Kaze Fuziyama
Kaze Fuziyama (ao centro) recebe homenagem na Câmara Municipal do Rio de Janeiro

O empresário do ramo de mineração de criptomoedas Carlos José Souza Fuziyama, de apelido ‘Kaze Fuziyama’, foi homenageado no último dia 12 de setembro, na Câmara Municipal do Rio, com a Honraria de Cruz ao Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek.

Fuziyama foi promotor de a D9 Club, pirâmide financeira que deixou um prejuízo de R$ 200 milhões para milhares de brasileiros. Ele também atuou para promover a One Thor Brasil, apontada pelo MP-MT em 2015 como tendo indícios de ser uma pirâmide financeira.

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O empresário também trabalhou com a Mining Express, mineradora de Ethereum fundada na Ucrânia em 2018 que prometia lucros diários. O dinheiro da empreitada supostamente veio de um lucro de US$ 50 milhões obtido por ele investindo em dogecoin e trabalhando com marketing multinível. 

“Ser homenageado em solo brasileiro não tem preço, ser reconhecido e destacado como um dos maiores investidores e empreendedorismo na Ásia”, escreveu Kaze no mesmo dia em sua conta no Instagram.

A entrega da Honraria foi feita por uma entidade não governamental voltada ao terceiro setor, o ‘Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo’ (Cicesp), com sede no centro da cidade de São Paulo.

O evento foi outorgado pela resolução 10.975/22, de autoria do vereador carioca Eliseu Kessler (PSD/RJ). De acordo com a Câmara do Rio, houve apenas a “cessão do espaço da Casa, solicitada pelo vereador.

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Conforme apurou a reportagem, a homenagem é feita de tempos em tempos por um braço da entidade, a Academia Brasileira de Honrarias ao Mérito (ABRAHM). Antes desse evento, o representante do Cicesp, Regino Barros, também foi homenageado pela Casa. Em 2020, Kessler usou a Moção 18.077/22 para atribuir a Barros, chamado de ‘Comendador’, o título de “Personalidade do Ano no Justo Exercício do Reconhecimento”.

O Portal do Bitcoin solicitou ao Cicesp informações sobre o evento do dia 12 de setembro, mas até o fechamento deste texto não houve retorno. Já Câmara Municipal do Rio de Janeiro, procurada sobre o assunto, enviou a seguinte nota:

“No dia 12 de Setembro foi entregue a Medalha Pedro Ernesto, homenagem da Câmara Municipal do Rio aprovada em plenário pelos vereadores, ao comendador Regino Barros, que é fundador do Cicesp, pelo vereador Eliseu Kessler. Na mesma sessão solene foram entregues condecorações do Cicesp a personalidades, homenagens que não são oficiais da Câmara do Rio nem foram aprovadas pelos parlamentares, ocorrendo apenas a cessão do espaço da Casa, solicitada pelo vereador”.

A reportagem também procurou Fuziyama para comentar a sua relação com as empresas D9 Club e One Thor. Sua assessoria afirmou que “o senhor CARLOS FUZIYAMA não possui qualquer relação com as empresas D9 CLUB e ONE THOR e, sobretudo, jamais teve seu nome vinculado a qualquer demanda judicial e extrajudicial. Esclarece ainda, que todas as suas atividades sempre foram desenvolvidas pautadas na lei, na ética e nos bons costumes”.

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Como foi a homenagem

O divulgador de pirâmides foi um dos últimos nomes a ser chamado por Barros, que comandou o evento do Cicesp como mestre de cerimônia. Antes de Fuziyama, por exemplo, um dos homenageados foi o ator Arthur Aguiar, campeão do Big Brother Brasil de 2022.

Outros famosos, como a dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, foram anunciados, mas não compareceram. Aguiar recebeu a homenagem “Personalidade do Ano na TV Brasileira”; Fuziyama, por “Personalidade do Ano no Empreendedorismo Internacional”.

Ao apresentar Fuziyama, o comendador sugeriu que ele havia deixado a Ucrânia com seus negócios de mineração e ido para Dubai por causa da guerra — a história, porém, é controversa, já que o empresário teve problemas com as autoridades ucranianas.

