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O Bitcoin chegou a um marco histórico nesta sexta-feira (01): 19 milhões de unidades foram mineradas desde que o sistema da criptomoeda mais importante do mundo começou a rodar em janeiro de 2009. Agora, restam somente 2 milhões de bitcoins para serem emitidos.

Mais de 90% de todo o fornecimento total do ativo — 21 milhões — estão no mercado. Os detentores variam: podem ser as mãos firmes de HODlers, nas wallets das exchanges e também perdidos e fora de circulação para sempre.

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Quando Satoshi Nakamoto começou a criar o bitcoin em 2008, ele programou o protocolo para que novos blocos fossem criados a cada dez minutos, recompensando o trabalho dos mineradores com unidades de bitcoin recém-criados.

Atualmente, cada bloco gera uma recompensa de 6,25 BTC, mas em 2024, essa recompensa caíra para metade no evento conhecido como halving

O fenômeno está marcado para acontecer no bloco 840.000, que deve ser minerado em 4 de maio de 2024, segundo estimativa do site bitcoinblockhalf. Quando esse dia chegar, as recompensas distribuídas para os mineradores que validam transações e adicionam blocos na blockchain cairá para 3,125 BTC.

O halving vai continuar acontecendo a cada quatro anos até que os 21 milhões de BTCs estejam em circulação. Quando isso acontecer, no ano de 2140, a rede para de emitir novas criptomoedas e o fornecimento do bitcoin ficará estagnado.  

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Um futuro escasso de bitcoin

Breno Brito, bitcoiner raiz e cientista de dados do Mercado Bitcoin, compartilhou a sua visão sobre o que o marco de 19 milhões de BTC minerados representa.

“Quando vemos esse número, fazemos a conta rápida de que 90% da oferta do bitcoin já foi minerada. Os próximos 118 anos serão de competição acirrada pelos últimos 10% de base monetária, e não há nada que ninguém possa fazer para emitir um satoshi a mais que seja”, disse ao Portal do Bitcoin.

Na visão do especialista, o impacto da emissão de moeda é simples para quem já aprendeu a regra mais elementar da economia: oferta e demanda. 

A oferta limitada do bitcoin, programada desde o momento em que a moeda começou a circular 13 anos atrás, é um dos fundamentos mais fortes do ativo e é o que lhe difere de qualquer outra reserva de valor, como o ouro.

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“Qualquer pessoa consegue saber com alta precisão as datas do fluxo de todos os novos bitcoins, até o último. Isso é impossível com ouro, qualquer outro ativo físico ou moeda fiduciária. Já a demanda, apesar dos altos e baixos de curto prazo, é claramente crescente no longo prazo”, projeta Brito.

Além disso, o bitcoin também atende outras necessidades do mundo real. Brito ilustra essa visão trazendo acontecimentos que se desenrolam ao redor do mundo:

“A população russa está sentindo na pele como é fácil ficar trancado do lado de fora da sua conta ao banco, impotente, sem acesso ao dinheiro que economizou a vida inteira. Já países como El Salvador se viram enrascados usando a moeda de outro país onde os políticos eleitos por outras pessoas resolveram mais do que duplicar a base monetária nos últimos anos. Para essas pessoas, o bitcoin é a única escapatória, e isso vai continuar a aumentar sua demanda até as outras pessoas precisarem aceitar”.

O que esperar do halving de 2024

O halving do bitcoin existe para garantir que a oferta da criptomoeda caia de forma gradativa com o passar dos anos. Assim como o evento de hoje, o halving coloca a escassez do bitcoin nos holofotes e, historicamente, é sucedido por ciclos de alta.

Para Brito, contudo, o amadurecimento do mercado com halving que está por vir pode ser diferente do que foi visto no passado, quando ainda havia muita desconfiança em torno da criptomoeda: 

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“Os players institucionais chegaram e estamos num ciclo diferente dos anteriores. Isso pode significar que eles já precifiquem esse e os próximos halvings previamente, fazendo a moeda ter um comportamento diferente dos ciclos passados. Só mesmo na hora que vamos descobrir se os ciclos do bitcoin realmente mudaram para sempre, ou se teremos um novo ciclo de alta parabólica como os anteriores”.

Ele acrescenta que no final, nada muda para o bitcoin. Blocos continuarão a ser adicionados na rede e, com o passar dos anos, a emissão da moeda vai cair cada vez mais até que o limite de 21 milhões de BTC seja atingido.

“Podemos especular que no ciclo de 2024-2028  o mercado vai estar mais amadurecido e provavelmente veremos Estados usando o bitcoin mais ativamente, ao invés de apenas El Salvador acumulando satoshis sozinho”, acredita.

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