Imagem da matéria: "Ethereum e Cardano são ambulâncias, Solana é um carro de Fórmula 1", diz diretor do Superteam Solana Brasil
Estevão Rizzo, diretor do Superteam Solana Brasil (Foto: Divulgação)

Se a Ethereum é uma segura ambulância, a Solana é um carro de Fórmula 1. A comparação é de Estevão Rizzo, chefe do Superteam Solana Brasil, que afirma: “Nossa visão é clara: Solana é business”. A entidade financiada pela Solana Foundation chegou ao Brasil em 1º de janeiro e tem como objetivo fomentar projetos de desenvolvedores locais que queiram criar aplicações na blockchain mãe da SOL, quinta maior criptomoeda em capitalização de mercado.

Em entrevista ao Portal do Bitcoin, Rizzo provocou as blockchains rivais e não teve melindres em assumir as derrapadas do projetos e pontuar que a postura agressiva da Solana faz parte do DNA do projeto. “Quando se quer quebrar recorde de velocidade, em algum momento vai ter problema”, afirma.

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A referência é ao fato de a blockhain da Solana já ter em algumas ocasiões parado de produzir novos blocos: em fevereiro desse ano ficou cinco horas fora do ar, em junho de 2022 foram quatro horas e em setembro de 2021 foram 17 horas fora ar. Em abril desse ano, um congestionamento intenso fez a rede ficar muito lenta.

O próximo grande passo da Solana é aumentar ainda mais sua capacidade de transações por segundo, que hoje é de 60 mil. A expectativa é que isso venha por meio do sistema Fire Dancer, que Rizzo diz já estar validando 100 mil transações por segundo na versão teste, mas que tem expectativa de processar 1 milhão quando estiver em pleno funcionamento.

A equipe da Superteam Solana Brasil tem seis pessoas no Brasil, que é o foco na América Latina. No México estão outras três e o próximo objetivo é começar uma operação na Argentina.

No início de abril, o Superteam organizou em São Paulo a Build Station, um encontro entre desenvolvedores e a equipe da entidade para auxiliar na elaborações de projetos que irão participar do hackathon global da Solana Foundation, que irá dar apoio financeiro aos trabalhos mais promissores.

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Leia abaixo a entrevista com Estevão Rizzo:

Como a liderança da Solana vê o Brasil no cenário cripto global? 

O Brasil não estava no radar da Solana inicialmente. Mas meu chefe, Diego Dias, chegou para a Solana Foundation e disse: ‘Nós temos um continente potencial que é a América Latina. E o Brasil está entre os dez países que mais usam cripto no mundo. E a Solana não está olhando para essa região’. Então ele assumiu a Solana Foundation no Brasil e resolveu trazer o Superteam, me trazendo para liderar. O sentimento para com o Brasil é de muito potencial, com um Banco Central dando muito apoio, com a CVM sendo um dos reguladores mais avançados do mundo. 

O Bitcoin surge como proposta de moeda descentralizada. O Ethereum surge como um meio de usar esse sistemas para realização de contratos. Onde a Solana se enxerga nesse cenário? Mesma proposta de valor do Ethereum, só que mais barata?

O Anatoly Yakovenko, quando fundou a Solana, tinha a visão de criar um produto que substituísse a Nasdaq. O mercado financeiro é extremamente ineficiente. Entre vender a ação e receber o dinheiro, pode demorar três dias. Só que para ser melhor que a Nasdaq, teria que ter uma capacidade de transação imediata de altíssimo volume. Com a blockchain isso pode ser imediato, se conseguir resolver a questão de lidar com altíssimo volume. Então em algum momento ele saiu da ideia de substituir a Nasdaq e mirou em criar uma blockchain tradicional de massa, muito escalável e rápida. 

Nossa visão é clara: a Solana é business. Quer montar um negócio, quer crescer, pretende escalar, nós estamos aqui para você. A Solana tem a melhor proposta para empresas que querem desenvolver negócios. 

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Uma crítica à Solana é que são poucos validadores, já que a máquina para rodar um nó da blockchain tem que ser muito potente. 

A Solana Foundation já tem um programa para subsidiar, para ajudar os validadores a comprar a máquina. E sim, a demanda de máquina da Solana é bem alta, estamos falando de 32 GB de RAM. A Solana inicialmente focou em escalabilidade, em conseguir fazer milhares de transações por segundo. Então fez a escolha de ter os validadores com hardware mais potentes. 

E como os validadores podem se manter lucrativos tendo um maquinário tão caro para manter?

