Mão operando um hologrma
(Foto: Shutterstock)

Mais do que uma tendência no mercado financeiro, a tokenização de ativos reais é resultado da atual maturidade do ecossistema de inovação e do desenvolvimento das mais evoluídas tecnologias. O fundamento desse conceito se baseia numa série de fatores, como mentalidade de mercado voltado para colaboração, descentralização da informação e eliminação de intermediários de forma segura e transparente.

Mas, afinal, o que é um token? Na prática, nada mais é do que uma versão digital de um ativo real. Um exemplo cotidiano é o acesso às contas bancárias. O Itaú, por exemplo, possuía um cartão com inúmeras senhas; ao acessar a página do banco, solicitava a senha correspondente a um número específico.

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Esse cartão era físico. Depois, migraram para o iToken, versão digital do cartão físico, em que as senhas eram geradas de acordo com um protocolo e o número de série do aparelho atrelado ao CPF da pessoa.

Mas essa dinâmica pode ir bem além. Hoje, qualquer coisa pode ser tokenizada, na teoria. Qualquer ativo pode ter a sua versão digital. A questão é como será feito e para qual finalidade. Há empresas especializadas em realizar tokenização de pessoas, em que uma quantidade de tokens pode ser trocada por horas de entrevista e/ou conversa.

Esse tipo é chamado de utility token e tem validade apenas dentro da plataforma na qual foi criado. Além disso, dependendo do ativo a ser tokenizado, pode estar sujeito a regras de órgãos reguladores. Esse é um ponto relevante, pois é importante se atentar não só ao processo de tokenização, mas também ao ambiente em que estará inserido.

O ano de 2022 está sendo marcado por uma quantidade significativa de empresas que se denominam tokenizadoras. Companhias que dizem ser especialistas em transformar o seu ativo real em uma versão digital, mas muitas vezes podem não contar com validade jurídica. Qualquer um pode entrar em uma mainchain, criar um token e vendê-lo afirmando uma participação acionária, por exemplo. O que dá o respaldo legal é a documentação realizada antes da emissão do token, proporcionando assim os direitos cabíveis.

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Uma dúvida comum nesse universo é sobre segurança. O que diferencia um token de um security token? Enquanto tokens são versões digitais de ativos reais, o security vem de ativos securitizados. Lembrando que ativos são bens e direitos. Assim, podemos promover a securitização para que possam ser vendidos no mercado com ágio ou deságio, prevendo um retorno ao comprador.

Porém, nem sempre esses tokens estão livres para negociação em qualquer plataforma. Quando se trabalha com ativos securitizados, precisamos saber quem são os detentores para garantir os direitos correspondentes ao processo de tokenização. Há tokenizadoras que utilizam a mainchain para security tokens, mas esses ativos podem se perder e/ou serem queimados (enviados para carteiras erradas), podendo gerar um problema legal para a empresa e para a tokenizadora.

É sempre importante verificar não só a companhia que realizará o processo jurídico e de governança da tokenização, como também definir bem o ambiente no qual seu security token será negociado.

Precisamos entender que cada ativo conta com regras específicas e pode estar regido por órgãos reguladores distintos. Vemos empresas especializadas em tokenização de todos os ativos, de carro a ações, e realmente acreditamos que possuem o aparato jurídico e de governança para que esse security token tenha validade jurídica.

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Entretanto, será que dois ativos tão distintos e com necessidades diversas deveriam ser negociados no mesmo ambiente? Não acreditamos nisso e apostamos na experiência em nichos de mercado para que, assim, seja possível oferecer o melhor conjunto de ferramentas financeiras.

Enfim, as possibilidades são muitas. No país do futebol, já existem até mesmo times que estão aproveitando o engajamento da torcida para vender tokens que garantem participação na rentabilidade futura dos jogadores, ou mesmo comercializando seus fãs tokens, gerando uma nova fonte de receita para os clubes. O mais importante é estar sempre atento à credibilidade das empresas escolhidas e à capacidade de oferta de soluções realmente condizentes com suas necessidades e demandas.

Sobre os autores

Ana Debiazi é CEO da Leonora Ventures; Vinicius Giglio é CEO da KATE Capital

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