Ilustração mostra moeda de Tether USDT à frente de bandeira da China
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A Tether, empresa por trás da maior stablecoin do mundo que leva o mesmo nome, estampou a capa da Bloomberg Businessweek que traz na edição de quinta-feira (7), uma reportagem que investiga onde estão os dólares que a empresa promete ter em caixa dando lastro a 69 bilhões em USDT que atualmente circulam no mercado.

A equipe da Bloomberg conseguiu um documento detalhado sobre as reservas da Tether Holdings que mostrou que a empresa possui bilhões de dólares em empréstimos de curto prazo em grandes empresas chinesas. 

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A revelação vem em um momento em que o mercado financeiro se preocupa com o possível calote que a Evergrande, a gigante do setor imobiliário da China, pode aplicar nos investidores. 

O advogado da Tether, Stuart Hoegner, disse que a empresa não possui dívidas com a Evergrande, mas se recusou a dizer se a empresa tinha outro papel comercial chinês.

A Bloomberg também mostrou que a Tether emprestou US$ 1 bilhão à Celsius Network usando bitcoin como garantia. O CEO da Celsius Network, Alex Mashinsky, confirmou que a empresa paga uma taxa de juros de 5% a 6% para a Tether pelo empréstimo.

Dinheiro da reserva para lucro pessoal

“No início deste ano, decidi resolver o mistério”, escreveu o jornalista Zeke Faux, que assina a reportagem da Bloomberg. “A trilha do dinheiro ia de Taiwan a Porto Rico, a Riviera Francesa, a China continental e as Bahamas”. 

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Para ele, John Betts, o ex-diretor da Noble Bank International LLC, um banco que a Tether usava em Porto Rico, disse que a Tether não é uma stablecoin, mas sim “um hedge fund offshore de alto risco. Mesmo seus próprios sócios bancários não sabem a extensão de seus ativos, ou se eles existem”. 

“Durante o tempo em que Tether bancou com a Noble, tínhamos mais de 98% de suas reservas de caixa e extratos mensais recebidos e validados de sua outra conta”, apontou Betts, dizendo que isso durou até o diretor financeiro da Tether, Giancarlo Devasini, começar a usar o dinheiro da reserva para bancar seus próprios investimentos. 

Betts explicou que isso significava que qualquer ganho com os investimentos iriam para Devasini e seus sócios, mas os detentores de Tether seriam aqueles que sairiam perdendo se os investimentos dessem errado.

A misteriosa reserva da Tether

Por anos a Tether é alvo de críticas, tanto dos reguladores quanto da própria comunidade cripto, pela falta de transparência em relação às suas reservas. No final de agosto, a empresa chegou a entrar na Justiça para impedir que a imprensa tivesse acesso a detalhes sobre seu caixa de USDT.

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Embora em maio a empresa tenha detalhado suas reservas pela primeira vez desde 2014,  após ser processada pelo estado de Nova York, a empresa ainda deixou questões no ar, como por exemplo, quais ativos possui em caixa dando lastro para as criptomoedas, onde estão armazenados e quem audita os fundos.

Naquela época, a empresa revelou que a maior parcela de suas reservas (US$ 30 bilhões) eram investidos em papéis comerciais — empréstimos de curto prazo para empresas.

Quais empresas são essas, no entanto, permanece uma dúvida que nem os principais players de Wall Street sabem responder. “É um mercado pequeno com muitas pessoas que se conhecem. Se houvesse um novo participante, normalmente seria muito óbvio”, contou à Bloomberg Deborah Cunningham, diretora de investimentos da Federated Hermes. 

A reportagem encontrou apenas uma instituição financeira  disposta a confirmar que trabalha com a Tether, a Deltec Bank & Trustin nas Bahamas. O banco, que antes conduzia operações bancárias em toda a América Latina, acabou reduzindo suas operações com o passar dos anos e atualmente, gesta alguns bilhões de dólares em ativos. 

O  presidente do banco, Jean Chalopin, é um amigo próximo do diretor financeiro da Tether, Giancarlo Devasini. Juntos, eles compraram e dividiram um terreno à beira-mar nas Bahamas.  Ele defendeu a Tether ao falar com a Bloomberg, dizendo que a empresa vem sendo “injustamente maltratada”. 

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Quando questionado se sabia onde os ativos da Tether estavam armazenados, ele riu e disse que essa era uma “pergunta difícil”. “Não posso falar sobre o que não sei”, declarou. “Só posso controlar o que está conosco”.

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