Imagem da matéria: Manhã cripto: com segundo turno confirmado no Brasil, Bitcoin e Ethereum andam de lado
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Com o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil já confirmado, investidores de criptomoedas olham o mercado externo para guiar as estratégias. O Bitcoin (BTC) mostra pouca variação nesta segunda-feira (3), em queda de 0,5%, cotado a US$ 19.208,72, segundo dados do CoinGecko. O Ethereum (ETH) recua 1,6%, para US$ 1.292,28. 

Em reais, o Bitcoin também mostra estabilidade, em baixa de 0,4% e negociado a R$ 103.358,70, mostra o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).   

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As altcoins operam sem rumo definido, entre elas Binance Coin (+1,3%), XRP (-7,5%) Cardano (-2,1%), Dogecoin (-1,6%), Polkadot (-1,3%), Shiba Inu (-1,3%), Polygon (-1,1%) e Alavanche (-2,2%).  

Solana perde 2% nas últimas 24 horas. Um node mal configurado fez com que a rede Solana parasse de processar transações e ficasse horas offline na sexta-feira (30). É a quarta grande interrupção do popular blockchain desde janeiro. 

A manhã desta segunda é marcada pela alta do barril de petróleo, instabilidade dos índices futuros das bolsas americanas e reversão de um corte de impostos para os mais abastados no Reino Unido.  

No mercado cripto, a exchange indiana WazirX demitiu 40% da força de trabalho, segundo o CoinDesk, enquanto o ex-CEO Celsius teria retirado US$ 10 milhões da plataforma de crédito cripto antes de suspender saques de clientes em junho, de acordo com o Financial Times. A Coinbase, por sua vez, teve que suspender temporariamente as operações nos EUA por problemas técnicos. 

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Eleições presidenciais 

Após longas filas para votar no Brasil e no exterior e 99,9% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) se enfrentarão em um segundo turno em 30 de outubro. Ao contrário do que apontavam as pesquisas, Lula conseguiu 48,43% dos votos válidos contra 43,20% do presidente Bolsonaro, o que impossibilitou uma vitória do petista já no domingo (2). 

Mas o dado que talvez mais tenha chamado a atenção de analistas políticos foi a esmagadora vitória do PL de Bolsonaro no Congresso, com 99 vagas na Câmara e 14 no Senado. 

Quem também surpreendeu foi Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, que mesmo preso recebeu mais de 37 mil votos no Rio de Janeiro em sua candidatura a deputado federal, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. 

Em entrevista ao Valor Investe na sexta-feira (30), antes da realização do primeiro turno, Tasso Lago, gestor de fundos privados em criptomoedas e fundador da Finance Move, via a vitória de Lula como um fator que poderia impulsionar o dólar e, consequentemente, o preço do Bitcoin em reais, já que a criptomoeda é um ativo dolarizado. Isso porque, segundo o gestor, o candidato do PT adotaria “uma política fiscal menos arrojada, o que aumentaria a dívida pública e o risco Brasil”. 

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Em seu perfil no Instagram, o trader brasileiro João Paulo Oliveira, da NOX Bitcoin, mostrou na prática como faturar com a vitória de Lula ou Bolsonaro, independentemente do posicionamento político. 

Regulação pós-eleições 

Durante participação no evento “DrumWave Day” em São Paulo na sexta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que, devido às eleições, “é um período meio complexo” para fazer mudanças em projetos de lei, como o PL 4401/21 que regula os criptoativos, mas a instituição quer voltar ao tema. A segregação de contas de clientes dos ativos de corretoras cripto, um tema polêmico, é um item que não foi incluído no PL, mas o BC vê como importante a inclusão, segundo Campos Neto. 

No entanto, especialistas como Murillo Allevato, sócio da área tributária do Bichara Advogados, alertam para o escopo limitado de atuação do BC no atual contexto. “Nesse momento, caberiam alterações meramente redacionais”, afirmou ao Valor Investe. 

Isabela Rossa, country manager da Coin Cloud no Brasil, também acredita que a regulação deve acontecer no próximo mandato. De qualquer forma, para ela “o caminho que se apresenta para as criptomoedas no período pós-eleitoral é positivo”, como destacado em artigo no Portal do Bitcoin. “Inclusive, sobre a definição referente ao que as empresas do setor devem atender para dar segurança ao mercado, sob pena de serem excluídas do ecossistema”, acrescenta. 

Divergência entre BCs 

No evento “DrumWave Day”, o presidente do BC também reforçou que a autoridade monetária trabalha lado a lado com a Comissão de Valores Mobiliários para a regulação dos criptoativos.  

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“Acho que o Banco Central nunca esteve trabalhando tão junto, tão próximo da CVM como está agora neste momento, exatamente porque a gente acha que não tem muito tempo a perder”, disse

O presidente do BC brasileiro acrescentou que a desvalorização dos preços é usada como um argumento contra os criptoativos, mas explicou que essa reprecificação tem a ver com a trajetória de alta das taxas de juros.  

“A gente tem uma opinião bastante divergente hoje da maioria dos bancos centrais [em relação à regulação de criptoativos]”, afirmou. 

Sobre o real digital, com lançamento esperado para o segundo semestre de 2023, Campos Neto disse que a moeda virtual vai gerar “uma intermediação financeira mais barata” com impacto no spread de crédito. 

