Imagem de lente com a sigla ETF.
Fonte. Shutterstock

O Brasil é conhecido por ter um dos sistemas bancários mais robustos e eficientes do mundo. Nosso mercado de capitais também é referência internacional em tecnologia, segurança e qualidade regulatória.

Agora, o país aparece como um novo benchmark para os mercados mundiais. Desta vez, somos o celeiro de maior diversidade de ETFs de ativos digitais para investimentos no universo das criptomoedas, o que tem atraído cada vez mais investidores e revolucionado a circulação mundial de ativos e os investimentos ao redor do globo.

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Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos negociados em cotas, que reproduzem o comportamento de um conjunto de ativos ou de um índice, como o Ibovespa, por exemplo. Eles têm atraído muitos investidores por terem um conceito e aplicação simples.

Um ponto positivo dos ETFs é o fato de eles serem negociados em um ambiente regulado de Bolsa, no caso do Brasil, na B3, mesmo que, no caso das moedas digitais, elas sejam uma classe de ativos ainda não regulados. E isso na prática significa estar dentro de um ambiente com regras supervisionadas e consequentemente mais amigável para investidores acostumados a ativos tradicionais ou aos que querem se expor a ativos digitais dentro deste ambiente.

No mundo, até o momento, somente o Brasil, o Canadá e recentemente a Austrália têm ETFs de ativos digitais listados em bolsa. Nos Estados Unidos, a SEC ainda não permite a listagem. A alternativa encontrada foram produtos com exposição aos contratos de derivativos de Bitcoin negociados na Bolsa de Futuros de Chicago.

A Austrália autorizou somente em maio deste ano a criação desses produtos, quando a bolsa australiana passou a negociar três ETFs de ativos digitais. No Brasil, temos 10 ETFs listados enquanto o Canadá já ultrapassou esse número, mas há uma informação relevante na comparação. No Canadá todos os ETFs basicamente reproduzem o comportamento do Bitcoin e do Ether, e no Brasil, a diversidade é muito maior: são mais de 35 ativos digitais acessíveis indiretamente.

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O ETF Investo Metaverse ETF (NFTS11), por exemplo, tem como índice de referência o MVIS CryptoCompare Media & Entertainment Leaders, que possibilita exposição a oito ativos relacionados a games, metaverso e a recém criada ApeCoin.

Outro exemplo é o QR Capital DeFi ETF (QDFI11), o fundo tem como referência o índice Bloomberg Galaxy DeFi Index. A sigla DeFi em inglês se refere ao segmento de Finanças Descentralizadas, que engloba uma série de aplicações e protocolos que visam replicar serviços financeiros existentes através de blockchain e sem a necessidade de intermediários. Este ETF possibilita a exposição a 11 ativos, sendo os principais Uniswap, Aave e Maker DAO.

O Hashdex DeFI ETF (DEFI11) também acompanha a performance do mercado de DeFi e tem como referência o índice CF DeFi Composite Index – Modified Market Cap Weight. O fundo tem 12 ativos em sua composição, sendo os principais Ether, Uniswap e Curve.

Há ainda o Hashdex WEB3.0 ETF (WEB311). O fundo tem como referência o índice CF Smart Contract Platforms Index e possibilita a exposição do investidor ao crescimento do ecossistema de Plataformas de Smart Contracts.

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Os Smart Contracts utilizam a tecnologia blockchain, permitindo que acordos ocorram sem intermediação de qualquer instituição. Sua carteira tem o total de sete ativos digitais. Entre os mais conhecidos, Ether, Cardano e Solana.

O mais recente de todos os ETFs de ativos digitais é o Empiricus Teva Criptomoedas TOP20 (CRPT11), lançado em maio de 2022. O ETF tem como referência o índice Teva Criptomoedas Top20, que reflete a performance de 20 criptomoedas, com maior concentração em Bitcoin (BTC) e Ether (ETH). Esta é a primeira vez que um ETF de criptos usa um provedor de índice nacional, a Teva.

Para os investidores interessados somente nos ETFs referenciados nas principais moedas digitais como Bitcoin e Ether isso também é possível pelos ETFs Hashdex BItcoin ETF(BITH11), Hashdex Ethereum ETF(ETHE11), QR Capital Bitcoin ETF(QBTC11), ou pelo QR Capital Ethereum ETF(QETH11).

O número de investidores em ETFs de ativos digitais segue crescendo. A Bolsa brasileira fechou abril de 2022 com 243 mil investidores nos dez ETFs de criptomoedas, considerando que estes investidores podem ter investimentos em mais de um destes ETFs em suas carteiras, com um total de R$ 2,6 bilhões de recursos alocados nestes ativos. O volume médio diário negociado em 2022 (até o final de abril) estava em R$ 55,9 milhões, ante R$ 57,8 milhões em 2021.

O ETF mais popular de criptomoedas listado no Brasil, o Hashdex Nasdaq Crypto Index, (HASH11) está com 152 mil investidores. O fundo replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice que busca refletir globalmente o movimento do mercado de criptomoedas e é o primeiro no mundo a oferecer exposição a uma cesta de ativos digitais, um total de 10 ativos, sendo a maior parte de sua carteira composta por Bitcoin e Ether.

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Esse número ultrapassa os 121 mil investidores do BOVA11, tradicional ETF da B3, que segue o Índice Bovespa, o principal do País. E chega perto dos 179 mil investidores do IVVB11, ETF que segue o índice S&P500, que reúne as 500 maiores empresas de capital aberto nos EUA.

Outro fator que anima investidores é a taxa de administração dos ETFs de ativos digitais listados na B3. Elas variam de 0,7% a 1,3%, o que coloca o produto de uma forma bastante atrativa e competitiva.

Com isso, o mercado passa cada vez mais a ter tamanho por número de investidores e de usuários que promovem a utilização desta classe de ativos. O produto também tem sido utilizado por instituições que buscam de alguma forma ter exposição à variação de preço desses ativos, mesmo que ainda de forma experimental.

No entanto, há ainda certa dúvida por parte, principalmente dos investidores institucionais sobre como acessar ou oferecer a classe de ativos, sendo que esta ainda não possui regulação. A boa notícia é que no Brasil as iniciativas para que se construa uma regulação tem se acelerado nos últimos meses. Isso trará maior conforto para os todos os players, incluindo os institucionais.

Desse modo, por ter saído na frente, a tendência é que o País se consolide como um importante mercado desta classe de ativos e desenvolva cada vez mais produtos relacionados a este ecossistema, se mantendo como um benchmark internacional.

Sobre o autor

Guilherme Rebane é Head of Latam da OSL, plataforma de ativos digitais. Trabalhou em instituições financeiras como BTG Pactual e UBS e é especializado em desenvolvimento de negócios e produtos digitais para fintechs e bancos de investimento.

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