Bradesco, Santander, Itaú, Caixa Econômica e BTG se defendem de críticas na abertura do CIAB

Presidente da Caixa recorreu à Divina Comédia, poema do século XIV, para dizer que bancos lidam com uma imagem negativa histórica

Painel de abertura do CIAB Live. Da esq. para a direita, João Borges, Pedro Guimarães, Sérgio Rial, Roberto Sallouti, Lazzari e Bracher. (Foto: Reprodução/Noomis


O CIAB, considerado o maior evento de tecnologia bancária do Brasil, teve início na manhã desta terça-feira (23) com uma defesa das instituições bancárias do seu papel diante da crise gerada pelo novo coronavírus (Covid-19).

O evento, organizado pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), é mais um que teve de se adaptar aos tempos atuais e ocorrer inteiramente no ambiente online. Para tal, a edição deste ano foi rebatizada de CIAB Live e tem transmissão gratuita pela plataforma Noomis, ligada à Febraban.

O painel de abertura do CIAB, que vai até quinta-feira (25), contou com a participação dos CEOs Cândido Bracher (Itaú Unibanco), Octavio de Lazari Junior (Bradesco), Pedro Guimarães (Caixa Econômica Federal), Sérgio Rial (Santander Brasil) e Roberto Sallouti (BTG Pactual).

Antes do grupo, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, abriu os trabalhos e deu o tom do que veio a ser esse painel de abertura. “O sistema financeiro brasileiro está sólido e comprometido com a sociedade para preservar empregos e empresas”, disse.

O pacote de medidas anunciado pelo Banco Central em resposta à crise gerada pela pandemia soma ao menos R$ 1,2 trilhão em injeção de capital e de liquidez no mercado.

Os grandes bancos ficaram com a tarefa de serem os canais principais de escoamento desses recursos. No entanto, a dificuldade de certos setores — especialmente de pequenas e médias empresas — em acessar linhas de crédito têm motivado críticas ao setor.

Imagem histórica

A defesa dos bancos como saída para a crise e do reconhecimento desse papel pela sociedade foram levantados pelos executivos ao longo do painel.



“Teve uma série de iniciativas que os bancos tomaram para ajudar pessoas e empresas a atravessar esse período. Os bancos, muito longe de serem responsáveis pelo que aconteceu, são parte importante da solução”, disse Lazari, pelo Bradesco.

“Infelizmente sofremos com essa imagem histórica. Mas como setor temos muito o que mostrar”, afirmou Sallouti, do BTG Pactual, que ilustrou sua fala com uma alusão à Divina Comédia. O poema clássico de Dante Alighieri, publicado no começo do século XIV, já citava os bancos entre os que povoam uma das nove camadas do inferno.

Para Candido Bracher, do Itaú Unibanco, essa imagem negativa já tem sido desfeita junto ao público. “A sociedade percebeu que os bancos fazem muito por ela, mas temos muito o que fazer ainda”.

Inclusão tecnológica

Representando os bancos públicos no debate, Guimarães disse que a Caixa Econômica protagonizou uma verdadeira revolução digital com o aplicativo Caixa Tem para pagamento do auxílio emergencial — uma das principais respostas do governo federal contra a crise.

“Colocamos em pé um aplicativo em 4 dias e 42 milhões de pessoas se cadastraram [de início]. Conseguimos ao todo 121 milhões de contas digitais. Conseguimos uma revolução”, disse ele.

Os bancos são o segmento do setor privado que mais emprega recursos em tecnologia, de acordo com estudo recente publicado pela Febraban. Com orçamento total de R$ 24,6 bilhões em 2019, as grandes instituições financeiras ficam atrás somente do setor público nos gastos e investimentos em tecnologia.

Uma expertise que, nas palavras de Sérgio Rial, do Santander, precisa chegar nas pequenas e médias empresas, que encontram dificuldades para acessar linhas de crédito criadas em resposta à crise. Segundo ele, é tarefa também dos bancos permitir acesso tecnológico a tais negócios.

“Cabe aos bancos prototipar um canal digital para pequenas e médias empresa. É importante democratizar a tecnologia muito rapidamente nos próximos meses para essas empresas”.

PIX e Open Banking

Rial foi o único dos painelistas a citar o PIX e o Open Banking, dois dos principais assuntos do ano para o mercado financeiro nacional, ambos tocados pelo Banco Central. Apesar da pandemia, o cronograma de implantação de ambos têm sido mantido sem alterações pela autoridade monetária nacional.

O Open Banking corresponde a um conjunto de regras e tecnologias que permitem o compartilhamento — seguro, eficiente e mediante autorização prévia — de informações cadastrais e financeiras de pessoas e empresas. Já o PIX estabelece um sistema padrão de pagamentos instantâneos que tem como objetivo tornar uma transação financeira tão simples quanto o envio de uma mensagem de WhatsApp.

“Isso [PIX e Open Banking] traz mais competição, e também desafios tecnológicos adicionais aos que já temos e que nos demandam muito. Mas temos de nos preparar para o que está vindo e como um PIX, por exemplo, pode ajudar os brasileiros”, disse o executivo.

Na segunda-feira (22), durante a abertura do Fórum PI, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o PIX — o sistema de pagamentos instantâneos em desenvolvimento pela instituição — vai englobar também a possibilidade de saques por meio de lojas e outros atores varejistas.


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