Ilustração de moeda gigante de Bitcoin observada por investidores e prestes a ser cortada ao meio
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A iminente chegada do próximo halving do Bitcoin na segunda quinzena de abril traz à tona questões mais filosóficas do ecossistema: como a rede irá se manter segura se em meros oitos anos o subsídio dos mineradores de Bitcoin, responsáveis por manter a segurança da maior criptomoeda do mundo, será menor que 1 BTC?

A cada quatro anos, o subsídio pago aos mineradores por bloco minerado diminui pela metade pelo halving, fenômeno previsto no cerne do sistema Bitcoin. Agora, a recompensa irá cair de 6,25 BTC para 3,125 BTC. Daqui oito anos, o prêmio será de 0,78125. Por volta de 2140, não haverá mais subsídio algum por bloco minerado. A partir deste ponto, a única remuneração dos mineradores virá exclusivamente das taxas de transação.

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O problema está relacionado ao seguinte cenário: com a redução das recompensas, é provável que menos pessoas se dediquem à mineração. No entanto, Satoshi Nakamoto considerou isso ao criar o Bitcoin, implementando um mecanismo que ajusta automaticamente a dificuldade de mineração da rede, garantindo o intervalo de dez minutos entre os blocos.

O ajuste na dificuldade de mineração é programado para acontecer na blockchain do Bitcoin a cada duas semanas, tornando mais fácil ou mais difícil minerar a criptomoeda de acordo com o número de mineradores trabalhando na rede.

Esse ajuste vai garantir no futuro que a atividade de mineração continue funcional, mesmo com um pequeno número de mineradores ativos. No entanto, um problema persiste: quanto menos poder computacional empregado no Bitcoin por mineradores, menos segura a rede se torna.

Porém, um movimento de saída dos mineradores por conta de recompensas menores é automaticamente acompanhado por outras ondas, explica Breno Brito, engenheiro de IA da empresa Spirit of Satoshi. 

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“É um equilíbrio dinâmico. Se cai o hashrate [poder de computação da rede], fica menos seguro, mas também fica mais lucrativo, o que vai incentivar outros mineradores a competir e a buscar maneiras ainda mais eficientes de minerar, voltando a trazer segurança para a rede”, diz.

Outro ponto levantado por Brito é que, nesse cenário de menor segurança momentânea, aqueles que poderiam atacar a rede são justamente os que saíram, devido à necessidade de maquinário e conhecimento altamente técnicos. No entanto, segundo ele, esses indivíduos não conseguiriam competir de forma lucrativa.

Esticando a hipótese, Brito afirma que a única forma de ataque seria se um Estado estivesse acumulando ASICs (máquinas de minerar Bitcoin) para quando essa queda teórica acontecesse. “Porém, dificilmente essa entidade conseguiria fazer um ataque surpresa, porque certamente o ecossistema perceberia esse aumento na produção de novas mineradoras”. 

Eficiência só irá aumentar, diz minerador 

Flávio Hernandez, chief business officer da Arthur Inc, descarta a possibilidade de queda na segurança da rede Bitcoin à medida que as recompensas dos mineradores diminuem devido ao halving: “A eficiência da rede sempre aumentará”.

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Segundo Hernandez, é mais uma questão de quais mineradores vão conseguir manter seus negócios economicamente viáveis. “Aqueles que têm o custo marginal de produção mais baixo sobreviverão. Por outro lado, os menos competitivos são expurgados. Talvez a melhor forma de responder não é falar sobre possível perda no poder computacional, mas sim que exista um aumento da eficiência no processamento, fazendo com que os menos eficientes se tornem inviáveis”.

Falando com a experiência de quem coloca a teoria na prática, Hernádez afirma: “Nós, mineradores, sabemos que a remuneração é estacionária e o retorno está muito mais atrelado ao custo de produção do que ao próprio preço do Bitcoin”. Ele explica que a Artur Inc é uma empresa de brasileiros, fundadas nos EUA e que hoje atua também no Brasil com mineração de Bitcoin, usando energia ociosa.

O executivo ressalta que o momento em que as taxas de transação se tornarão predominantes ainda está longe e seria um exercício de futurologia prever o que realmente acontecerá. “Há muitas variáveis que vão sair e entrar, criando assim um novo cenário. Porém, acredito muito nos protocolos de segunda camada como o principal pagador de taxas no futuro”, comenta.

Hernandez traz dados atuais para mostrar como o cenário da mineração é pujante: são 13 empresas listadas na Nasdaq exclusivamente atuando com mineração de bitcoin, com um valor de mercado somado próximo a US$ 20 bilhões. 

“Gigantes de infraestrutura e energia estão investindo bastante em nosso setor. Como exemplo, a BlackRock comunicou recentemente ser a segunda maior cotista em quatro destas empresas listadas na bolsa de Nova York. A adoção do Bitcoin é crescente, seu uso em protocolos de segunda camada, bem como sua entrada no mercado institucional com a aprovação recente dos ETFs”, afirma.

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Taxas mais altas são quase consenso 

Diante desse cenário de especulações sobre o futuro do Bitcoin, os especialistas parecem concordar em um ponto: haverá um aumento das taxas para transacionar na rede. Breno Brito afirma que “o que pode reduzir a segurança da rede é se as taxas deixarem de aumentar” e que todo mundo que pensou mais profundamente sobre a rede “chegou à conclusão de que lá na frente se vai pagar taxas muito altas”.

Seu raciocínio é acompanhado por Narcélio Filho, sócio da MiingMath, que diz imaginar que no futuro será muito mais caro usar a rede Bitcoin. “Quando criou o Bitcoin, Satoshi imaginou que o crescimento seria natural e as taxas substituiriam a recompensa. Se não substituírem, pode prejudicar a segurança”, afirma. 

Já Flávio Hernandez também reconhece ser provável que isso aconteça, mas que há soluções. “Acreditamos que as inovações tecnológicas, como as soluções de layer 2 (segunda camada) e outras melhorias de escalabilidade, têm o potencial de manter as taxas acessíveis e melhorar a eficiência da rede, reduzindo assim a pressão sobre os usuários para financiar a rede por meio de taxas altas”, conclui. 

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