Indeal, pf
Primeira operação da PF na casa de um dos sócios da Indeal em 2019 (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

O departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na noite de quarta-feira (04) que congelou US$ 24 milhões (cerca de R$ 136 milhões) em criptomoedas de um brasileiro acusado de participar de um esquema de fraude.

Conforme o comunicado, o pedido foi feito pelo Brasil para obter ajuda nas investigações da Polícia Federal na “Operação Egypto”, um esquema que pode ter lesado milhares de pessoas em mais de R$ 1 bilhão. Embora a nota não informe o nome da empresa, trata-se da Indeal — suspeita de ser uma pirâmide financeira que prometia retorno fixos de 15% ao mês em um falso fundo de investimento com bitcoin.

Publicidade

O governo americano apreendeu as criptomoedas de Marcos Antonio Fagundes, acusado de lavagem de dinheiro, operar uma instituição financeira sem autorização, entre outros. Fagundes era um dos cabeças da Indeal e chegou a ficar alguns meses preso no Rio Grande do Sul em 2019.

Conforme a nota, os ativos virtuais estavam em uma corretora americana de criptomoedas que cooperou com as autoridades locais. Ação foi comandada pelo grupo de trabalho focado em criptoativos do FBI. O comunicado diz que o objetivo é preservar os fundos para “processos de confisco pendentes no Brasil para compensar os investidores vitimados neste esquema de investimento fraudulento”.

Fagundes chegou a ser preso pela polícia no início de 2019, mas em agosto do mesmo ano obteve um habeas corpus e foi solto junto com seu sócio no esquema, Ângelo Ventura da Silva. Na sentença consta que R$ 128.304.360,54 foram transacionados e enviados ao exterior sem qualquer declaração às autoridades brasileiras.

O que foi a Indeal

Em maio de 2019, a Polícia Federal (PF) deflagrou a “Operação Egypto”, que prendeu 19 pessoas envolvidas com a Indeal. Conforme as investigações, a empresa prometia retornos de 15% ao mês, mas fazia investimentos em fundos de renda fixa que, na época, rendiam aproximadamente 2%.

Publicidade

Contudo, o imenso fluxo de dinheiro de novos clientes ajudava a pagar os retornos aos investidores. Um levantamento da Receita Federal feito na época mostrou que uma das contas da empresa teria recebido créditos de mais de R$ 700 milhões entre agosto de 2018 e fevereiro de 2019.

Os sócios da instituição financeira clandestina apresentaram evolução patrimonial de grande vulto, que, em alguns casos, passou de menos de R$ 100 mil para dezenas de milhões de reais em cerca de um ano — caso de Marcos Antonio Fagundes.

Pelos dados da PF, 23.277 clientes foram lesados pela empresa. Esses investidores teriam injetado R$ 448.623.452,35 acreditando que a Indeal era, de fato, uma instituição financeira.

O fato é que se for considerada a remuneração contratada com os denunciados, o prejuízo dado aos investidores no total de R$1.194.872.954,30, conforme consta nos autos do processo na Justiça.

Publicidade
Dinheiro encontrado na casa de um dos sócios da empresa (Foto: Divulgação/PF)

Em nota enviada ao Portal do Bitcoin na época, o Ministério Público Federal (MPF) disse que o ressarcimento a clientes da Indeal a partir dos valores que foram bloqueados da empresa só deve acontecer após o final do processo. Porém, o cálculo é de que não havia dinheiro para todos:

A operação foi denominada Egypto pela similaridade dessa palavra com o termo “cripto” e pelo fato de que o negócio da empresa foi classificado por terceiros como de “pirâmide financeira”.

Não foi possível localizar e entrar em contato com Fagundes nem com os demais sócios da empresa. No momento, todos respondem ao crime em liberade.

VOCÊ PODE GOSTAR
Moeda prateada da Chainlink com reflexo em um fundo roxo

Chainlink sobe 18% ao lançar projeto piloto em Wall Street com JP Morgan, BNY Mellon e DTCC

A DTCC anunciou que acaba de concluir um projeto piloto de tokenização com gigantes de Wall Street, como JP Morgan e BNY Mellon, aproveitando o CCIP da Chainlink
Antônio Ais posa para foto ao lado de carro

Criador da Braiscompany, Antônio Neto Ais é solto na Argentina

O benefício de prisão domiciliar valerá até que o processo de extradição para Brasil seja resolvido
Imagem da matéria: Hacker da Gala Games devolve Ethereum após exploração de US$ 240 milhões

Hacker da Gala Games devolve Ethereum após exploração de US$ 240 milhões

Depois que 5 bilhões de tokens GALA foram cunhados e roubados na segunda-feira, a Gala Games recuperou parte dos fundos em ETH – e ainda está descobrindo o resto
Imagem da matéria: Há 2 anos, LUNA caia para zero; relembre um dos dias mais caóticos do mercado cripto

Há 2 anos, LUNA caia para zero; relembre um dos dias mais caóticos do mercado cripto

Em maio de 2022, o ecossistema da Terra (LUNA) entrou em uma “espiral da morte” que levou uma das criptomoedas consideradas mais promissoras daquele ano a cair para zero em 24 horas