligência artificial já causa estragos. Na segunda-feira (22), uma imagem falsa que mostrava uma explosão no Pentágono, sinalizada como sendo gerada por IA, se espalhou rapidamente pelas redes sociais e causou pânico por um breve período no mercado acionário americano, conforme o Decrypt.  

A imagem alarmante, retratando fumaça saindo do edifício icônico, foi divulgada por vários meios, incluindo um canal de mídia estatal russo. 

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