Imagem da matéria: O homem que desistiu de tudo pela Litecoin
John Kim é um evangelista da Litecoin (Foto: Arquivo Pessoal)

Em agosto de 2018, John Kim vendeu sua casa e deu o dinheiro que devia para sua esposa. No início do ano, ele vendeu seu negócio que vinha lucrando bem e investiu todas as suas economias em criptomoedas. Então ele entrou no seu carro, com o logotipo da Litecoin, e partiu em uma campanha solo para aumentar a conscientização e a utilização de sua criptomoeda favorita pela população.

Nos últimos dois anos, ele doou milhares de dólares em Litecoin e convenceu restaurantes e bares nos Estados Unidos a aceitá-la como um meio de pagamento rápido e fácil.

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“Eles me chamaram de evangelista da Litecoin. Mas a verdade é que eu sou um homem simples com um plano simples. Acredito que a melhor maneira das pessoas adotarem as criptomoedas é mostrar a elas um exemplo prático e deixá-las vivenciar as criptomoedas por si mesmas”, disse Kim ao Decrypt em uma ligação recente do Texas, onde ele está sobrevivendo à pandemia do coronavírus.

Ele ainda não tem onde morar, foi criticado por ser inconsequente e imprudente e admite que as criptomoedas tiveram um grande papel no fim do seu casamento. Mas Kim não se arrepende; ele nos contou por que sua história terá um final feliz.

Desistir de tudo pelas criptomoedas

Kim, 43 anos, disse que cresceu em Dallas, Texas. Ele saiu da escola sem terminar o ensino médio e trabalhou em diversos empregos de baixa remuneração até que conseguiu abrir seu próprio negócio com US$ 10.000 que pegou emprestado com seu pai.

Em 2018, tinha conseguido desenvolver uma rede de nove lojas de telefones celulares e era o segundo revendedor na área de Oklahoma, segundo ele.

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Junto com sua esposa, Kim começou a investir em Bitcoin e Ethereum em 2017 e tornou-se cada vez mais atraído para o mundo das criptomoedas – o que no fim causou um grande problema na sua família e com os seus amigos.

A Litecoin, em especial, atraiu sua atenção. A criptomoeda é a quinta maior em valor de mercado e foi projetada para ser mais rápida no processamento de transações do que o Bitcoin. Seu criador é Charlie Lee, um graduado do MIT, ex-Googler e ex-chefe de engenharia da Crypto Exchange Coinbase, que é reverenciado entre seus milhões de apoiadores.

Os dois começaram a conversar pelo Twitter das criptomoedas, quando Kim se ofereceu para defender Lee dos críticos que estavam furiosos por ele ter vendido suas ações de LTC pelo preço máximo. (Lee afirmou que fez isso para ajudar na descentralização e evitar conflitos de interesse.)

“Eu contei a ele sobre o meu passado”, disse Kim. “Eu não vivi uma vida muito boa. Eu errei muito quando era mais jovem. Eu não sei nada sobre o lado técnico do blockchain [mas] se você me der uma chance, eu juro que vou fazer o que puder para não decepcioná-lo”, disse ele a Lee. (Lee visualizou as mensagens, mas não deixou nenhum comentário de volta.) “Eu simplesmente abri meu coração em uma mensagem privada, sem nem mesmo saber quem iria me responder de volta. E então ele respondeu. Ele disse, ‘você conseguiu’.”

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Esse era exatamente o incentivo que Kim precisava. Ele vendeu seu negócio e apostou tudo nas criptomoedas. Seu objetivo: ser um evangelista da Litecoin no mundo. Enquanto isso foi se consolidando, seu casamento começou a desmoronar.

“Não tinha como ela se aventurar a embarcar nessa jornada maluca comigo. Nem foi algo a considerar”, disse Lee sobre a reação de sua esposa. “Muitas pessoas tentaram me dar conselhos, para priorizar o casamento e a família, mas minha esposa sabia, desde o [primeiro] momento que nos conhecemos, que ou eu entro de cabeça em um projeto, ou então eu nem entro. Eu não faço nada pela metade. Foi assim que consegui pegar 10 mil dólares e construir 15 negócios”.

Na mente de Kim, apostar tudo na criptomoeda representava a única oportunidade de mudar a trajetória não apenas de sua própria vida, mas também da vida de seus dois filhos. “Quando você não tem educação e não tem um diploma, tem que superar a todos, porque não tem muito o que fazer. Todo mundo já começou a corrida. Você tem que recuperar o tempo perdido”, disse ele.

Com o dinheiro da venda da casa de sua família, sua esposa abriu uma churrascaria coreana em um estado vizinho. “E ela está indo bem”, disse Kim. “Mas no momento ela não gosta de criptomoedas porque ela acredita que as criptomoedas me roubaram dela. Então ela não investe em nenhuma.”

Vivendo a vida de Litecoin

E a coragem de Kim seria testada antes do que ele pudesse imaginar. O LTC caiu para US$ 22 não muito tempo depois que ele iniciou sua missão (seu maior recorde, em 2017 foi de US$ 400), e Kim, agora quebrado, passou por alguns momentos complicados.

