Imagem da matéria: Plataforma de criptomoedas pede recuperação judicial e revela dívida de US$ 1 bilhão
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A empresa de empréstimos de criptomoedas, BlockFi, deve mais de US$ 1 bilhão a três de seus maiores credores, incluindo US$ 30 milhões que ainda não pagou à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) como parte do acordo de US$ 100 milhões anunciado em fevereiro.

As dívidas foram reveladas nesta segunda-feira (28) após a empresa fazer um pedido de recuperação judicial do tipo “Chapter 11” — referência ao capítulo da Lei de Falências dos EUA, que permite a uma empresa criar um plano de recuperação sob intervenção judicial para pagar os credores ao longo do tempo.

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Ao todo, a BlockFi deve US$ 1,3 bilhão a seus 50 maiores credores e tem entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões em ativos e passivos. Neste pedido inicial de recuperação judicial, a empresa revelou ter mais de 100 mil credores.

Esses passivos incluem US$ 729 milhões devidos à Ankura Trust Company, o administrador por meio do qual a empresa administra suas contas de juros BlockFi como parte de seu acordo com a SEC para atualizar e registrar o produto.

A BlockFi suspendeu o registro das contas com juros em fevereiro e lançou o BlockFi Yield no início deste mês, após notificar a SEC em um documento. Por definição, os títulos registrados sob a isenção do Regulamento D da SEC estão disponíveis apenas para investidores credenciados ou ricos.

Como a BlockFi desmoronou 

A empresa apresentou sua petição para proteção contra falência do Capítulo 11 na segunda-feira, após semanas de especulação de que a BlockFi seria incapaz de continuar operando após o pedido de recuperação judicial da FTX feito em 11 de novembro.

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A BlockFi teve muita exposição à FTX depois de receber uma linha de crédito de US$ 400 milhões em julho, após o colapso da stablecoin algorítmica do ecossistema Terra.

Quando a stablecoin UST da Terra perdeu sua paridade com o dólar americano, eliminou US$ 40 bilhões em fundos da BlockFi. Nos meses seguintes, ficou claro que o fundo de hedge Three Arrows Capital (3AC), tinha o que os cofundadores Su Zhu e Kyle Davies chamaram de superexposição ao Terra (junto com posições ilíquidas em Ethereum e Grayscale Bitcoin Trust).

Como resultado da exposição, a corretora de criptomoedas Voyager Digital emitiu um aviso de inadimplência de US$ 661 milhões em dívidas pendentes devidas a ela pela 3AC. Dias depois, o fundo de hedge revelou sua falência. Então a própria Voyager entrou com pedido de recuperação judicial na mesma semana e a Celsius Network, uma credora de criptomoedas, entrou com pedido de falência uma semana depois.

A BlockFi também teve exposição a 3AC, mas conseguiu se manter no negócio por causa da linha de crédito rotativo que recebeu da FTX. Na época, o ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, disse que estava “desapontado” com o fato de que mais empresas e investidores não estavam se envolvendo para ajudar os players em dificuldades do setor. Desde então, a própria FTX faliu.

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A empresa de Bankman-Fried foi forçada há apenas algumas semanas a admitir que não mantinha reservas de fundos de clientes de um para um depois que uma corrida bancária na corretora causou uma crise de liquidez.

As dívidas da BlockFi

Agora, a BlockFi deve à West Realm Shires Inc., controladora da FTX US, US$ 275 milhões em sua linha de crédito rotativo. O acordo incluiu um acordo para a FTX adquirir a empresa por um preço variável de até US$ 240 milhões “com base em gatilhos de desempenho”, disse o CEO da BlockFi, Zac Prince, no Twitter.

A BlockFi também deve a outro de seus credores US$ 49 milhões, tornando-o o terceiro maior credor, mas omitiu o nome e as informações de contato, dizendo apenas que a pessoa é um cliente. 

O único outro credor no processo que inclui algum detalhe é um empréstimo institucional, que mostra que a reivindicação total é de US$ 21,7 milhões, mas é compensada por US$ 19,4 milhões em garantia, o que significa que a BlockFi deve US$ 2,2 milhões.

As entidades BlockFi que são cobertas pelo pedido de recuperação judicial incluem BlockFi Inc., BlockFi Services, Inc., BlockFi International Ltd. e empresas de responsabilidade limitada BlockFi Wallet, BlockFi Ventures, BlockFi Trading, BlockFi Lending, BlockFi Lending II e BlockFi Investment Products.

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* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.co

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