Imagem da matéria: "Criptomoedas podem ser as vilãs de uma nova crise financeira", diz ex-presidente do BC
Gustavo Loyola em imagem de arquivo de 2009. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil.

As criptomoedas podem ser as vilãs em uma nova crise no mercado financeiro, segundo Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central do Brasil. O economista comentou sobre criptoativos em um artigo publicado nesta terça-feira (15) no Valor Econômico, intitulado ‘Criptomoedas, a hora da verdade’.

“Entre os candidatos ao papel de vilão estão os chamados ‘criptoativos’, cujo mercado contabiliza algumas centenas de bilhões de prejuízos acumulados desde o final do ano passado”, disse Loyola, acrescentando: “E qualquer semelhança com a crise financeira de 2008/2009 não será mera coincidência”.

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Para o economista, os criptoativos — que segundo ele são chamados proposital e equivocadamente de criptomoedas — já tiveram seu período de mania, considerando sua leitura do livro ‘Manias, Panics, and Crashes: A History of Financial Crises’, de Charles P. Kindleberger, um historiador econômico americano.

“Os criptoativos tomaram conta do mercado financeiro, com ofertas de produtos cada vez mais mirabolantes e opacos”, disse Loyola. Para ele, dois pontos foram cruciais para a demanda pela nova classe de ativos: um longo período de taxas de juros negativas e a demora na regulação do setor.

Outro ponto, disse ele, foram as narrativas em meio a um “marketing competentes” de que o Bitcoin poderia substituir moedas fiduciárias, e portanto, não estar vinculado à “mão pesada, centralizada e autoritária do Estado”.

Contudo, disse o economista, “trata-se de uma visão libertária ingênua, “como se os Estados pudessem renunciar seu monopólio de emissão de moeda”. Para ele, acreditar que moedas emitidas por governos possam ser substituídas por criptoativos é desprezar a teoria economia e a história monetária  dos últimos séculos.

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Sem espaço para as criptomoedas no futuro: “A regulação tarda mas não falha”

O economista também acredita que um dos indícios de que os governos futuramente não deixarão espaço para as criptomoedas são suas recentes iniciativas generalizadas de moeda digital — as chamadas de Moeda Digital do Banco Central (CBDC na sigla em inglês). “Não haverá vácuo para as moedas digitais privadas se aproveitarem”, escreveu.

Fora isso, acrescenta Loyola, pesa em cima do setor de criptomedas, além da alta volatilidade de preço a falta de lastro, crimes praticados principalmente por hackers por conta da anonimidade de transações de bitcon, por exemplo, que facilita lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.

Criptomoedas vieram para ficar

Loyola termina o artigo de forma objetiva: “Os criptoativos vieram para ficar”, pois “não há como se colocar o gênio de volta para dentro da garrafa”. Ele concluiu:

“A recente forte correção de seus preços deve servir de alerta urgente para os reguladores, tendo em vista seu potencial risco sistêmico”.

Gustavo Loyola foi presidente do BC entre 1992 e 1993 e, novamente, entre 1995 e 1997.

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