Imagem da matéria: A corretora de Bitcoin que virou uma potência na Venezuela fechou as portas. E agora?
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Mais um dia, mais uma empresa cripto fechando as portas. A LocalBitcoins, uma das mais primeiras e mais tradicionais exchanges P2P de Bitcoin, anunciou seu fim esta semana, dizendo que não poderia mais fornecer seu serviço de negociação de cripotmoedas devido aos desafios do prolongado inverno cripto.

Lançada em 2012, a LocalBitcoins ajudou a provar o principal caso de uso do Bitcoin: um sistema global de dinheiro eletrônico P2P livre de controle centralizado. Ele catapultou o BTC como uma enorme oportunidade para desenvolver comunidades de criptomoedas — especialmente em países com liderança política menos que estável.

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É o caso da Venezuela, onde as dificuldades políticas geram o caos econômico, com a inflação empurrando a população local para as criptomoedas. A Venezuela se tornou um dos países com maior adoção nacional de Bitcoin – e muito disso se deve à LocalBitcoins.

“A LocalBitcoins foi a principal razão para o enorme uso do Bitcoin na Venezuela durante o período 2017—2019. O grande volume movimentado no país fez o mundo perceber que o Bitcoin estava sendo usado na Venezuela”, afirma Ernesto Contreras, chefe de desenvolvimento de negócios da Dash — e cofundador da Cúpula de Blockchain de Caracas —, lembrando que ele começou a se familiarizar com a plataforma durante aquela época.

Criptomoedas na Venezuela: um Estudo de Caso

A implementação de sanções pelos EUA contra o governo venezuelano dificultou o envio de dinheiro do exterior para a Venezuela. Os bancos internacionais não puderam mais realizar operações normais com bancos venezuelanos, e empresas como a MoneyGram e a Transferwise deixaram de prestar serviços ao país.

Isto deixou muitos venezuelanos no exterior com poucas opções ao tentarem enviar dinheiro para suas famílias em outros países.

A LocalBitcoins preencheu esta lacuna, permitindo a transferência rápida e confiável de fundos. Isto era especialmente atraente para os venezuelanos que enfrentavam uma economia instável, sanções políticas e isolamento financeiro, que também podiam recorrer à Bitcoin como um hedge contra a inflação. 

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“Comecei na LocalBitcoins depois de fazer minha própria pesquisa e por causa de referências de terceiros”, disse um defensor venezuelano das criptomoedas, Aníbal Garrido, ao Decrypt.

“Como qualquer iniciante, comecei com algum nervosismo, mas sua interface intuitiva permitiu um uso fácil”. Garrido também é o cofundador da Semana Blockchain de Caracas e um entusiasta proeminente dos criptoativos, conhecido na Venezuela por seu trabalho educacional.

Além das transferências de fundos, a LocalBitcoins também ajudou os venezuelanos a usar o BTC como dinheiro. Eles comprariam o Bitcoin como uma espécie de substituto do dólar e o venderiam quando precisassem de dinheiro físico.

A plataforma também permitiu que eles usassem ainda mais seus BTC para comprar produtos internacionais através de vales-presente e lojas que aceitam criptoativos como pagamento.

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Um País Pós-LocalBitcoins

Dada a situação geopolítica da Venezuela, a negociação de criptomoedas P2P é preferível às plataformas regulamentadas. As plataformas regulamentadas não permitem operações com dinheiro venezuelano, enquanto as plataformas cripto locais tem volumes limitados, infraestrutura deficiente e não são confiáveis.

O impacto do fechamento da LocalBitcoins no ecossistema Venezuelano, no entanto, provavelmente será pequeno, apesar das preocupações iniciais.

“Para o ecossistema venezuelano, acho que não terá muita influência”, garantiu Garrido, apontando que a atividade em torno da plataforma havia diminuído consideravelmente desde seu pico em 2018. Contreras concordou: “Hoje, seu fechamento não terá muito impacto sobre o país, já que muito poucas pessoas usam atualmente a plataforma.”

De fato, a empresa tem visto um declínio na atividade desde seu pico em 2018, e agora está vendo apenas uma negociação semanal de cerca de 30 BTC, em comparação com os 2487 BTC negociados em fevereiro de 2019.

Os números sugerem que os problemas com a LocalBitcoins começaram bem antes do inverno cripto, com a Venezuela comercializando menos de 100 BTC desde fevereiro de 2021 e caindo abaixo da marca de 500 BTC em 2020.

Inverno Cripto e Escolhas Ruins: uma Mistura Mortal 

O inverno cripto tem sido um golpe mortal para muitas empresas, e a LocalBitcoins não é uma exceção. Especialistas atribuem a queda da LocalBitcoins a uma combinação de fatores.

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Em primeiro lugar, sua abordagem “Somente Bitcoin” provou ser uma desvantagem a longo prazo, especialmente depois que a Binance entrou no mercado oferecendo uma ampla gama de tokens, incluindo as stablecoins, que eram mais atraentes para aqueles que queriam reduzir sua exposição aos riscos do mercado.

Além disso, a interface desatualizada e pouco intuitiva da LocalBitcoins pode ter desempenhado um papel em sua queda. “As necessidades de 2023 não são as de mesmas 2012”, observou Contreras.

A Binance, que não tem uma política transparente para auditar seu volume de transações no mercado P2P, tornou-se, no entanto, a referência para os entusiastas de criptomoedas que preferem o trade P2P.

Para aqueles que não querem usar a Binance, as opções são limitadas. A Paxful e a Uphold ambas abandonaram o país, e a maioria das exchanges centralizadas não oferecem serviços para trocar criptoativos por dinheiro.

As opções mais conhecidas disponíveis para os venezuelanos são a HodlHodl, uma exchange P2P sem KYC que oferece diferentes opções de pagamentos, mesmo em Petro (a criptomoeda do governo venezuelano), e a Bisq, uma exchanges P2P privada e descentralizada. No entanto, ambas opções tem uma adoção pequena se comparadas à megaempresa de Changpeng “CZ” Zhao.

Como resultado, embora a LocalBitcoins tenha marcado um capítulo essencial na história cripto da Venezuela, pode ser justo dizer que ela já estava morta aos olhos de muitos residentes. O anúncio desta semana serviu apenas como aviso oficial de que a LocalBitcoins não estará mais presente no país. Mas e agora?

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“Não é o fato de que a Binance pode preencher esse vazio deixado pela LocalBitcoins”, disse Garrido. “Para ser justo, ela já fez isso.”

*Traduzido por Gustavo Martins com autorização do Decrypt.

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