Imagem da matéria: Artista cria obras NFT que são impossíveis de idealizar no mundo físico
(Foto: Reprodução Daniel Arsham)

Daniel Arsham exibiu suas esculturas, pinturas e instalações experimentais em galerias e museus ao redor do mundo. Ele já se envolveu com arquitetura e moda, dirigiu filmes e colaborou com artistas e marcas, como Pharrell Williams, Dior, Pokémon e Porsche.

Além disso, ele é o diretor criativo do Cleveland Cavaliers da Liga Nacional de Basquete (ou NBA, na sigla em inglês) dos EUA.

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Dada a variedade de suas famosas obras, o artista multidisciplinar apenas aderiu ao conceito de lançar obras de arte via tokens não fungíveis (ou NFTs) quando percebeu que poderia fazer algo completamente diferente com o formato — algo que não seria possível de realizar com suas obras físicas.

“Apenas a ideia de que é possível possuir algo digitalmente — não era interessante o suficiente para que eu dissesse: ‘Ah, quero fazer parte disso’”, contou Arsham ao Decrypt. “Toda vez que eu entrar para um novo setor, quero ter certeza de que está proporcionando a mim e à minha audiência algo que não é possível [de ser proporcionado] em outro meio.”

Ele havia sido apresentado a NFTs em 2019 pelos irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, cofundadores da corretora cripto Gemini, quando visitaram o estúdio do artista em Nova York.

Os gêmeos haviam adquirido o mercado Nifty Gateway e estavam tentando convencer artistas convencionais a aderirem ao novo meio — um processo que depois foi descrito como uma “árdua batalha”.

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Arsham ficou sabendo dos CryptoPunks, as influentes fotos de perfil do Ethereum, e considerou a possibilidade de conectar NFTs a obras de arte físicas — mas nada havia feito sentido imediatamente.

Porém, um dos gêmeos havia dito algo que ficou na mente de Arsham: Ele podia criar obras de arte digitais que mudam gradualmente com o tempo.

“Nos meses seguintes, fiquei pensando sobre essa ideia: O que eu realmente poderia fazer com isso?”, disse o artista.

 

No futuro, essa inspiração resultou em “Eroding and Reforming” (ou “Deteriorando e se Regenerando”, em tradução lívre), uma série de esculturas digitais que Arsham lançou no Nifty Gateway em 2021.

Cada animação em 3D exibe uma escultura — um busto, corpo ou carro — que gradualmente se desgasta e desmorona ao longo do tempo antes de voltar à sua forma original. Algumas obras também mudam de acordo com as estações do mundo real.

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Agora, ele está reunindo elementos de suas antigas obras em NFT, desenvolvidas no Ethereum, para um lançamento final da série “Eroding and Performing” no Nifty Gateway, que será vendido no dia 30 de abril, com 30 novas composições inspiradas por famosos filmes de Hollywood.

E existe um benefício especial para colecionadores que completarem o conjunto completo.

A principal ambição de Arsham 

Assim como em algumas de suas exibições de artes físicas, as obras NFT de Arsham justapõem temas clássicos com elementos do entretenimento e da cultura pop.

Também brinca com o conceito de tempo de uma forma que suas obras físicas não conseguem brincar, com obras que mudam ou evoluem ao longo de um período fixo — o intervalo de um só dia, por exemplo, ou a duração de um longa-metragem.

Longas-metragens são o caso das quatro obras que compõem a venda final da série de Arsham.

Cada uma retrata um carro marcante de um filme popular, renderizado em diversos materiais digitais, que viaja por relevos diferentes. Cada NFT possui um ciclo de deterioração tanto para o carro como para detalhes no segundo plano (como estátuas) antes de começar a se regerar.

Imagem de um dos novos NFTs do artista (Imagem: Daniel Arsham)

Em uma composição NFT, o DeLorean, da saga “De Volta para o Futuro” — que foi reimaginado fisicamente em uma forma que se degrada —, foi moldado em pedra digital e é exibido passeando pela superfície vermelha e empoeirada de Marte.

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Outra obra NFT exibe a BMW E-30, do filme “Wall Street: Poder e Cobiça” (1997), levantando poeira pela Lua.

Os outros trabalhos mostram a Ferrari 250 GT California, do filme “Curtindo a Vida Adoidado” (1986), em uma selva, além de um Ford Mustang GT 1968, do filme “Bullitt” (1968), em uma estreita paisagem urbana sob chuva.

Arsham afirma que foi um “grande desafio” capturar a forma como esses carros devem ser e se mover ao serem criados com texturas incomuns e se deslocando por lugares, muitas vezes, inesperados.

“Quando você vê um carro se mover cinematograficamente por meio de um espaço, grande parte de sua interpretação da sensação correta é baseada em reflexos e coisas desse tipo”, explicou. “Mas esses carros parecem esculturas. Parecem que são feitos de pedra […]. É um processo bem divertido.”

Arsham com seu DeLorean fisicamente deteriorado (Imagem: Daniel Arsham)

Arsham afirma que, embora algumas pessoas possam pensar em NFTs como obras de artes simples e generativas — assim como muitos dos projetos estereotipados de fotos de perfil no mercado —, essas composições animadas demonstraram ser incrivelmente demoradas para que ele lidasse com todos os pequenos detalhes que tinha em mente.

“Criar essas obras é tão complexo para mim quanto criar uma mostra completa, como a quantidade de voltas que tive de dar para aperfeiçoar as coisas”, contou ele ao Decrypt.

“A forma como a luz incide nessa coisa, a velocidade… Literalmente a forma como a poeira cai na superfície da Lua — todas são aspectos fundamentais para que você consiga senti-las”.

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Arquitetando o metaverso

A venda final irá completar o conjunto de dez NFTs da série “Eroding and Reforming” no Nifty Gateway. Também existe um benefício para colecionadores devotos: o bônus de uma 11ª obra que só será distribuída àqueles que tiverem a coleção completa.

Arsham afirma que a obra bônus ainda não está finalizada, mas que será “algo bastante especial” e que “combina todas elas de uma forma que eu não acredito que as pessoas [perdem por esperar]”.

No futuro próximo, ele fará um “snapshot” (registro do estado da blockchain a uma altura específica de bloco) das carteiras dos holders para determinar quem irá receber a obra bônus, mas com uma antecedência suficiente para que fãs possam tentar preencher as lacunas ao adquirirem os NFTs restantes no mercado secundário.

Além de seu projeto NFT inicial, Arsham vai continuar interagindo com NFTs e o amplo setor Web 3.

Ele prevê o lançamento de seu próprio servidor privado (como no Discord) para alavancar sua comunidade de colecionadores digitais, mas também está empolgado com as possibilidades de criação para o futuro metaverso — principalmente devido à sua experiência com a arquitetura.

“Estou começando a ver coisas que não obedecem a gravidade, cuja escala é diferente, e a natureza pode operar de formas que não obedecem à lei da Terra”, explicou Arsham sobre criações imersivas no metaverso. “Acredito que grande parte disso será bem mágica.”

No mundo físico, Arsham busca formas de levar o toque digital às suas obras físicas. Para 2023, ele planeja realizar uma enorme mostra em um museu, onde pretende exibir a série completa das esculturas digitais “Eroding and Reforming” e também está pensando em como tornar interativa sua próxima arte NFT, possivelmente em ambos os planos.

“Acredito que as próximas [obras] podem ter mais a ver com a forma como interagimos com elas, no espaço de um metaverso ou, talvez, em um ambiente físico — como entram novamente no mundo físico”, afirmou Arsham.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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