Imagem da matéria: Fesq, o artista brasileiro que largou a universidade para vender NFTs
Fesq é um dos expoentes brasileiros em NFTs (Foto: Divulgação)

O mercado de criptoarte, nome dado à produção artística registrada por meio de NFTs (tokens não fungíveis), também tem representantes no Brasil. E um dos expoentes dessa nova onda — que já tem capitalização de mercado de US$ 8 bilhões, segundo o CoinGecko — é o brasileiro Felipe Queiroz, conhecido como Fesq.

De sua casa, no Rio de Janeiro, o artista digital de 24 anos, que faz ilustrações e animações em 3D e as vende por meio da blockchain do Ethereum, contou para a reportagem do Portal do Bitcoin que caiu de cabeça e alma no mercado cripto em setembro do ano passado, mês em que o bitcoin era negociado na casa dos R$ 60 mil, segundo o Índice de Preço do Bitcoin.

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“Apesar de começar com NFT ano passado, eu não pulei de paraquedas nesse meio e virei artista da noite para o dia. Minha relação com a arte 3D, que ganhou um novo norte com a tecnologia, começou há quatro anos como um hobby, quando conheci e fui inspirado pelo trabalho do Beeple”.

Beeple, nome artístico de Mike Winkelmann, é um dos maiores artistas digitais do mundo. No mês passado, ele vendeu uma coleção de NFT de arte digital por US$ 69,3 milhões.

Naquela época, Fesq cursava engenharia de nanotecnologia na PUC-Rio. Ele dividia seu tempo entre sua nova paixão, as aulas de programação da universidade e um estágio. O passatempo artístico só começou a tomar lugar de destaque em sua vida em 2018, quando ele conheceu Beeple pessoalmente em um evento no Rio. Os dois até tomaram uma cerveja juntos, contou.

“Foi um fechamento de ciclo esse encontro. Beeple me disse para começar a fazer uma arte todo dia, pois isso iria mudar minha carreira. Ele vem fazendo isso constantemente por mais de 13 anos. No começo eu não queria, pois era trabalho duro, mas acabei topando. Fiz uma arte por dia ao longo de 100 dias. Depois disso, eu topei outro desafio e fiz uma arte por dia ao longo de um ano”.

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O esforço deu certo. O hobby virou trabalho, Fesq conseguiu alguns clientes e decidiu largar a universidade, emprego e estágio para se dedicar à nova carreira de artista 3D.

“Antes do NFT, um artista independente como eu não tinha forma concreta de monetizar seu trabalho. O que a gente tem agora com essa nova tecnologia é a possibilidade de fazer um projeto autoral autenticado e escasso e faturar com isso”, disse.

Seu projetos, disse, são divididos em duas categorias. Uma é voltada mais para o cyberpunk – com enfoque em temas futuristas – e outra tem um viés mais “sensível, voltado para coração, mente e alma”.

Um dos exemplos da obra de Fesq (Foto: Divulgação)

US$ 376 milhões em obras

De acordo com Cryptoart.io, cripto artistas já venderam mais de 135 mil projetos desde julho de 2018, mês em que a plataforma começou a fazer o lenvamento. Em dólares, isso gerou US$ 376 milhões.

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De acordo com a plataforma, existem cerca de 3,5 mil artistas espalhados pelo mundo. Somente o Beeple, que inspirou Fesq, já vendeu 842 trabalhos e faturou sozinho US$ 102 milhões.

Em segundo aparece um artista chamado fewocious, que vendeu 3,1 mil obras e faturou US$ 17 milhões; e em terceiro trevorjonesart, com US$ 16 milhões de lucro oriundos da venda de pouco mais de 5 mil projetos.

Fesq, ainda segundo a plataforma Cryptoart.io, já vendeu nove obras desde que entrou no mercado, com faturamento de pouco mais de US$ 19 mil. Cada projeto custou, em média, US$ 2,1 mil.

Além dele, alguns outros artistas digitais brasileiros que despontaram no mercado de NFT são Etiene Crauss, Uno de Oliveira, Raf Grassetti e Nino Arteiro. Só Etiene Crauss, por exemplo, já vendeu 15 obras e faturou pouco mais de US$ 323 mil.

Para o artista digital, que trabalha de seu quarto, qualquer profissional de arte pode aproveitar esse mercado. O primeiro passo, segundo ele, é ter paciência para estudar exaustivamente como funciona a tecnologia blockchain e o NFT.

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“Os artistas, quando veem a quantidade de dinheiro rolando na criptoarte, querem entrar de qualquer forma, mas acabam se perdendo por não entender como funciona. Por isso, acho que é preciso ir com calma e estudar a tecnologia blockchain e as diferentes plataformas”, disse.

“Eu mesmo fiz o upload da minha primeira arte no final de novembro do ano passado, mas antes disso eu fiquei dois meses simplesmente estudando e me informando sobre o que é NFT”, cpmpletou.

Um dos pontos que os aspirantes a cripto artistas precisam estar atentos ao entrar nesse mercado, segundo ele, é que o NFT roda na blockchain do Ethereum e existe uma taxa cobrada, chamada de gas fee. De acordo com a plataforma YCharts, esse custo é de US$ 177.

“Estamos falando, portanto, de pouco mais R$ 900 para tokenizar uma arte. Para um artista, isso é um investimento alto”, disse.

Depois de mergulhar em informações sobre tecnologias de registro distruído, de acordo com Fesq, o artista precisa disponibilizar seus projetos em plataformas. Existem diversos marketplaces no mercado específicos para NFT, como OpenSea, Foundation e Rarible. Na quinta-feira (19), a plataforma OpenSea anunciou que levantou US$ 23 milhões em uma rodada de financiamento.

Outro ponto importante, falou Fesq, é saber ‘vender’ a ideia da arte também em redes sociais. “Os colecionados chegam até mim não só pelas plataformas de venda, mas principalmente pelo Twitter. Por isso, é muito importante falar sobre seu projeto lá”, falou.

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Como colocar preço

Sobre preços, Fesq falou que há diversas estratégias no mercado. Alguns artistas colocam valores altos por suas obras, disse, enquanto outros começam barato e vão aumentando com o tempo.

“Eu estou adotando a segunda estratégia. Primeiro comecei com 0.7 ETH, depois diminui para 0.5 ETH e agora aumentei para 2 ETH. É preciso analisar o mercado”, falou.

Mercado com posssibilidades ilimitadas

Para Alexandre Vasarhelyi, sócio da gestora BLP Asset, o segmento de NFT está crescendo rapidamente porque oferece uma quantidade ilimitada de possibilidades.

“Talvez seja o mercado que mais converse com o mundo. Eu já vi NFT de arte, contrato de propaganda, música, tempo de serviço, tênis e até tweets”, falou.

Jack Dorsey, CEO do Twitter, por exemplo, colocou seu primeiro tweet à venda neste mês. Até o momento, o lance mais alto para a aquisição do ativo é de US$ 2,5 milhões.

Vasarhelyi disse ainda que acredita que esse mercado cresce porque o mundo físico está cada vez mais ligado ao virtual, especialmente por causa do games.

“Muita gente tem uma relação com virtual mais profunda e vê o digital como uma extensão do real. É um fenômeno cultural, visto principalmente nas novas gerações. Então vamos dizer que você venha a ter um avatar virtual. Nesse caso, vai poder colocar um tênis da Gucci nele, por exemplo”.

Na semana passada, a marca de luxo italiana, fundada por Guccio Gucci, lançou um tênis como um NFT por US$ 12.

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