Quem é George Soros, o investidor que quase quebrou o Banco da Inglaterra

Quem é George Soros, o investidor que quase quebrou o Banco da Inglaterra
O mega-investidor George Soros (Foto: Shutterstock)


George Soros, nascido na Hungria, emigrou com sua família durante a Segunda Guerra para o Reino Unido. Ele é um dos homens mais ricos do mundo, tendo sua fama baseada em suas apostas arrojadas no mercado de câmbio.

Além disso, Soros financia organizações que promovem pautas progressistas no mundo inteiro.

Soros não é conhecido apenas como um grande investidor. Na verdade, a maior parte de sua fama vem de teorias de conspiração que o acusam de ser um “globalista” que tenta subverter a soberania dos países, forçando a criação de um único governo mundial com multiculturalismo.

Ele também escreveu livros tecendo críticas à economia de livre mercado após a crise de 2008, principalmente os títulos: “The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008 and What It Means” e “Financial Turmoil in Europe and the United States: Essays”.

Com base em seus conhecimentos de filosofia, Soros formulou sua própria teoria sobre eficiência de mercados: a Teoria da Reflexividade.

Embora essa teoria não seja muito aceita na academia, especialmente entre economistas, ela traz insights interessantes que devem sim ser dignos de atenção. Sua teoria será explicada mais abaixo.

As doações de Soros para a caridade chegam a uma soma de US$ 32 bilhões. Isto representa uma doação de 79% de suas riquezas. A maior parte do dinheiro vai para a Open Society Foundation e outros programas no combate à pobreza.



Fortuna de George Soros

Fonte: Guru Focus

Máquina de fazer dinheiro

A fortuna de Soros ultrapassa os US$ 8 bilhões de dólares, sendo a maior parte gerenciada pelo seu famoso fundo, o Quantum Fund, que fez história nos anos 90 ao faturar US$ 1 bilhão fazendo uma aposta contra a moeda inglesa. 

Soros é o que podemos definir como um “Investidor Macro”. Ele não foca tanto em estratégias de trading de alta frequência, como faz o lendário Jim Simons.

Sua estratégia é analisar a situação econômica e política de vários países e apostar contra ou a favor a moeda de um determinado país. Em 2010 o seu fundo reportou ganhos de US$ 32 bilhões desde 1973.

Entre 1969 e 1994, o fundo teve um retorno médio de 35% ao ano, isso descontando taxas e impostos.

O fundo começou em 1969 com o dinheiro de famílias ricas na Europa, mas em 2011 passou a se dedicar apenas para administrar a fortuna da família de Soros. Em 2011, o fundo virou um family-office e adotou uma estratégia mais conservadora.

A maior parte destes retornos vem do mercado de câmbio e da capacidade de Soros entender o funcionamento da economia e da relação de diferentes países. Esse conhecimento o levou a fazer a sua maior e mais conhecida aposta: contra a Libra Esterlina no ano de 1992.

Teoria da Reflexividade

Antes de comentar sobre a sua aposta mais famosa, devemos conhecer a maneira que George Soros pensa sobre mercado e economia.

Ao contrário de muitos economistas e gestores de fundos, Soros acredita que o mercado é caótico e duvida da hipótese de que ele seja eficiente.

Isto é, Soros acredita que as pessoas nem sempre tomam decisões racionais. Pelo contrário, as pessoas tomam muitas decisões com base na emoção.

Como as pessoas operam nos mercados, o preço das ações e dos títulos seria apenas reflexo dessas emoções, e não de cálculos e decisões tomadas racionalmente.

As oportunidades podem ser encontradas através do estudo cuidadoso do valor e dos preços de mercado dos ativos. Ele se concentra em uma teoria da “reflexividade”, baseada na premissa de que os vieses de investidores individuais afetam as transações de mercado e a economia.

Embora seja válido um outro texto explicando apenas a teoria, é preciso ter em mente a sua base:

O aspecto subjetivo da visão dos investidores influencia o aspecto objetivo da sequência de eventos (realidade externa), e a sequência de eventos influencia a visão dos participantes. Lembrando que, só há uma realidade externa, mas existem diferentes visões subjetivas.

Com esses vieses, as distorções entre valor e preço dos ativos se fazem presentes a todo momento, porque eles não estão sendo quantificados de maneira justa.

A teoria de Soros foi baseada no que já pensava Karl Popper. Ele apenas a aperfeiçoou para atingir seus objetivos financeiros.

*Texto escrito por Lucas Bassotto e publicado originalmente pelo site Investificar.