Auditora EY falhou em caso de fintech que desapareceu com US$ 3 bilhões

Auditoria EY falhou em caso de fintech que desapareceu com US$ 3 bilhões
Foto: Shutterstock


A empresa EY cometeu uma falha em mais três anos de auditoria numa suposta conta que a Wirecard mantinha  junto ao banco OCBC de Cingapura. A Fintech alemã sustentava que possuía até um bilhão de euros (US$ 2,94 bilhões) e a EY não descobriu que esse valor poderia não ter existido na época, conforme informações do Financial Times

O resultado é que a empresa está respondendo uma ação coletiva de investidores em Berlim. 

A questão é que recentemente a EY ao descobrir a falha se recusou a assinar as contas da empresa de 2019 e forçou o presidente da Wirecard, Markus Braun, a admitir que US$ 2,1 bilhões de caixa provavelmente não existiam. A crise na empresa ocorreria então sete dias após a este fato, segundo afirmou a Reuters

A empresa de contabilidade, que auditou a Wirecard por uma década, ficou mal vista depois que a fintech alemã de alto escalão entrou com pedido de insolvência na última semana, revelando que os 1,9 bilhão de euros provavelmente não existiam.

A empresa de auditoria, segundo o Financial Times, entre os anos de 2016 e 2018, não consultou diretamente o Banco OCBC de Cingapura para confirmar que o credor possuía grandes quantias em dinheiro em nome da Wirecard.

Erro de bilionário da EY

A EY, diferente disso, havia se baseado em documentos e capturas de tela fornecidos por um administrador externo e até mesmo por dados fornecidos pela própria Wirecard.

Caso a EY tivesse adotado o procedimento correto poderia ter descoberto a grande fraude no grupo de pagamentos alemão. O problema, porém só veio estourar quando a verdade veio à tona e se descobriu que a Wirecard poderia não possuir esse valor.



Na mesma matéria, consta que o banco não comentou com assunto. Porém outras pessoas foram ouvidas pelo Financial Times.

Um dos entrevistados que não teve a identidade revelada pelo jornal era alguém bem informado sobre a situação. Ele mencionou que o ex-administrador da Wirecard sequer tem uma conta de garantia no banco OCBC de Cingapura.

Banqueiros e auditores experientes criticaram duramente a atuação da EY. Um deles mencionou que se trataria de um erro primário, pois a obtenção de confirmação independente dos saldos bancários é algo básico.

Já outro, também ouvido pelo jornal londrino afirmou:

“A grande questão para mim é o que diabos a EY fez quando assinou as contas?”

Auditoria da EY revista

O mesmo jornal apontou que o trabalho da EY alemã está sendo revista por uma outra equipe de auditores. O fiscal alemão de contabilidade FREP estaria investigando o balanço da Wirecard e o órgão de supervisão de auditoria do país, o APAS, teria já iniciado a análise do trabalho da EY. 

A EY não falou sobre a investigação regulatória, segundo consta na matéria do jornal inglês. Ao invés disso, ela se limitou a dizer que “mesmo os procedimentos de auditoria mais robustos pode não descobrir esse tipo de fraude ”.

O erro está custando para a EY uma ação coletiva na Alemanha, apresentada por investidores da Wirecard. O advogado alemão, Wolfgang Schirp, que está trabalhando no caso contra a empresa de auditoria, também foi ouvido pelo jornal.

Em sua declaração, ele disse discordar do ponto de vista da EY de que não era algo possível de evitar.


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