Imagem da matéria: Pesquisa aponta que uso de Bitcoin como meio de pagamento despencou em 2018
(Foto: Shutterstock)

O Bitcoin ainda não chegou ao patamar de moeda que pretendia. O seu uso como meio de troca no comércio não tem sido dos melhores e tem apresentado uma significativa queda, a qual saiu do pico de 411 milhões de dólares em setembro e chegou à uma terrível baixa de 60 milhões de dólares em maio.

Os dados são de uma pesquisa feita pela Startup Chainalysis Inc., a qual averiguou o montante transacionado em Bitcoins pelos 17 maiores serviços de processamento de criptoativos, entre eles a BitPay, Coinify e a GoCoin.

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Apesar de ter havido um aumento de US$ 9 milhões em junho desse ano, a quantidade de transações comerciais utilizando a moeda criptografada não se compara ao do mesmo período do ano anterior que bateu US$ 270 milhões, segundo informações da Bloomberg.

A redução do uso de Bitcoin para fins comerciais afetou o mercado por inteiro. Hoje, várias empresas, a exemplo da Expedia, deixaram de aceitar a moeda criptografada.

Possíveis razões

A queda do uso do Bitcoin em compras de bem e serviços teria uma explicação que faz bastante sentido. O aumento do investimento especulativo que ocorreu no ano passado e que levou o preço da principal moeda criptografada a uma supervalorização chegando, em 18 de dezembro, um Bitcoin a custar R$ 20 mil retraiu o seu uso, pois naquele período havia expectativa de que o criptoativo se valorizasse mais, o que não ocorreu.

Essa relação faz sentido na visão de Kim Grauer, economista sênior da Chainalysis. Ela diz que “quando o preço está subindo tão rápido” de um Bitcoin, o uso dele como meio de troca pode fazer a pessoa perder mil dólares em um só dia.

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O entranho, contudo, é que mesmo após a queda do valor do Bitcoin chegando esse a valer menos de 50% do que valia em dezembro e ainda com a redução de volatilidade da moeda criptografada,  os consumidores ainda parecem relutantes em usar os Bitcoin para transações.

Nicholas Weaver, pesquisador do Instituto Internacional de Ciência da Computação, disse que o problema estaria no “custo líquido de uma transação com Bitcoin”, que pelo fato de ser “muito maior do que uma transação com cartão de crédito” e isso a torna inutilizável.

Ele diz ainda que uma transação baseada em Bitcoin não pode estornada e isso se tornaria um grande problema quando um comerciante ou consumidor se deparasse com uma fraude.

Um outro aspecto que tem de ser acrescentado são as altas taxas de transação. Kim Grauer afirma que isso fez  com que o pagamento de itens de pequeno valor como o café com Bitcoin fosse impraticável.

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Aqui no Brasil, há até o famoso caso do molho de tomate que foi comprado em Bitcoin e só em taxas custou mais de 20 reais.

As altas taxas talvez tenham sido um fator determinante para a queda nas transações comerciais com Bitcoins, o que fez com que os seus usuários apenas utilizassem para a aquisição de bens mais caros.

A prova disso está nas vendas com o uso de moedas criptografadas na loja Overstock.com, especializada em mobiliários para casa. O número desse tipo de transação no aumentou duas vezes no primeiro semestre desse ano em comparação ao ano passado.

 Efeito cascata

A insegurança proveniente das oscilações de valor do Bitcoin teria reduzido seu uso para que as pessoas não deixassem de ganhar com uma possível valorização maior dessa moeda criptografada.

A queda no uso dessas moedas criptografadas como meio de troca fez com que algumas empresas deixassem de apoiar o seu uso como ocorreu em janeiro com a Stripe Inc.

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Fernando Ulrich, economista e autor do livro “Bitcoin – a moeda na era digital”, afirmou que o Bitcoin surgiu com o objetivo de se trazer uma moeda digital com as mesmas características do “dinheiro vivo”:

“O objetivo era conceber um dinheiro puramente eletrônico, digitalizando as propriedades do dinheiro em espécie (o “cash”, em inglês). Mais especificamente, o objetivo era criar uma moeda digital que apresentasse as mesmas características do dinheiro vivo, a saber: ser um ativo ao portador; possibilitar transações sem intermediários e irreversíveis; e ter ampla privacidade”.

Ulrich, entretanto, também disse que para que uma commodity se torne dinheiro teria de passar por três estágios e que o Bitcoin ainda está no primeiro sendo assim sem sentido o seu uso como moeda em si.

O fato é que a redução do uso de Bitcoin como meio de troca pode passar a falsa impressão de que ele não passa de um instrumento especulativo para ter valor a longo prazo não tendo, ao menos, por agora uma outra função de utilização.


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