Ao receber a homenagem, Fuziyama tentou se esquivar do microfone, mas o mestre de cerimônia insistiu que falasse. Ele então agradeceu à iniciativa, os amigos e disse que não era “muito de falar”. Logo saiu do evento.

D9 Club e Mining Express

No passado, Fuziyama ajudou a propagar dois negócios controversos, sendo um supostamente fraudulento, a One Thor Brasil, e outro com indícios comprovados pela justiça de golpe de pirâmide, a D9 Club Empreendedores. Esta, que foi fundada por Danilo Santana — que atualmente leva vida de luxo em Dubai — deixou um prejuízo de R$ 200 milhões para milhares de brasileiros.

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A D9 Club é até hoje um dos golpes que usaram o bitcoin como isca mais lembrados no Brasil, pois o ‘Danilo Dubaiano’, que usa o sobrenome Santana nas redes sociais, está sempre em atividade na música, realizando shows, gravando clipes e fazendo festas com vários famosos brasileiros, como o Bruno, da dupla com Marrone.

Um vídeo antigo no Youtube mostra Fuziyama recebendo um ‘cheque’ de US$ 22 mil supostamente por sua atuação como divulgador na pirâmide.

Imagem no telão do evento da D9 Club, comandado por Danilo Santana (Reprodução/Youtube)

No caso da One Thor Brasil, em 2015, o Ministério Público do Mato Grosso apontou que o negócio tinha indícios de ser uma pirâmide financeira. No Reclame Aqui e em redes sociais também foram registrados diversos relatos sobre a falta de pagamento para os revendedores. A empresa atuava com diversos produtos, como colchões e celulares.

Pesa também sobre Fuziyama um processo administrativo aberto pela Comissão de Valores Mobiliários em 2020. No documento de número 19957.008995/2020-38, a CVM apura se a Mining Express, oferece contrato de investimento coletivo, produto de mercado financeiro que necessita de autorização ou dispensa da autarquia.

A Mining Express é uma mineradora de Ethereum que foi fundada em 2018 na Ucrânia pelo brasileiro. Em um vídeo publicado no YouTube no final de 2020, Fuziyama contou que montou a empresa, que promete lucros diários, depois de supostamente ganhar US$ 50 milhões investindo em Dogecoin (DOGE) e trabalhando com marketing multinível.

(Imagem: Reprodução/Facebook)

Sobre a ação da polícia contra a empresa na Ucrânia, um comunicado no site da Mining Express diz que tudo começou quando um de seus clientes passou a ser investigado por uma fraude financeira em um caso que não tinha a ver com a empresa. 

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No entanto, explica a nota, como ele tinha dinheiro investido na Mining Express, as autoridades assimilaram que poderia haver um conluio. “A ME notifica o público que não está envolvida no caso acima de forma alguma”, ressalta o texto.

Sobre o Cicesp

Segundo a entidade que promoveu a homenagem a Fuziyama, o Cicesp, a honraria é entregue a pessoas que se destacam por trabalhos e projetos sociais e também por trajetórias vitoriosas. Várias imagens na internet também sugerem que as homenagens são feitas em diversos lugares, inclusive no exterior, como ocorreu em Dubai, de acordo com uma publicação de Barros.

Em um publicação de 2014, o site R7 disse: “A academia é, digamos assim, uma entidade. Uma entidade mantenedora do Top Brasil e também de outras premiações honoríficas, entre elas a Soberana Ordem do Mérito Empreendedor Juscelino Kubistchek, fundada em 2002 ‘para celebrar o centenário desse grande empreendedor’, nas palavras de seu presidente, Regino Barros, o Comendador”.

No site do grupo não há informações sobre quem comanda a entidade, como diretores e funcionários. A presidência de Barros, contudo, também é mostrada no próprio certificado de honraria.

Sobre o último evento no Rio também não houve menção no site oficial ou na revista ‘Revista Network’ também da entidade, cujo site não está acessível.

Veja o vídeo do evento publicado no canal do Youtube de uma das homenageadas, Elainne Ourives — Kaze Fuziyama aparece em 2h4min.

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