Imagem da matéria: Kucoin trava operações de alguns clientes brasileiros; problema seriam exigências do Banco Central à Capitual
(Foto: Shutterstock)

Alguns clientes da Kucoin no Brasil estão há quase três semanas enfrentando problemas na hora de realizar saques e depósitos na plataforma. A corretora confirmou o problema ao Portal do Bitcoin, indicando que os atrasos no processamento das operações decorrem de uma nova política de compliance adotada pela Capitual, responsável pelos depósitos e saques em reais na KuCoin, em conformidade com requisitos do Banco Central.

Dois clientes da Kucoin entraram em contato com o Portal do Bitcoin para relatar os problemas. Um deles, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que fez um depósito via TED na sua conta, procedimento que já fez dezenas de vezes. Porém, o dinheiro ficou retido e na plataforma aparecia apenas a mensagem “processando”.

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“Acontece que outros colegas que estão passando pela mesma situação. Já estão há mais de 20 dias sem uma solução, com seus fundos retidos de maneira ilegal”, disse.

Outro cliente da corretora consultado pela reportagem também enfrentou o mesmo problema, e alegou não ser o único: “Muitos usuários da Kucoin estão apavorados sem saber onde estão indo parar os seus recursos. Valores altos estão desaparecidos ou bloqueados. É uma atitude abusiva, pois não existe permissivo legal para isso.”

O que diz a Kucoin

Procurado pela reportagem, Diego Santos, gerente de comunidade da Kucoin no Brasil, explicou que a Capitual e o Banco S2 criaram uma nova política de compliance para atender requisitos do Banco Central referentes ao combate à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. 

“Alguns usuários que movimentaram valores mais consideráveis foram sinalizados e algumas documentações adicionais foram solicitadas. Para aqueles que atenderem às solicitações e se adequarem aos requisitos de compliance, a operação será plenamente restabelecida nas duas vias: tanto depósitos, quanto saques em BRL”, afirma Santos. 

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Ainda de acordo com o gerente de comunidade, os clientes que tiveram suas operações recusadas, enfrentaram falha de atendimento aos requisitos ou excederam o período de envio das informações, terão suas operações “canceladas e os valores revertidos às respectivas contas bancárias automaticamente”.

A Kucoin afirma que todas as transações pendentes serão processadas até o final desta terça-feira (5) e que junto com a Capitual, está trabalhando para ter “um fluxo mais eficiente para a carga de eventuais documentações adicionais, mais acessível para ambos os times”, com o objetivo de tornar o processo mais rápido. 

Falta de comunicação revolta clientes

Na comunidade de clientes no Telegram, um usuário respondeu ao gerente de comunidade da Kucoin demonstrando insatisfação com a explicação da empresa.

“Se estão com essa dificuldade, porque não suspenderam os depósitos em reais até resolverem esse caso? Isso gera um desconforto para o cliente e uma desconfiança com a corretora que sempre honrou com seus pagamentos”, reclama.

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Para finalizar, esse cliente afirma que os depósitos deveriam ter sido travados “imediatamente após a mudança de política”.

Questionado pela reportagem sobre a razão de a mudança da política não ter sido divulgada antes aos clientes, o representante da Kucoin disse apenas que a “implantação da nova política de compliance foi um reflexo do banco parceiro da Capitual e que seguiu em consonância com a própria. Desde então as equipes técnicas, tanto da KuCoin quanto da Capitual, estão trabalhando diligentemente para estabelecer o novo mecanismo e processo de controle para estes cenários”.

Em um outro grupo de Telegram, formado por clientes lesados da Kucoin, diversos usuários relataram que ao final da tarde desta terça já começaram a receber a solução para seus problemas. No entanto, após algumas comemorações, um deles perguntou: “Quem vai confiar na Capitual de novo?”. Pouco depois, essa mensagem recebeu uma resposta: “Quem vai confiar na Kucoin?”.

Capitual promete solução até o fim do dia

A Capitual também reconheceu o problema após contato do Portal do Bitcoin. O porta-voz da empresa, Gustavo Rezende, ressalta que não é uma exigência do Banco Central para usuários específicos, mas sim “normas já existentes nas diretrizes do Banco Central quanto às políticas de monitoramento financeiro para atividades ilícitas”.

A empresa de gateway de pagamentos elaborou uma nota para falar sobre o ocorrido. A companhia cita que está “aprimorando seus sistemas e práticas de compliance” e que nesse contexto está a “solicitação de comprovantes de origem dos recursos para transações que ultrapassem determinados valores em suas plataformas, alinhando-se com as melhores práticas internacionais de compliance”.

A empresa garante que até o final desta terça-feira terá resolvido todas as pendências e que os clientes que não conseguirem comprovar a origem do dinheiro, terão os valores devolvidos para a conta. Até que provem a licitude do capital, serão impedidos de operar na Kucoin.

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Por fim, a Capitual pede que os clientes com valores pendentes de comprovação verifiquem suas caixas de entrada para localizar o e-mail enviado por ela ou pelas corretoras parceiras, contendo as instruções necessárias para a realização da comprovação da origem dos recursos. A empresa afirma que os clientes que não realizarem a comprovação receberão o reembolso dos valores enviados em até 48 horas úteis.

Caso Binance e Capitual

Em 2022, a Binance rompeu a parceria com a Capitual justamente pelas exigências que o Banco Central começou a impor à processadora de pagamentos.

A Capitual disse na época que precisava de mais informações sobre os responsáveis pelos depósitos para cumprir com obrigações do Banco Central, que passou a exigir a individualização das contas dos clientes. Mas a Binance teve uma interpretação diferente do pedido do BC e decidiu não seguir com as novas políticas da Capitual.

A Binance acusou a Capitual de estar criando um empecilho que não era real. Isso levou a maior corretora do mundo a ficar semanas sem depósitos e saques no Brasil.

Leia também: Capitual acusa Binance de desbloquear contas sinalizadas com suspeitas de fraude

Agora, as empresas brigam na Justiça sobre um montante de R$ 430 milhões em fundos de clientes da Binance que estavam sob posse da Capitual. Em novembro, a Justiça manteve o entendimento de que a Binance não pode ter acesso a esse dinheiro enquanto o processo não for concluído.

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