Imagem da matéria: Um ano da Fusão do Ethereum: veja tudo que mudou na rede desde o "Merge"
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Apesar do mercado de criptomoedas em 2022 ter ficado marcado pelas crises, o ano também trouxe boas notícias, em especial a atualização mais importante até o momento da rede Ethereum, conhecida como a Fusão (The Merge, em inglês).

E este dia 15 de setembro marca um ano do grande evento que marcou a troca de consenso da rede do modelo proof-of-work (PoW) para o proof-of-stake (PoS). Mas o que será que mudou na prática deste então?

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Na época do acontecido, a promessa era de que o Ethereum iria reduzir drasticamente seu consumo de energia por deixar de usar o processo de mineração, além da possibilidade de se tornar uma criptomoeda deflacionária, conforme ocorresse uma drástica redução da criação de novos tokens.

Vale lembrar também que a Fusão não tornou as transações mais rápidas e baratas na rede, mas foi um primeiro passo para que outras atualizações, focadas em melhorias de escalabilidade, ocorram no futuro próximo.

O que mudou no Ethereum um ano após a Fusão?

O primeiro impacto da Fusão que se vê na rede é o econômico, já que a atualização resultou numa deflação de 0,25% ao ano, em média. Ou seja, hoje são queimados mais ether (token da rede Ethereum) do que são criados novos ativos.

“A atividade aumentou bastante nesses últimos meses, o que fez com que cada vez mais ether fosse queimado. Além disso, depois do Merge, parou de ter a remuneração dos mineradores com os tokens. Então, a remuneração passou a ser só via proof-of-stake, que é uma remuneração muito menor do que era pago aos mineradores anteriormente”, explica ao Portal do Bitcoin Rony Szuster, analista de criptoativos do MB.

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Gráfico mostra queda da emissão do ether desde a Fusão (Fonte: ultrasound.money)
Gráfico mostra queda da emissão do ether desde a Fusão (Fonte: ultrasound.money)

Sobre o consumo de energia, o impacto da atualização foi significativo. Hoje, o Ethereum consome cerca de 0,0026 Terawatt-hora (TWh) por ano, enquanto a rede antes da Fusão tinha um gasto médio de 78 TWh.

Um estudo da Ethereum Foundation compara ainda o gasto da rede com outros mercados, como o Bitcoin, que consome 131 TWh por ano, ficando junto com o consumo da mineração de ouro e atrás apenas dos Data Centers globais (220 TWh).

Para se entender o quão baixo é o consumo atual da rede Ethereum, a Netflix hoje gasta 0,451 TWh de energia, quase duzentas vezes mais.

Szuster afirma que essas foram as duas principais melhorias do Ethereum desde então, mas ressalta que também houve uma mudança importante do ponto de vista de desenvolvimento, uma vez que a Fusão tornou muito mais fácil realizar atualizações na rede.

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“O Merge separou as responsabilidades da blockchain em duas camadas: a camada de execução e a camada de consenso. Agora os desenvolvedores conseguem fazer alterações em uma e não precisam fazer na outra. Então isso foi bem positivo também”, explica.

Censura da rede

Um ponto importante que era preocupação de muitos investidores era que a censura na rede aumentaria após a Fusão. Porém, o que se vê é exatamente o oposto: há cerca de um ano, a censura na rede chegava a 90% e hoje já está abaixo de 50%, chegando até a uma taxa de 29% em maio deste ano.

A censura é vista no contexto do Ethereum pela ação de validadores que adicionam nos blocos apenas transações em conformidade com as regras do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (OFAC), que passou a ver com maus olhos as transações oriundas de serviços de mixing de criptomoedas, como o Tornado Cash.

O que acontecia é que a maioria dos blocos adicionados à blockchain eram compatíveis com as normas do OFAC, ou seja, censuravam operações vindas de mixers. No entanto, quando o “problema” ganhou atenção na comunidade, isso começou a mudar. Vale lembrar que, segundo especialistas, a censura não tem relação com a atualização da rede.

“A censura tem a ver com a PBS, Proposal Builder Separation, que é como que são propostos os blocos e como são aprovados e validados na rede, e não com o Merge em si”, afirma Szuster.

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“Obviamente que ainda é negativo o fato de ter alguma censura, mas é positivo que está diminuindo porque está surgindo cada vez mais relays agnósticos, que não seguem essas regras da OFAC de censura”, completa o especialista.

O futuro do Ethereum

Como dito antes, a Fusão foi apenas o primeiro passo para um série de atualizações que devem acontecer no Ethereum a partir de agora e que vão melhorar a rede e trazer novos recursos.

Em abril deste ano ocorreu a atualização Shapella — combinação das atualizações Shanghai na camada de execução e Capella na camada de consenso —, que era uma das mais aguardadas do ano pela comunidade do Ethereum, porque passou a permitir que o ether travado no staking da rede desde 2020 pudesse ser sacado.

“Essa possibilidade de sacar tornou muito mais líquido a questão de virar um validador ou parar de ser um validador de Ethereum. Antes era ilíquido: você só podia depositar ether e não podia sacar. Agora, a possibilidade de sacar tornou o risco de fazer stake muito mais baixo”, explica o especialista do MB.

Os sinais desde a Fusão são positivos e o Ethereum tem conseguido se sustentar conforme mudanças estão ocorrendo. Agora, a expectativa é que a próxima grande atualização ocorra em cerca de três meses, com a proposta de baratear as transações dos rollups, criando um tipo de transação específica para os rollups usarem, que são os blobs.

“Isso tem o potencial de tornar muito mais barato as transações nos rollups. Os usuários começariam a usar os rollups e não a camada um da rede do Ethereum. Isso poderia trazer ou fazer um on-boarding de milhões, até mesmo de bilhões de usuários que obviamente vão trazer também muito capital”, avalia Szuster.

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Holesky: nova rede de testes do Ethereum

Nesta sexta, no aniversário do Merge, foi lançada a nova testnet do Ethereum, a Holesky, que visa aprimorar o ambiente de testes na rede. Esta é a terceira testnet, juntando-se a Goerli e Sepolia.

As redes de teste operam paralelamente à rede principal, fornecendo aos desenvolvedores espaço para executar aplicativos em um ambiente de teste e corrigir possíveis problemas sem influenciar a rede principal.

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