Dedo indicador apoia bolo de dinheiro em forma digital
Foto: Shutterstock

O Banco Central detalhou nesta segunda-feira (10) como será o modelo econômico do Piloto do Real Digital, que já se iniciou e deve ser concluído até março do ano que vem. Como já foi dito anteriormente por membros da instituição, a simulação de uma compra e venda de um título público federal entre duas pessoas é o teste máximo. 

Mas alguns detalhes ainda não conhecidos das operações foram revelados por Marcus Sucupira, chefe-adjunto Departamento de Operações do Mercado Aberto, durante um workshop aberto sobre o Real Digital que ocorreu em Brasília. 

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Serão três produtos testados no piloto: a Central Bank Digital Currency (CBDC), o real tokenizado e o título público federal. De forma gradativa, cada uma adiciona uma maior camada de complexidade. 

“O interesse é que não seja difícil adicionar outros ativos nessa rede. Esse não é o escopo do Piloto, para deixar claro. Mas para destacar o potencial que tem por aí”, disse Sucupira. 

CBDC 

No caso do CBDC, o único emissor é o Banco Central e os únicos aptos a receber são os participantes do Sistema de Transferência de Reservas (STR). Uma instituição que tenha mil reais no STR, transfere para a carteira do BC e recebe de volta R$ 1 mil em CBDC — com o experimento sendo feito na Hyperledger Besu (que é uma Distributed Ledger Technology, um tipo de blockchain privada).

Se a instituição quiser de volta o dinheiro, envia de volta os CDBCs, que são queimados pelo BC — esse cenário de queima de tokens é muito comum no mercado de criptomoedas

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A tokenização permite um fracionamento. Ou seja, a entidade que recebe o CBDC pode enviar apenas uma fração para outra que também faça parte do STR. 

Real tokenizado

No caso do real tokenizado, o exemplo é quando um cliente de uma entidade quer enviar para outra pessoa atrelada a outra instituição. 

O primeiro passo é o remetente entregar o depósito tokenizado para sua entidade financeira, que irá destruir esse depósito. 

Título Público Nacional 

A carteira do Tesouro dentro da DLT cria o Título Público Nacional. É feito um leilão no mercado primário e a entidade vencedora, que faz parte do STR, entrega CBDC em troca do ativo. 

Na hora do resgate, a instituição entrega de volta o título para a carteira do Tesouro e recebe o CBDC do pagamento dos dividendos. O Tesouro, por sua vez, destrói o título 

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“A gente quer exercitar o mercado secundário: compra e venda de título público entre instituições”, afirmou Sucupira. “O título que nasce na carteira do tesouro, volta para ela e é destruído lá. Assim como já acontece na Selic”, complementa — a diferença é que tudo isso irá ocorrer em uma DLT. 

Cenário mais completo

O cenário mais completo do teste é a venda e compra entre pessoas físicas de um título público nacional. 

Neste caso, o comprador entrega um depósito tokenizado para a sua instituição. A entidade queima esses ativos e envia CBDC para o banco ou equivalente do vendedor do título. 

A instituição do vendedor criar real tokenizado do CBDC recebido e deposita real tokenizado na conta do vendedor. O último passo é o título ser transferido da carteira do vendedor para o comprador. 

Tudo isso é um smart contract: “Esses passos só acontecem ou todos juntos ou não acontece nada. Se não tiver CBDC suficiente, se o real tokenizado não for transferido, se qualquer etapa não puder ser atendida, nada acontece”, ressalta Sucupira. 

Segundo o executivo, “este é o cenário mais completo” que o BC vai operar nesse piloto o que “melhor ilustra o potencial que temos”.   

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Piloto do Real Digital vai usar Hyperledger Besu 

Como foi anunciado no começo de março, o piloto do Real Digital vai rodar na Hyperledger Besu, uma plataforma de Distributed Ledger Technology (DLT), um modelo que é parecido com uma rede blockchain.

A Hyperledger é um ambiente digital criada pela Linus Foundation em 2015. Nos últimos anos sua versão chamada Fabric vem sendo muito utilizada no mercado cripto, mas não é uma plataforma boa para criação de tokens.

Trata-se de uma Distributed Ledger Technology — mas que não é chamada de blockchain por alguns detalhes. Por exemplo, nessa tecnologia nem sempre existe um processo de mineração sustentando a rede, além de outros mecanismos presentes de redes públicas, como Bitcoin e Ethereum.

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