Uma pessoa de costa mexe no celular com logotipo do banco BTG Pactual
Foto: Shutterstock

Mais uma stablecoin de dólar no mercado! Dessa vez, vinda do BTG Pactual!

Não é novidade alguma que as stablecoins em dólar se proliferaram nos últimos anos. Tether (USDT), Coinbase/Circle (USDC), Paxos (USDP), TrueUSD (TUSD), MakerDAO (DAI) e algumas outras dezenas de stablecoins já somam mais de US$ 130 bilhões de capitalização de mercado, cerca de 11% de todo o segmento cripto.

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No geral, todas elas querem a mesma coisa: (i) ter um ativo digital mais estável usando o dólar como referência; e (ii) se valendo de todos os benefícios de ter um ativo tokenizado, como interoperabilidade com aplicações descentralizadas, registros transparentes/auditáveis e eficiência nas operações (por exemplo, enviando recursos para o outro lado do mundo em poucos segundos e pagando centavos).

Mas, como sempre, o diabo mora nos detalhes. Existem alguns tipos diferentes de estruturas para as moedas estáveis.

As “fiat-collateralized” são o mais feijão com arroz do mercado. O emissor da stablecoin deposita 1 dólar na conta bancária escolhida e emite 1 token correspondente. Esse modelo pontua bem por ter 100% do lastro em ativos considerados estáveis / seguros, mas sofre no aspecto de descentralização por depender de reservas em instituições que podem ser mais facilmente censuradas / confiscadas.

Nessa categoria, também podemos encontrar outras moedas nacionais sendo usadas como colateral (vide MBRL e GYEN) e, até mesmo, commodities como o ouro sendo usado de lastro no caso da PAXG.

No caso das “crypto-collateralized” (DAI como maior representante), em vez de dólar em contas bancárias, o projeto usa cripto como colateral da estrutura.

A classe pontua melhor no quesito “descentralização” porque recorre a ativos menos censuráveis / confiscáveis em sua natureza como colateral. Mas, acaba não pontuando tão bem em eficiência de capital, já que exige um valor maior em cripto do que o valor emitido em stablecoin para se proteger de eventuais volatilidades no mercado. Ex: para emitir 100 em DAI (100 dólares), é exigido 150 dólares em ETH travados como colateral.

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Pausa dramática: para evitar polêmicas, ainda não vamos entrar no tema de que mais da metade do colateral usado para emitir DAI (a stablecoin “descentralizada”) é justamente… o USDC (primeiro modelo)… tema para um episódio de Caverna do Futuro.

Nas stablecoins “algorítmicas ou sem colateral” tivemos mais exemplos de moedas instáveis do que qualquer outra coisa. Ainda fico no aguardo de um bom exemplo com sucesso no longo prazo (vide fracassos Basis, UST) e que não precise recorrer a um dos modelos acima para sobreviver.

No caso do BTG Pactual, como era de se esperar de uma das maiores instituições financeiras da América Latina, foram com a opção mais consolidada de “fiat-collateralized”.

Mas… por que esse movimento agora do BTG Pactual?

Na humilde visão de um pessoa completamente fora do contexto BTG, vejo três principais motivos:

  1. Gap de mercado: das 3 top moedas no mercado (USDT, USDC e BUSD), todas sofreram recentemente ou passaram por turbulências possivelmente inaceitáveis do ponto de vista compliance/reputação do BTG. O Tether (USDT) com suas reservas opacas e histórico litigioso com reguladores norte-americanos. O USDC com sua recente perda de paridade e situação bancária incerta e o BUSD sendo paralisado nos Estados Unidos, além de estar ligado diretamente à Binance, uma das corretoras mais polêmicas do mercado.
  2. Oportunidade de investimento: com situação macroeconômica brasileira incerta, política monetária nacional duvidosa e juros subindo nos Estados Unidos, estamos vendo um movimento grande de investidores querendo se dolarizar, vide Avenue captando BRL 1 bilhão em menos de 30 dias. Em regra, a compra direta da stablecoin em corretoras cripto é mais simples e barata, evitando spreads praticados por mesas de câmbio e/ou taxas de fundos com ativos estrangeiros.
  3. Uma montanha de dinheiro: o principal modelo de negócio dos emissores de stablecoin é investir as reservas da stable em ativos de alta liquidez, ficando com o rendimento da aplicação (float) para eles. Ou seja, quanto mais sua stablecoin é usada, mais lastro é necessário e mais capital o emissor tem para investir. Só pra ilustrar, o Tether (USDT) com seus US$ 80 bilhões em reserva, rendendo ~5% a.a, vira um negócio com faturamento de mais de US$ 4 bilhões ao ano!

Com brasileiros querendo se dolarizar, um caminhão de dinheiro para se fazer com as reservas e ausência de opções aceitáveis para um banco, por que não fazer a sua própria?

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Ainda não temos dados públicos transacionais do BTG, por isso, tivemos que recorrer a hipóteses e intuição; aparentemente, esse é o token do BTG na rede da Polygon com ~USD 45.000 emitidos e divididos em apenas dois endereços. Será um endereço para os ativos adquiridos dentro da sua plataforma de cripto (Mynt) e o restante direto em suas plataformas mais tradicionais?

