Empresa gaúcha pede recuperação judicial e acusa Stone de cortar antecipação de pagamentos

Stone abocanha 7% do mercado de maquininhas de cartão e lucra R$ 172 milhões
Foto: Stone/Divulgação


*Correção: O título original da reportagem foi alterado. Inicialmente, dizia que a empresa havia quebrado. No entanto, ela entrou com pedido de recuperação judicial.

A subcredenciadora de cartões Bela Pagamentos entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio Grande do Sul devido a uma dívida de R$ 15,5 milhões. Parte do valor, segundo a empresa, deve-se ao corte de antecipação de recebíveis pela Stone Pagamentos.

Segundo o Valor Econômico, a Bela Pagamentos acusa a credenciadora de cartões Stone Pagamentos de cortar sua rede e a linha de antecipação de recebíveis (o que permite à empresa adiantar o recebimento de valores que só chegariam mais tarde), após acesso a informações sobre a sua base de clientes.

De acordo com o fundador e CEO da fintech, Arthur Silveira, a credenciadora acenou com um potencial aporte de capital para conseguir os dados. No entanto, ele revelou que a empresa apresentava dificuldades, mas que tinha recursos para se manter até setembro.

Entretanto, a Stone afirmou que foi procurada pelos acionistas da Bela para liberar crédito à empresa, mas acabou identificando falta de recursos e inconsistência nas informações apresentadas. Segundo a empresa, os recursos não eram integralmente repassados aos clientes.

A credenciadora decidiu, então, interromper a liquidação e a antecipação dos recebíveis à companhia. A Bela Pagamentos diz atender 1 mil clientes, que correspondem a 20% do setor de turismo de Gramado, município do Rio Grande do Sul.

“Desligaram tarde da noite sem nos avisar. Depois disseram que havia um descasamento e queriam entender se estávamos pagando os clientes”, disse Silveira ao Valor.



Ele conta que no dia seguinte os clientes começaram a reclamar e em poucos dias a Stone começou a abordá-los. Enquanto isso, por conta no atraso de pagamentos, os clientes da Bela foram à Justiça e 16 ações de execução já estão em andamento — em 14 delas, a Stone também é responsabilizada.

Subcredenciadoras são como lojistas

O Banco Central (BC) estima que existam mais de 200 companhias que operam como a Bela Pagamentos. Elas usam o sistema das credenciadoras para oferecer a lojistas transações com maquininhas de cartões, mediante o pagamento de uma taxa, em contratos firmados livremente entre as partes, escreveu o Valor.

Explicando melhor, credenciadoras como Cielo, Rede, entre outras, liquidam as transações de uma subcredenciadora, como a Bela, como se essa fosse um lojista. De acordo com reportagem, é praxe uma credenciadora antecipar os recebíveis de ‘subs’ como um meio de financiá-la.

Banco Central de olho

No ano passado, o BC determinou que as maiores subcredenciadoras passassem a liquidar as próprias operações na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), pois as credenciadoras, responsáveis por fiscalizar as subcredenciadoras, não ‘enxergam’, em sua totalidade, as operações cliente/empresa.


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