Atari abandona criptomoeda promovida por Ronaldinho Gaúcho e irá criar novo token

Ex-jogador de futebol já se envolveu anteriormente com a promoção de projetos problemáticos
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Ex-jogador Ronaldinho Gaúcho (Foto: Shutterstock)

Parece ter chegado ao fim a saga da Atari Coin (ATRI), criptomoeda oficial de uma das maiores empresas da indústria de jogos e que chegou a ser promovida pelo Ronaldinho Gaúcho no ano passado.

Em nota publicada na segunda-feira (18), a Atari anunciou a rescisão de todos os contratos com o grupo ICICB, o que inclui a licença da Atari Chain Limited e a criptomoeda ATRI.

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Segundo a empresa, no início da semana o grupo ICICB perdeu todos os direitos que até então tinha de usar a marca da Atari, o que faz com que os sites oficiais da criptomoeda (atarichain.com e ataritoken.com), whitepapers e perfis nas redes sociais passassem a ser visto como “não licenciados, não sancionados e fora do controle da Atari”.

Apesar da Atari ter declarado em sua nota que “continua entusiasmada com o potencial das iniciativas de blockchain”, a ATRI está descartada dos planos futuros da empresa no espaço cripto.

Nova aposta

Assim como empresas já fizeram com milhares de projetos que fracassaram no passado, a Atari resolveu abandonar a criptomoeda antiga e criar uma nova do zero.

A Atari vai criar, distribuir e gerenciar de forma exclusiva um novo token com foco em jogos, comunidade e utilidade. Essa nova moeda será distribuída aos investidores que já possuem ATRI na carteira, com base nas reservas mantidas até o dia 18 de abril. 

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A empresa não revelou quando essa distribuição vai acontecer, mas disse que, para participar, os detentores de ATRI deverão manter e apresentar seus tokens no momento da troca, sendo que só serão elegíveis as quantias exatas de moedas registradas no momento do snapshot de segunda — ou seja, os investidores não podem mais comprar ATRI para ter o direito de receber o novo token.

O fracasso da ATRI

Com a decisão desta semana, a Atari decretou o fim da criptomoeda que, desde a sua criação, sofreu para se manter relevante no mercado. 

A ATRI valia US$ 0,25 quando foi lançada em outubro de 2020 e chegou a atingir um topo histórico de US$ 0,79 em maio de 2021, antes de entrar em uma queda livre que se estende até os dias de hoje.

O token está sendo negociado a US$ 0,013 nesta terça-feira (19), em queda de 25% nas últimas 24 horas, segundo o CoinGecko. O atual preço é o mais baixo registrado na história da criptomoeda e chega a ser 98% inferior à máxima histórica do ano passado.

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A ATRI é um token ERC-20 lançado junto com o Atari VCS, o primeiro console que a empresa lançou depois de 20 anos sem trazer novidades ao mercado. 

Até semana passada, os jogadores podiam usar a criptomoeda diretamente no videogame para comprar produtos dentro dos jogos. Apesar da proposta promissora e a vinculação com a famosa companhia por trás de grandes títulos como Pac-Man, Donkey Kong e Asteroids, a moeda não conseguiu valorizar de forma consistente , mesmo com a forte campanha de marketing da Atari.

O famoso ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho promoveu o projeto no seu Instagram em junho do ano passado ao publicar o logo do Atari Token com a legenda em inglês: “Atari Token $ATRI para a lua”.

Na época, não foi informado se a publicação se tratava de uma parceria paga, mas o Ronaldinho Gaúcho já tinha se envolvido com a promoção de diversos projetos fraudulentos. 

Ele foi o garoto-propaganda da corretora LBLV, acusada de aplicar golpes em milhares de brasileiros ao oferecer investimentos no mercado forex sem autorização da CVM. 

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O ex-jogador também já precisou dar explicações às autoridades sobre o seu envolvimento com a 18k Ronaldinho, também investigada pela prática de pirâmide.

Ronaldinho ainda promoveu a Airbit Club, um esquema de pirâmide liderado pelo brasileiro Gutemberg dos Santos, preso nos EUA por enganar milhares de investidores e coordenar uma rede internacional de lavagem de dinheiro.