Imagem da matéria: A caçada da Polícia Federal pelo milhares de BTCs que o Rei do Bitcoin diz ter
Claudio Oliveira. (Foto: Divulgação)

Um dos motivos que levou a Justiça do Paraná a aprovar a recuperação judicial do Grupo Bitcoin Banco em novembro de 2019 foi a apresentação de duas carteiras com 7 mil bitcoins (cerca de R$ 1,1 bilhão). Essas criptomoedas, de acordo com a Justiça, seriam usadas para ressarcir os 7 mil credores do negócio.

O problema é que até hoje a Polícia Federal do Paraná não sabe se esses ativos digitais realmente estavam com Claudio Oliveira — o falso Rei do Bitcoin e dono da empresa preso na semana passada — ou se tudo não passou de mais uma mentira dele, o que é mais provável.

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No material da investigação, que a reportagem do Portal do Bitcoin teve acesso, a corporação levantou duas hipóteses: “Ou Oliveira possui na verdade 14 mil BTC ou ele não possui nenhum BTC”.

Ainda segundo a PF, Oliveira também pode ter pesquisado um endereço qualquer com 7 mil criptomoedas e apresentado para administradora judicial e para a Justiça. Por desconhecerem o funcionamento da blockchain, todos acreditaram na palavra dele.

Vai e vem dos bitcoins

Para chegar a esses possíveis cenários, um agente da PF analisou as duas carteiras apresentadas pelo falso Rei do Bitcoin para a administradora judicial: a ‘1EWw4JK7Y47vXq4wnJMtkCGFnPB87KK4AA (chamada de Alfa 1 pela PF) e a ‘1mCEDxU5kVt7dH4UpEscRKBxWm84bcEbK’ (identificada como Alfa 2).

De acordo com a investigação, a origem dos 7 mil BTC da Alfa 1 na verdade é um endereço da plataforma Xapo.com, baseada em Hong Kong. Eles foram enviados de lá para a suposta carteira do Grupo Bitcoin Banco ainda em 2019.

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Em fevereiro de 2020, 5 mil BTC do total foram então transferidos para uma outra carteira na exchange Coinbase. O restante teve como destino um endereço na plataforma Bitgo. A PF pediu para as duas empresas informarem os proprietários das carteiras. Os nomes não foram divulgados no relatório.

Em maio de 2020, dentro do processo de recuperação judicial, Oliveira falou que passou a armazenar os supostos 7 mil bitcoins da Alfa 1 na wallet Alfa 2. Conforme a análise da polícia, no entanto, a Alfa 2 recebeu bitcoins da Xapo e da exchange Genesis Trading OTC entre julho de 2019 e maio de 2020, e não da Alfa 1. Em seguida, esses recursos foram transferidos para oito wallets diferentes.

Com toda esse vai e vem de recursos, a polícia concluiu que os recursos da Alfa 1 na verdade não são os mesmos da Alfa 2. Além disso, segundo a PF, existe uma grande possibilidade de esses endereços na verdade nem serem de Oliveira.

“No caso de Claudio Oliveira, as hipóteses sustentam que o mesmo, com o objetivo de induzir em erro juízo da recuperação judicial, bem como seus credores, pesquisou um endereço de wallet que possuísse à época em torno de 7.000 BTC. Da mesma forma que podemos fazê-lo acessando este endereço eletrônico”.

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“A partir das informações públicas que estão armazenadas na blockchain, identificou-se que Claudio Oliveira, de forma ardilosa e premeditada, induziu em erro todos os envolvidos no processo judicial de recuperação judicial ao qual o mesmo faz parte”, completou a análise.

Parte do estudo da PF

A queda do Rei do Bitcoin

Dois anos depois de lesar milhares de investidores e enganar a Justiça, Oliveira foi preso na semana passada em Curitiba (PR). Ele vai responder por estelionato, lavagem de capitais, organização criminosa, além de delitos contra a economia popular e o sistema financeiro nacional. Estima-se um prejuízo de R$ 1,5 bilhão.

Na operação que levou o falso Rei do Bitcoin para a prisão, a PF também apreendeu carros de luxo, joias e dinheiro escondido. Além disso, também determinou o sequestrou dos imóveis em nome do criminoso, que serão usados para ressarcir os investidores lesados.

Uma dessas casas é uma mansão localizada em uma chácara na região metropolitana de Curitiba. Segundo imobiliárias da região, a residência, que tem piscina aquecida e quarto blindado, está avaliada em US$ 6 milhões.

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