Imagem da matéria: Ex-executivos de Tinder, Stripe e Instagram anunciam fundo de criptomoedas de US$ 50 milhões
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A indústria de criptoativos está explodindo mas, para muitas pessoas, usar ferramentas comuns, como carteiras de Finanças Descentralizadas (ou DeFi, na sigla em inglês) e tokens não fungíveis (ou NFTs) é uma experiência intimidadora e hostil.

É por isso que uma empresa de investimentos chamada Chapter One, que acabou de arrecadar um fundo de US$ 50 milhões, é de se prestar atenção.

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O fundo é liderado por ex-executivos do Tinder, Stripe e Instagram (três empresas conhecidas por seu excelente design) e seu objetivo é ajudar startups a preencherem a lacuna entre a chamada Web 2 (que oferece serviços de fácil uso, como Google e Facebook) e o emergente mundo da Web 3 (cujas aplicações são geralmente desajeitadas e difíceis de usar).

O desafio de design da Web e é evidente na carteira de criptomoedas de rápida evolução, Metamask, que possui uma interface rudimentar que deixa muitos usuários frustrados.

Em entrevista ao Decrypt, Jeff Morris Jr., cofundador da Chapter One, descreveu de forma diplomática a experiência da MetaMask como “não ideal” e sugeriu que plataformas Web 3, no geral, precisam se tornar mais fáceis de usar.

“Existem muitas coisas que funcionavam na Web 2 que podem ser incorporadas na Web 3”, afirmou Morris, que costumava ser vice-presidente de produtos no Tinder.

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A Chapter One já tem experiência no mundo dos criptoativos, usando um fundo anterior para investir em rodadas “seed” (para financiar empresas que estão na etapa inicial de operações) de mais de uma dúzia de startups, incluindo Compound e Dapper Labs, que evoluíram para se tornarem gigantes da indústria.

A empresa também fez apostas bem-sucedidas no programa de recompensas com bitcoin (BTC) Lolli e outras empresas que oferecem recursos com criptomoedas sem complexidades técnicas.

O novo fundo da Chapter One é apoiado por empresas de capital de risco (ou “venture capital”), como Sequoia e Lightspeed, e por grandes nomes do mundo blockchain, incluindo Chris Dixon, Marc Andreessen e Alexis Ohanian, fundador do Reddit.

O fundo irá focar na tese de tornar criptoativos acessíveis.

Na prática, inclui a alocação de US$ 10 milhões para projetos relacionados ao Ethereum Name Service (ou ENS), que tornam longas séries de caracteres usados para endereços de carteira em palavras simples, como “georgewashington.eth”.

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De acordo com Morris, a próxima fase dos criptoativos será marcada pelo desenvolvimento de uma “camada de identidade” que irá humanizar a tecnologia e torná-la mais pessoal.

Parte desse processo, afirma Morris, irá envolver projetos de financiamento que encontram formas de aliviar outros grandes obstáculos em tornar criptomoedas acessíveis: as altas e exageradas taxas de “gas” que acompanham muitas transações no blockchain Ethereum.

“A taxa média é US$ 40. Se você está desenvolvendo qualquer aplicação social ou de jogos, não faz sentido pedir que usuários paguem por essas taxas de gas, principalmente usuários que não investem em cripto. Nos tornamos passivos conforme aceitamos, sem pensar, essas taxas”, afirmou Morris.

Uma forma que a Chapter One espera solucionar o problema da taxa de gas é apoiando projetos no blockchain Solana, onde transações são muito mais baratas.

Um novo tipo de empresa de capital de risco

Lançada em 2017 com Morris como único investidor, Chapter One se expandiu para integrar Jason Marder, que atuou como líder de design na gigante empresa de pagamentos digitais Stripe, bem como Doug Dyer, ex-gerente de investimentos do Hospital da Criança do Texas.

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Recentemente, também acrescentou Menelaos Mazarakis, que trabalhou na iniciativa de criptoativos do Facebook conhecida como Novi na experiência de produto na subsidiária Instagram.

Chapter One possui uma visão (refletida, em parte, pela experiência com produtos de seus executivos) que a emergente indústria de criptoativos exige um tipo diferente de empresa de capital de risco do que as tradicionais que ajudaram a definir as duas últimas décadas do Vale do Silício.

No modelo tradicional, a maior coisa que uma empresa de capital de risco pode oferecer a uma startup em seu portfólio (além de dinheiro) é acesso a uma rede de outras empresas e executivos com bons contatos.

Essas conexões geralmente comprovam ser fundamentais para que uma empresa obtenha exposição ou encontre uma base de clientes para seus produtos.

No entanto, na crescente indústria de criptomoedas, Morris afirma que fundadores de projetos estão bem menos interessados no acesso ao Vale do Silício do que estão em receber orientações práticas e interativas.

Ele destaca o exemplo da gigante empresa de investimentos em criptoativos Paradigm, que rapidamente criou um conjunto de serviços para startups, variando de pesquisa a orientações sobre questões técnicas e jurídicas.

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Acolhendo essa tendência, a Chapter One pretende contratar pessoas que podem colaborar com as startups apoiadas, ajudando fundadores com problemas, como experiência de usuário (ou UX) e design.

Morris também acredita que padrões de financiamento são diferentes quando o assunto são startups no mundo cripto.

Em vez de realizar cinco ou seis rodadas em cada uma, conforme empresas de capital de risco disputam para serem a investidora dominante, Morris afirma que empresas cripto preferem poucas rodadas em que o dinheiro vem de um grupo amplo e difuso de investidores.

Isso se dá, em parte, porque empresas cripto geralmente emitem tokens a investidores que são bem mais líquidos do que as ações privadas no centro dos acordos tradicionais de capital de risco.

Mas Morris afirma que também é por conta do etos de descentralização das criptomoedas, que não aprovam que entidades únicas obtenham controle descomunal.

“A tabela de capitalização é estrutura de uma forma bem diferente. Fundadores em cripto preferem mais participantes, então, se você tiver uma participação maior de governança de uma empresa, algo deu errado”, afirmou.

Esse é um grande motivo pelo qual a Chapter One planeja focar em empresas cripto em estágio inicial, assinando cheques relativamente modestos de US$ 500 mil a US$ 2 milhões.

“Estamos começando pelos primeiros princípios do que um fundo de capital de risco pareceria se você estivesse desenvolvendo para a Web 3”, explicou Morris.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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