Aceleradora WOW, que promoveu Atlas Quantum, tenta distanciar imagem da empresa após calote
No centro da foto: Rodrigo Marques, André Ghignatti e Bruno Oliva (Foto: Divulgação)

A aceleradora gaúcha WOW, primeira empresa a apostar na Atlas Quantum, agora busca se descolar da imagem da startup criada por Rodrigo Marques e Fabrício Sanfelice após ter tomado um calote.

Em uma nota publicada em seu site, a aceleradora diz que as empresas não se tornaram sócias e que não participou da gestão em qualquer momento. Além disso, disse não ter acesso às informações estratégicas ou operacionais.

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A declaração é estranha uma vez que Bruno Oliva Peroni, que é sócio da WOW, era diretor de relações com investidores da Atlas Quantum até setembro deste ano. Peroni se tornou um dos principais rostos da empresa ao lado da advogada Emília Campos.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, Rodrigo Marques, CEO da Atlas, disse que a WOW permanecia como sócia. A assessoria de imprensa da aceleradora negou: “A WOW nunca teve participação acionária ou societária na Atlas, assim como nunca participou de sua gestão”.

Na mesma nota, a aceleradora, que diz não ter fins lucrativos, afirma que não recebeu todo o valor relacionado à recompra dos 7,5% por parte da Atlas.

O valor total, de R$ 22,5 milhões, foi divulgado em maio para toda a imprensa brasileira em tom de celebração visto o valuation da Atlas foi calculado em R$ 300 milhões.

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Sobre esse valor, a empresa disse ao Portal do Bitcoin que nunca recebeu nenhum pagamento da Atlas ou de seus sócios: “A recompra do contrato de mútuo foi entre os anjos e a Atlas, a prazo, e o valor quase 10% do publicado. Portanto muito inferior. E foi parcialmente pago”.

Na época da recompra, o cenário era mais otimista. O CEO da WOW e vice-presidente da AssesproRS, André Ghignatti, disse então que a Atlas Quantum era uma empresa que desafiava os paradigmas e modelos vigentes e que a transação coroava o sucesso do projeto.

Em uma entrevista ao Cointelegrah, o executivo anunciou um fundo para startups de criptomoedas e blockchain em parceria com a Atlas.

“Queremos ser um ator importante no setor de criptomoedas e blockchain com essa parceria o Atlas”, afirmou.

Antes, a empolgação era visível. Em um vídeo postado no canal do Youtube da WOW, Ghignatti é questionado pelo entrevistador sobre os casos de sucesso da aceleradora. Ele responde:

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“A gente tem uma startup de criptomoedas que botamos R$ 150 mil e eles estão faturando 30 vezes isso por mês”.

Não se sabe quem foram os mentores que participaram da primeira fase de aceleração da Atlas. No site da WOW, já não é mais possível ver os nomes que participam do projeto — entre eles empresários conhecidos do Rio Grande do Sul. Até pelo menos março, porém, os nomes de todos os participantes estavam lá.

Em uma observação sobre o cenário de startups no Brasil, o sociólogo e fundador da Paradoxa, José Cesar Martins disse que esse tipo de acontecimento assusta investidores genuínos.

“A liquidez observada no Brasil para investimentos em startups não está acompanhada por um processo de escrutínio que proteja contra a fraude”, afirmou.

Crise na Atlas Quantum

Embora não esteja pagando os clientes, a Atlas comprou na semana passada a AnubisTrade, uma empresa que afirmava ter então 253 Bitcoin sob custódia. Após a venda a Anubis também começou a atrasar os pagamentos.

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A crise começou no 13 de agosto, quando a Atlas Quantum foi notificada pela CVM e proibida de ofertar os serviços de arbitragem. Desde então a empresa pagou alguns poucos clientes e vem criando diversas desculpas para não realizar os pagamentos.

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