O dinheiro que o validador recebe não vem da transação validada, mas sim do staking que ele está fazendo ao manter os tokens SOL para o proof-of-stake da rede. Eu entrego meus tokens de SOL para um validador, ele usa para fazer a validação e ganha no spread. É um business muito mais de gerenciar e cobrar porcentagem de lucro do que de ganhar o token validando bloco, como no Bitcoin. 

Todo o negócio que você quer construir exige investimento. Não é por que construir um restaurante é caro que não tem restaurantes suficientes no mundo. Existem tantos restaurantes quanto existe demanda de gente para comer. Vão existir tantas validadores na Solana quanto existirem necessidades.

A dificuldade de ter a máquina para validar blocos não gera uma centralização excessiva na rede?

O Ethereum tem muito mais validadores do que a Solana. Só que quando você olha, por exemplo, a Lido, que é a maior empresa de staking, ela está com quase 60% do mercado. Então significa que embora tenha muitos, uma empresa tem metade de todos os validadores. Na Solana a gente está com mais ou menos 2 mil validadores, só que muito mais espalhados em entidades independentes. A gente tem o maior coeficiente de Nakamoto [termo que se refere à distribuição da riqueza em uma blockchain] de todas as redes proof-of-stake.

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E sobre as paralisações na rede. Ocorreu uma gigante no ano passado, outras que durou algumas horas esse ano. Como lidam com essa questão?

Vou começar com um exemplo. A Cardano escolheu um caminho para ser extremamente segura. Tudo o que faz é ser super testado, tem que ter um paper científico validado pela comunidade. O que acontece é que ela não botou nada no mercado até hoje e o fluxo de transação é mínimo. O Ethereum escolheu um lado mais filosófico da comunidade. A Solana escolheu a velocidade. 

Então eu diria que a Ethereum e a Cardano são uma ambulância e a Solana é um carro de Fórmula 1. Quando você é um carro de Fórmula 1, você vai arriscar. Quando estou rápido, querendo quebrar recorde de velocidade, em algum momento vou ter problemas. E é isso que acontece com a Solana. 

A ideia é processar muito mais transações que a Visa. Então quando você está brigando para ser o mais rápido, você vai arriscar de vez em quando bater o carro.  A Solana caiu algumas vezes e cada vez que ela cai ela aprende com erro, ela corrige o erro e volta melhor. 

Um outro problema foi quando a FTX quebrou e, por ter uma quantidade massiva de SOL, fez o preço do ativo desabar 40% em um dia. Ninguém tem controle sobre quem compra criptomoeda, mas não existe receio de algo assim vir a ocorrer novamente? 

O problema não era a quantidade. A FTX tinha muitos projetos rodando dentro da Solana, e isso gerava muito tráfego de rede. Quando a FTX morreu, você tinha duas questões: a quantidade de tokens que poderiam ser dispensados do mercado de uma vez só e a queda de tráfego por conta desses projetos que dependiam da FTX. 

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Mas você pode imaginar que existe uma carteira do Satoshi Nakamoto no Bitcoin hoje que tem, sei lá, 50 bilhões, 100 bilhões de dólares. Se essa carteira acordar e jogar todos os bitcoins no mercado, morreu o Bitcoin. 

Ethereum veio com a Dencun recentemente. A Solana tem uma mudança estrutural para implementar em curto ou médio prazo? 

É o lançamento do Fire Dancer, que é esse validador novo. Nós estamos falando de passar de 60 mil TPS [transação por segundo] para 100 milhões, no potencial máximo. O que eu tenho de notícia é que em teste ela de cara já sobe de 60 mil para 100 mil, podendo ter o potencial de chegar a 1 milhão de transações por segundo. 

Quais projetos de desenvolvedores brasileiros o Superteam pode destacar?

Tem duas empresas, uma startup e uma empresa já mais consolidada, que cuidam de toda a rastreabilidade de insumos agropecuários de produtores brasileiros por meio da blockchain Solana. Porque tudo dessa área que se vende para Europa hoje em dia, requer saber de onde vem cada insumo.

Fazer essa rastreabilidade é caro e dificulta muito para o pequeno produtor. Esses registros eram feitos de forma bem custosa e agora, com uma pequena entrada na blockchain, o custo caiu absurdamente. Estamos falando de processos que eram de US$ 60 mil e viraram US$ 100. E tem a Transfero, emissora de stablecoin do Real, muito próxima da comunidade Solana aqui no Brasil. 

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