Henrique Meirelles
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O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi um dos principais nomes desta semana no universo das criptomoedas, com a notícia de que ele foi contratado pela Binance para ser parte de um conselho consultivo global que a corretora está montando.

Em entrevista exclusiva ao Portal do Bitcoin, o executivo revela os bastidores de sua contratação e fala sobre os planos de atuação junto à corretora no Brasil, especialmente sobre o que chama de “nosso diálogo com o Banco Central” – embora afirme que ainda precisa estudar o Projeto de Lei que regula as criptomoedas no Brasil, atualmente aguardando votação na Câmara dos Deputados, para avaliar como fazer propostas mais concretas.

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Ele diz que a corretora pretende “liderar o processo de autorregulamentação, com sistemas envolvendo tecnologia que assegurem principalmente a análise de origem do dinheiro”, fazendo referência aos processos de controle para impedir ilícitos como lavagem de dinheiro.

É um tema fundamental para empresa após anúncios feito pelo Banco Central brasileiro da existência de riscos de lavagem de dinheiro na atuação da corretora – um episódio que serviu como estopim para uma briga judicial com o ex-parceiro bancário Capitual, caso que foi parar na Justiça e envolve R$ 450 milhões, além da interrupção nos saques em real da exchange.

Bastidores da contratação

Meirelles revela que os contatos com a corretora começaram com uma viagem recente até Paris, onde recebeu um curso intensivo de dois dias sobre criptomoedas diretamente com Changpeng “CZ” Zhao, CEO da exchange. Meirelles afirma que o criador da corretora liderou as exposições e que ambos ficaram próximos durante o evento.

“Sim, eu me encontrei com ele [CZ] em Paris. Ele fez as apresentações durante os dois dias e no jantar ele pediu para eu sentar ao lado dele para podermos conversar mais”, disse.

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Segundo ele, o convite para ocupar o cargo no conselho consultivo mundial partiu do executivo Daniel Mangabeira, que cuida da operação da Binance no Brasil. O ex-líder do BC diz não há nenhum outro ex-presidente de Banco Central no órgão. “Temos banqueiros, empresários e executivos que trabalharam em agências reguladoras que são equivalentes em seus países ao que a CVM é no Brasil’, afirma, sem revelar os outros nomes.

Estudando as criptomoedas

Ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer, Henrique Meirelles ressaltou que recebeu muito material sobre criptomoedas e que irá se aprofundar no assunto ao longo dos próximos meses.

O agora membro do conselho da Binance mostra já estar com o discurso afiado: “A grande questão é que quando você vai fazer a análise da origem do dinheiro em uma transferência bancária , a única solução é o banco pedir toda a documentação e assumir a responsabilidade. Agora, na moeda digital não, você pode ter toda a cadeia transparente”.

Meirelles já havia se encontrado anteriormente com o CEO da Binance quando ocupava o posto de secretário dda Fazenda de São Paulo na gestão João Doria. Em março deste ano, CZ esteve no Brasil e se reuniu com o então governador e candidato à presidência da República. A dupla posou para uma foto e trocou mensagens públicas no Twitter. Meirelles participou do encontro.

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Através de Meirelles, que é próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – líder das pesquisas de intenção de voto para a eleição à Presidência da República de outubro -, a corretora ganha mais um canal de interlocução com o meio político, em meio à expectativa de votação do projeto de Lei que regula as criptomoedas no país, no qual a Binance tem interesse direto.

Confira a entrevista

Portal do Bitcoin: Executivos da Binance já se encontraram algumas vezes com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Como estão as conversas com o BC?
Henrique Meirelles:
Temos conversado sim, mas agora que nós vamos andar com essa questão de regulamentação depois da reunião do conselho global. Então combinei com o Daniel [Mangabeira, executivo da Binance no Brasil] que vamos nos encontrar não só com o Roberto [Campos Neto, presidente do BC], mas também com as áreas de regulamentação do banco. Agora, eu sou do conselho global e o Daniel toca as operações aqui no Brasil.

Como será a periodicidade de encontros do conselho global?
Henrique Meirelles:
Trimestral, mas evidentemente com muita interação online.

Na reunião em Paris você conheceu bem o Changpeng “CZ” Zhao, CEO da Binance. Qual a visão dele do mercado brasileiro?
Henrique Meirelles:
Sim, eu me sentei ao dele inclusive no coquetel e no jantar. Ele acha que o Brasil tem muito potencial. Ele tem muita expectativa em relação ao mercado brasileiro.

O senhor conversou sobre o Projeto de Lei para o setor, que está parado na Câmara?
Henrique Meirelles:
Não, ainda não. Primeiro eu estou vendo o que está se fazendo em outros países, antes de começar a interagir para o que está sendo feito no Brasil.

A partir da experiência internacional eu vou olhar o projeto que está na Câmara e avaliar o que está proposto e o que deveria e deverá ser feito no Brasil.

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Essa regulamentação poderá ser feita pelo Banco Central?
Henrique Meirelles:
Apesar do mercado ser global, a regulamentação vai ser feita pelos Bancos Centrais e idealmente em cooperação, para ter uma certa uniformidade.

Por isso que vai ser importante todo esse nosso diálogo com o Banco Central do Brasil inclusive, mas depois de ver tudo aquilo que que está sendo feito internacionalmente e a partir daí fazer algo consistente em termos globais.

E depois a Binance vai liderar o processo de autorregulamentação, com sistemas envolvendo tecnologia que assegurem principalmente a análise de origem do dinheiro.

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