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Foi nesses momentos, contou ele, que a comunidade da Litecoin se mostrou presente, pagando por um quarto de hotel ou oferecendo uma vaga no sofá.

Fora do mundo da criptografia, ele foi ridicularizado como irresponsável e bobo. Mesmo assim, ele se manteve forte. Ele se mostrou um guarda-costas pessoal de Lee na convenção inaugural de 2018 da criptomoeda, visitou trinta cidades dos Estados Unidos em 30 dias para um tour promocional e participou de várias outras ações com o mesmo intuito.

Quando ele decidiu ir para a Ásia, Kim não pediu dinheiro à Fundação Litecoin – criada para administrar o desenvolvimento da criptomoeda – ou à comunidade da Litecoin, ele simplesmente tuitou sua intenção e, na semana seguinte, já estava em um assento de primeira classe para a Ásia, cortesia do site de negociação de criptografia e viagens Travala da OKEx (que lhe proporcionou fundos para que ele pudesse usar criptomoedas nos hotéis).

Seu filho de 13 anos, Jaedin, também conhecido como Evangelista Junior de Litecoin, é uma das poucas pessoas que nunca duvidou da missão de seu pai, disse Kim. Ele dá a seus filhos (o mais novo, Jaemin, tem três anos) LTC para comprarem sorvete no Baskin Robbins, jogos no GameStop e ingressos para o cinema no AMC Movie Theatre.

A Litecoin conquistou uma certa reputação por adicionar novos recursos e por se integrar rapidamente a aplicativos de pagamento de varejo como o SPEDN, que permitirá que os comerciantes aceitem pagamentos a partir dos telefones dos clientes em mais de 40.000 estabelecimentos.

Hoje em dia, Kim está investido igualmente em BTC, LTC e AMP, que é o token da Flexa, desenvolvedora do SPEDN, que fez parceria com a exchange de criptomoedas Gemini para o projeto.

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“Meu objetivo é pegar um assunto complexo e simplificá-lo”, disse Kim. “Acho que 99% das pessoas não têm tempo, intelecto ou oportunidade de entender as complexidades de um blockchain. Uma ação fala mais do que palavras. Então, eu envio a eles um pouco de Bitcoin, ou Litecoin. E é dessa forma que eles se convencem.”

Viagens longas estão impossibilitadas por causa do coronavírus, mas Kim ainda viaja localmente e apresenta um podcast semanal chamado ‘FunkyCrypto’, ao lado do lutador de MMA aposentado Ben Askren. A parceria surgiu quando Kim viu que Askew estava seguindo Lee e voou para a casa do atleta olímpico em Wisconsin para aconvidá-lo a se tornar um membro oficial da comunidade Litecoin.

A Toyota das criptomoedas

Nas últimas semanas, uma bull run fez com que as perspectivas do LTC aumentassem, ao lado de uma série de outras altcoins. No momento em que este artigo foi escrito, o preço do LTC era US$ 88, mas o trabalho de Kim está longe de terminar. Ele prevê uma repetição do desempenho de 2017, quando a Litecoin começou o ano em US$ 4 e subiu 2.000%, para US$ 400. No próximo ano, disse Kim enfaticamente, a Litecoin atingirá três dígitos – no mínimo. “Eu chamo a Litecoin de a Toyota do blockchain e das criptomoedas”, disse ele, que afirma que a rede nunca teve um período de inatividade.

E mais melhorias estão à caminho. No meio do ano de 2020, um novo testnet foi lançado implementando Mimblewimble, que é um recurso opt-in de privacidade e fungibilidade desenvolvido em colaboração com seus criadores, BEAM. Fungibilidade, por proporcionar uma não “contaminação” das moedas pelo seu uso no passado, é um importante argumento de venda.

Como muitos na indústria, Kim está animado com os planos do PayPal de integrar criptomoedas, anunciados em outubro. Paralelamente, ele lembra do investimento de US$ 400 milhões em Bitcoin feito pelo CEO da Microstrategy, Michael Saylor, que muitos consideram ter sido o início dos investimentos institucionais.

“Eu acredito que 2021 será de fato o ano em que provarei que todos estão errados e serei humilde quanto a isso, mas vou me certificar de que meus filhos tenham a garantia de uma boa vida’, disse ele. “Fiz minha promessa à comunidade local, os investidores da Litecoin, de que não vou parar até que voltemos à máxima história e Charlie seja exonerado, e então posso simplesmente desaparecer.”

Kim, enquanto isso, está aproveitando o momento. Ele lançou recentemente seu primeiro videoclipe, que apresenta uma boa dose de seu humor contagiante, irreverente, mas naturalmente bem-humorado, bem como participações de Charlie Lee e outros luminares de Litecoin.

Quer o LTC atinja os três dígitos ou não no ano que vem, uma coisa é certa, de acordo com Kim: “Sei que ninguém está disposto a ir tão longe quanto eu para mostrar isso ao mundo”.

*Traduzido e editado com autorização da Decrypt.co

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