Imagem da matéria: Conferência europeia debate melhorias no Bitcoin e tem distribuição de dinheiro da Venezuela
Jimmy Song durante a conferência Baltic Honey Badger (Foto: Reprodução/Youtube)

No último fim de semana, nos dias 14 e 15 de setembro, ocorreu a terceira edição da Baltic Honey Badger, conferência promovida pela exchange distribuída Hodl Hodl em Riga, a charmosa capital da Letônia.

A conferência é 100% focada em Bitcoin e, embora relativamente pequena, atraiu nomes importantes do ecossistema, como Jameson Lopp, Jimmy Song, Alex Hillebrand, WhalePanda, Ambroid, Jeremy Welch, Alena Vranova, os brasileiros Rodolfo Novak e Fernando Ulrich e os podcasters Peter Mccormack (MC do evento), Stephan Livera e Matt Odell, para citar só alguns.

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Na área de economia, a palestra do Matt Mezinkis começou debatendo a melhor maneira de entender e comparar o papel do Bitcoin na macroeconomia. A sua conclusão é que, caso o Bitcoin se tornasse a principal moeda internacional, poderia substituir uma boa parte da base monetária mundial, que gira em torno de 20 trilhões de dólares. Ou seja, como estamos com um market cap aproximado de 200 bilhões de dólares, há muito espaço ainda para crescer. 

E, de acordo com o Saifedean Ammous, não há muito o que os governos possam fazer para impedir esse crescimento. Ele apresentou a única hipótese que ele considera plausível: se os governos adotarem o padrão ouro como base das moedas governamentais e, com isso, criassem moedas muito mais confiáveis, a necessidade de se ter Bitcoin poderia se tornar pequena a ponto de torná-lo irrelevante. O que não seria um cenário de todo mal. 

Um ponto de foco no evento foi a privacidade e segurança física dos bitcoiners. Isso pode ser consequência do aumento recente do preço, da maior confiança dos presentes de que o bear market acabou ou está no fim e de tentativas governamentais de minar a privacidade do Bitcoin.

Foi acordado entre os participantes que fotos onde a face de pessoas aparecesse nitidamente não seriam publicadas online, novas hardware wallets foram apresentadas e maneiras de melhorar a segurança pessoal foram discutidas.

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Rodolfo Novak, brasileiro radicado no Canadá e criador do OpenDime e da carteira física ColdCard, apresentou a versão MK3 da sua hardware wallet. O processador e a capacidade de memória foram aprimorados para abrir caminho para técnicas avançadas como a geração de sementes particionadas via shamir secret sharing. A inicialização da carteira sem a necessidade de conexão a um computador, funções de multi assinatura e verificação de endereços de troco são outros pontos fortes apresentados.

O alemão Moritz von Wietersheim, que morou no Brasil na década de noventa, distribui notas de bolívares venezuelanos como maneira de chamar a atenção para a sua carteira eletrônica criada com seu CTO russo, Stepan Snigirev, que não estava lá.

Ainda com o nome provisório de Critpo Advance, a carteira chama a atenção por utilizar componentes eletrônicos de prateleira que podem ser comprados em qualquer lugar do mundo e conectados sem grandes esforços para realizar a assinatura de transações de bitcoin com o uso de códigos QR.

Tanto a Cripto Advance quanto a ColdCard tentaram puxar para si o título de carteira mais “airgapped” do mundo, ou seja, capaz de funcionar sem conexão a cabo ou por rede a um computador ligado à Internet.

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O último grande destaque foi para as propostas de expansão da capacidade do protocolo Bitcoin através de camadas adicionais. A mais conhecida é, certamente, o protocolo de micro-pagamentos da Lightning Network, representado, na conferência, por demos de games como uma versão de Mario Brothers em que cada moeda conquistada era imediatamente transformada em um satoshi na carteira do jogador. Além disso, projetos como OpenNode e BTCpay Server debateram a implementação do protocolo em seus gateways de pagamentos. 

Nessa área, quem chamou a atenção também foi o ambicioso projeto Pandora Core, que pretende trazer para o Bitcoin smart contracts mais complexos utilizando não só uma segunda, mas também uma terceira camada de protocolo aliadas a uma estrutura de teoria dos jogos fortemente estudada. O projeto, porém, ainda está em fase inicial e procura mais colaboradores. 

Em suma, a Baltic Honeybadger 2019 foi um evento bastante técnico, com muito foco no aprendizado e no Bitcoin e que trouxe sinais de que a criptomoeda e sua comunidade estão ressurgindo do último bear market mais fortes do que nunca. 

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