  • No futuro, será possível sacar a stable da plataforma e usar em dapps ou ficará apenas no circuito fechado BTG?
  • Quanto essa stable tem a pretensão de facilitar processos internos de conciliação bancária (vide a ex-JP Coin) e/ou remessas no futuro?
  • Vão emitir o ativo em outras redes ou foco exclusivo na Polygon?

No fim, ficamos com mais perguntas do que respostas…

Shapella, Proto-danksharding e outros exemplos que mostram como o Ethereum precisa investir seriamente em naming

Deixando o bullying com as escolhas de nomes do Ethereum de lado, essas iniciativas são melhorias contínuas que o protocolo realiza desde sua criação em 2014.

Em 2022, apesar de ainda assustar muita gente, tivemos uma tentativa de simplificação do roadmap do Ethereum pelo próprio Vitalik na imagem abaixo:

The Merge, também conhecido como a fase atual

Já foi feita uma parte significativa dessa fase, sendo reduzido o consumo energético do Ethereum em mais de 99% e implementado o mecanismo de validação Proof of Stake (PoS) ao invés de Proof of Work (PoW).

Lembrete rápido – pule se já sabe o que é mineração e validação: no PoW, você usava quantias altas de energia para validar transações no Ethereum e era remunerado pelo seu trabalho com novos Ethers sendo emitidos.

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Se você valida alguma transação incorretamente (por exemplo, um ativo que não poderia ser gasto), você joga energia no lixo e tem prejuízo com a operação. No PoS, você coloca uma parte (stake) de ETH em risco. Se você validar corretamente, ganha mais unidades do ativo. Se você atua de forma maliciosa, perde seus ETHs. Por isso, muitas pessoas chamam essa modalidade de staking de “renda passiva” em cripto, já que você deixa seus ETH “trabalhando por você” na rede.

Ok, ok, voltando!

Como ETH implementou em partes essa mudança de PoW para PoS, hoje você consegue realizar o staking para proteger a rede, mas ainda não consegue sacar o ETH em staking.

Bom, essa espera está quaaaaaase acabando.

No último call dos desenvolvedores do Ethereum, tivemos mais uma confirmação de que estamos prontos pra a atualização da rede que finalmente vai possibilitar a retirada de ETH do staking no dia 12 de Abril às 22:27 UTC (vai ter até uma festa de lançamento)!

Apesar das dúvidas de mercado se isso vai gerar um evento de venda massiva (já que US$ 35 bilhões serão destravados) ou se será mais um catalisador de preço pela rede entregar uma mudança relevante do roadmap, o fato é que isso deverá contribuir ainda mais pro crescimento de segurança da rede no longo prazo.

Hoje, apenas 15% do estoque livre de Ether está sendo usado no staking, comparado com 40-70% de outras redes, como Cardano, Solana, Avalanche, Polygon, Polkadot e Cosmos. Com a maior previsibilidade de liquidez no staking, ou seja, as pessoas podendo sacar seus Ethers a qualquer momento, essa relação deve aumentar e servir para proteger ainda mais o que hoje já é, de longe, a rede com maior valor em staking (US$ 35 bilhões contra US$ 9 bilhões do segundo colocado).

É por esse motivo (e tantos outros) que já falamos algumas vezes do Ethereum como REI por aqui.

E as outras fases?

Como estão mais distantes que o Merge, existem (bem) menos certezas em relação às soluções e prazos. Das mais próximas, temos:

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  1. The Surge: atingir mais de 100.000 transações por segundo (escalabilidade) ao introduzir uma nova transação chamada “blobs” e outras mudanças relevantes com Proto-Danksharding (EIP-4844) e Danksharding completo (mais informações nesse vídeo incrível da turma da Bankless). Em uma frase: esses “blobs” possibilitam que você guarde informações temporárias usadas pelas aplicações de camada dois de um jeito que mantenha a segurança dos dados, possibilite uma escalabilidade exponencial e não sobrecarregue o Ethereum. 🤯
  2. The Scourge: apesar de já ter melhorado, mais de 54% dos blocos no Ethereum após o Merge aplicaram sanções de órgãos norte-americanos (OFAC), ou seja, não validaram transações que interagiram com entidades sancionadas. No geral, isso ocorre porque os validadores do Ethereum usam aplicações que otimizam seus ganhos com a operação (MEV-Boost). Porém, a maioria dessas aplicações já vem com as restrições de OFAC embutidas, o que prolifera a censura para uma parte significativa da rede. Independente dos motivos e forma, essa fase é vista com altíssima importância porque a minimização das possibilidades de censura é justamente um dos principais objetivos das redes descentralizadas.

Sobre o autor

Lucas Pinsdorf é responsável por novos negócios no Mercado Bitcoin desde 2017, teve participação no lançamento dos primeiros ativos alternativos digitais brasileiros. No passado, participou de operação de gestão de ativos alternativos e trabalhou no Pinheiro Neto Advogados. Se formou em Direito pela USP.

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