Imagem da matéria: Criador do Ethereum revela fortuna da fundação e lamenta termo ‘contratos inteligentes’
(Foto: TechCrunch/Flickr)

Vitalik Buterin, criador e fundador do Ethereum, revelou em uma discussão com usuários do Twitter que se arrepende de ter usado o termo ‘smart contracts’ (contratos inteligentes) para definir o acordo na rede entre partes. Para ele, algo mais técnico e chato poderia ter sido adotado para descrever o serviço oriundo da plataforma.

No Twitter ele disse:

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Para ser claro, neste momento eu me arrependo de ter usado o termo ‘contratos inteligentes’. Eu deveria tê-lo chamado de algo mais chato e técnico, talvez algo como ‘persistent scripts’ (documentos permanentes), desabafou Buterin na tarde deste sábado (13).

O tweet foi direcionado aos usuários ‘CleanApp’ e ‘Karen Teoh’. Eles discutiam sobre as estruturas de governança e como os contratos inteligentes estão tendo que lidar com as implicações da vida real.

O usuário que representava a CleanApp havia criticado Buterin pelo termo. Ele disse que as criptomoedas deveriam estar longe de termos análogos à lei, à governança, pois ‘contrato’ é uma palavra do meio jurídico.

Ele ainda lembrou que o termo ‘crypto-law’, ‘lei das criptomoedas’, foi registrado há três anos no Yellow Paper do Ethereum, pelo programador Gavin Wood.

Usuários da comunidade do Ethereum também entraram na conversa e, aparentemente, não concordam com o termo, pois consideram que o blockchain do Ethereum tem sido referência em plataformas de contratos inteligentes.

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Vitatik Buterin continuou: “Eu acho que ‘persistent scripts’, controlando ativos competem com o sistema legal em algumas margens. Portanto, é errado equivocá-los com uma filosofia específica de privatização do direito”.

“Apenas deixe a lei fora disso. Fale sobre direito natural e jurisprudência e qualifique-se mais com a experiência real, não citando um monte de livros didáticos sem o contexto da compreensão”, opinou Karen Teoh.

No entanto há quem seja a favor — ou pelo menos não se importa com o termo.

“Eu gosto de ‘stored procedures’ (procedimentos/processos armazenados), mas eu, pelo menos, não lamento a terminologia [do Buterin], tem sido uma grande oportunidade de aprendizado para todos”, disse o usuário Vlad Zamfir.

É provável que o termo persista, já que se tornaram palavras comuns associadas a blockchains, ao governo e ao cotidiano, onde são encontradas em praticamente todas as mídias, opinou o Bitcoinist.

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O termo ‘contratos inteligentes’, que se tornou popular com o crescimento da rede Ethereum, foi citado pela primeira vez em 1994 por um cientista da computação americano e pioneiro do Bitcoin, Nick Szabo, que inventou uma moeda virtual conhecida como “Bit Gold” em 1998, dez anos antes da criação do Bitcoin.

Szabo definiu ‘contratos inteligentes’ como protocolos de transação informatizados que executam os termos de um contrato. Ele queria estender a funcionalidade dos métodos de transações eletrônicas, como POS (ponto de venda), para o mundo digital.

Quantos ethereum tem Vitalik?

Em meio a uma intensa discussão na tarde da última quarta-feira (10), no Twitter, Vitalik Buterin respondeu a acusações de um dos economistas mais famosos do mundo, Nouriel Roubini.

Professor da Universidade de Nova York (NYU), Roubini ficou famoso — e ganhou o apelido de ‘Dr. Doom’ — pelas previsões econômicas alarmistas, particularmente aquelas que antecederam a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos e, consequentemente, no mundo.

Ele publicou um tweet sugerindo que Vitalik Buterin era um criminoso que roubou ¾ de todos os Ethereums disponíveis, tornando-se um “bilionário instantâneo”.

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“Vitalik Buterin foi o cabeça junto com Joe Lubin da  criminosa venda na pré-mineração/golpe que criou o Ether. Eles roubaram 75% dos ethers criados e instantaneamente se tornaram ‘bilionários’ de uma falsa riqueza”, atacou Roubini.

Menos de 1 hora depois, Buterin se defendeu e desmentiu o economista:

“Eu nunca tive mais do que aproximadamente 0,9% de todos os ETH, e meu patrimônio líquido nunca chegou perto de US$ 1 bilhão. Além disso, tenho certeza de que não há leis que criminaliza a pré-mineração”.

Há tempos a suposta fortuna de Buterin era questionada e o cofundador da segunda maior criptomoeda do mercado nunca havia se manifestado antes.

Obviamente sua resposta a Roubini gerou muitos comentários da comunidade. O usuário ‘Dafar’ duvidou e desafiou Buterin a revelar outros números.

“O que você pessoalmente possui é o mesmo que a Fundação Ethereum possui?”, perguntou o usuário.

Buterin respondeu:

“A Fundação Ethereum só possuía aproximadamente 3 milhões [de ETH] e agora tem cerca de 660 mil;  o restante foi gasto em desenvolvimento”.

Um pouco mais do cofundador do Ethereum

Vitalik Buterin, 24, ouviu falar pela primeira vez de Bitcoin no começo de 2011, quando foi convidado a escrever para um blog sobre o assunto. Com parte dos primeiros ganhos a partir desse trabalho, Buterin conseguiu comprar uma camiseta.

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“Eu encontrei um cara que estava disposto a me pagar cinco bitcoins por artigo escrito para seu blog. Cada Bitcoin [à época] custava US$ 0,80. Para alguém ainda no ensino médio, com pouco dinheiro, eu pensei que tentar US$ 1,5 por hora poderia ser um salário bastante razoável”.

Mas os tempos de penúria ficaram para trás. Os trabalhos com Bitcoin o levaram à criação do Ethereum, e, aos 21 anos, ele se tornou uma celebridade do blockchain.

Um exemplo desse prestígio é que Buterin integra a lista “40 abaixo de 40”, da revista Fortune, que a cada ano elenca os maiores influenciadores globais com até 40 anos de idade.


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