Bitcoin em setembro 

À espera do segundo turno das eleições presidenciais, investidores analisam o desempenho das criptomoedas no mês passado em busca de pistas para ajustar os portfólios. 

Artigo do Valor destaca análise de Lucas Passarini, especialista em trading do MB, que chama a atenção para a dominância do Bitcoin, que subiu 2,3% em setembro e chegou a 41% de todo o mercado de criptomoedas.  

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Além disso, no trimestre, o BTC subiu 3,7%, enquanto o MSCI-all country, que acompanha índices acionários de diversos países, registrou baixa de 7%, de acordo com dados da Bloomberg, cujo indicador global de títulos também mostrou queda semelhante. Apesar de não ser um ganho estratosférico, o desempenho se destaca em meio à sangria em outras classes de ativos. No segundo trimestre, o Bitcoin mergulhou quase 60%. 

“Embora os preços estejam deprimidos, o ecossistema cripto está de fato prosperando”, disse à Bloomberg Cici Lu, CEO da Venn Link Partners. “Os desenvolvedores têm se concentrado na construção das tecnologias.” 

O ranking de desempenho das criptomoedas entre 1º e 30 de setembro trouxe uma surpresa: Terra Classic (LUNC) foi o token que mais se valorizou, com ganho de 79% no período, impulsionado em parte por mudanças práticas anunciadas pela Binance. 

Desempenho de fundos 

Fundos que investem em criptoativos também sinalizam estabilização. Até a manhã da última sexta-feira (30), investidores haviam sacado US$ 17,6 milhões de fundos de índice cripto nos três meses encerrados em 30 de setembro, segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence. Um valor muito abaixo da retirada recorde de US$ 683,4 milhões de ETFs cripto no segundo trimestre. 

A mesma tendência é vista nos chamados ETPs cripto, produtos negociados em bolsa com investimento direto ou via contratos futuros. Mesmo em meio à onda vendedora, esses fundos registram entradas líquidas de US$ 379 milhões no acumulado do ano, de acordo com o Financial Times, que cita dados da TrackInsight. 

No entanto, setembro marcou o quinto mês consecutivo no qual os volumes de moeda fiduciária caíram nas corretoras cripto, de acordo com o Data Dashboard do The Block, embora os volumes de negociação tenham subido 16% na comparação mensal. 

Outros destaques das criptomoedas 

Alex Mashinsky, fundador e ex-CEO da Celsius Network, retirou US$ 10 milhões da plataforma de crédito cripto semanas antes de suspender saques de clientes em junho, informou o Financial Times, que citou fontes não identificadas. 

A exchange indiana WazirX demitiu de 50 a 70 funcionários ou 40% da força de trabalho do total de 150, disseram três fontes a par do assunto ao CoinDesk. Além do inverno cripto, “a indústria cripto da Índia teve seus próprios problemas com relação a impostos, regulamentações e acesso bancário”, afirmou a empresa em comunicado. 

A Coinbase corrigiu um problema técnico que fez com que a exchange cripto interrompesse temporariamente pagamentos e saques em contas bancárias dos EUA. 

A Binance já muda o perfil do mercado com a conversão de USD em BUSD, sua própria stablecoin. Desde o anúncio de que iria descontinuar o suporte para stablecoins concorrentes, as saídas de USDC da corretora aumentaram 93%. Enquanto isso, a capitalização de mercado do token USDC caiu 5%. 

O CME Group está seguindo os passos da FTX.US, controlada por Sam Bankman-Fried, e propôs a reguladores seu próprio plano de oferecer negociação de derivativos diretamente a investidores, de acordo com o Wall Street Journal

A exchange BitMEX planeja lançar seu próprio token, o BMEX, até o final do ano, contou ao CEO da empresa, Alexander Hoeptner, em entrevista ao CoinDesk na conferência Token2049, em Singapura. 

Apesar da volatilidade que marca as criptomoedas, Campbell Harvey, professor de finanças da Duke University, disse ao E-Investidor que essas oscilações fazem parte do amadurecimento das novas tecnologias, prevendo que a competitividade poderá trazer nas próximas décadas a redução da inflação das moedas fiduciárias. 

Arábia Saudita e Dinamarca lideram a lista dos países com maior lentidão na adoção das criptomoedas, segundo estudo publicado pelo site de pesquisas Forex Suggest. Também foram levados em conta fatores como o número investidores e de caixas eletrônicos dos locais. 

As vendas de tokens não fungíveis registraram queda de 60% no terceiro trimestre em relação ao segundo, de acordo com dados do rastreador de blockchain DappRadar divulgados pela Reuters. No total, as vendas de NFTs somaram US$ 3,4 bilhões entre julho e setembro, abaixo dos US$ 8,4 bilhões do trimestre anterior e inferior ao pico de US$ 12,5 bilhões no primeiro trimestre do ano. 

Com a proximidade da Copa do Mundo 2022, mais tokens não fungíveis chegam ao mercado de olho em torcedores que querem unir a paixão pelo futebol aos investimentos. Mas investidores devem ficar atentos, pois esses NFTs podem estar sujeitos a impostos, explicou ao Valor Thiago Barbosa Wanderley, tributarista sócio do Ogawa, Lazzerotti e Baraldi Advogados. 

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