Imagem da matéria: Quais os sinais de que o Bitcoin se tornou um investimento de menor risco
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O Bitcoin atingiu, ao longo da última semana, novas altas históricas. O novo recorde de valorização foi de US$ 66.928, na quarta-feira, 20 de outubro. A nova cifra substituiu o recorde anterior, que havia sido de US$ 64.800, em 14 de abril deste ano. Essa sequência de altas de 2021 parece apontar para a manutenção de um trend de subida a nível de médio prazo, que se iniciou no ano de 2019.

A alta volatilidade tem sido uma realidade na vida dos investidores de criptomoedas desde o início da história das blockchains, em 2010. O mesmo também pode ser dito dos últimos três anos, durante os quais muitos acontecimentos internacionais tiveram influência sobre as cotações.

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Desde 2019, contudo, algo parece diferente: há sinais que apontam para o amadurecimento do ecossistema blockchain, maior aceitação pelo mercado e pela população, consolidação de políticas internacionais e redução do efeito de “medo” — e, portanto, do risco de investimento. 

A seguir, enumeramos alguns acontecimentos recentes que demonstram essa observação. Este artigo não deverá ser considerado como uma recomendação de investimento ou endosso à tomada de decisões.

Esta compilação de fatos deve ser tomada para efeito de informação, e qualquer decisão envolvendo investimentos pessoais deve ser sempre realizada com prudência e apoiada na leitura de várias fontes e pontos de vista diferentes. 

O posicionamento da China

Um dos fatores que mais repercutiu na história do Bitcoin (e das criptomoedas em geral) foi a evolução do posicionamento da China ao longo dos anos.

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No início da última década, o país rapidamente se tornou o centro mundial de desenvolvimento de tecnologia blockchain. Grandes investidores, corretoras e desenvolvedores da tecnologia se agruparam na China, corporações buscaram adotar criptomoedas como forma de pagamento, e até 70% das fazendas de mineração de Bitcoin já estiveram alojadas em território chinês.

Contudo, o posicionamento do governo — inicialmente neutro — se tornou gradativamente mais restritivo, culminando nas sanções severas de 2017 e 2018. As proibições impostas às corretoras e às transações cripto-cripto nacionais levaram à maior queda da história do Bitcoin, em 2018, a qual só começaria a ser revertida a partir de 2020.

O fenômeno foi economicamente catastrófico e fez o mundo inteiro duvidar do futuro e da sustentabilidade financeira das criptomoedas. Mas elas persistiram, e esse peso inegável exercido pela China, uma das mais poderosas economias do mundo, parece não existir mais.

Em 2021, a China voltou a estabelecer uma série de regulamentações e proibições severas, banindo as fazendas de Bitcoin e proibindo 100% das criptomoedas, corretoras e quaisquer atividades individuais relacionadas.

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Esses pronunciamentos, que são os mais severos já feitos pelo governo chinês, ocorreram entre abril e setembro. Houveram quedas e oscilações momentâneas na cotação das criptomoedas, mas os preços se recuperaram rapidamente, continuando em direção às máximas históricas do mês de outubro.

Especialistas concordam que o mercado não teme mais esse tipo de comportamento. E a própria observação pragmática da não-ocorrência de efeitos de queda (como a de 2018) contribui para fortalecer ainda mais a mentalidade criptoeconômica positiva, consolidar a confiança no ecossistema e diminuir o impacto de pronunciamentos futuros do tipo — sejam por parte da China ou de outros governos.

Caixas de Bitcoin no Walmart, ETFs de futuros de Bitcoin e outros feedbacks positivos

Ao passo que a China segue na sua cruzada contra as criptomoedas (possivelmente em busca de eliminar concorrências ao Yuan digital), muitas instituições e países navegam na direção contrária.

El Salvador se tornou, esse ano, o primeiro país a aprovar a utilização do Bitcoin como moeda de curso legal. Na Europa, Portugal, Suíça e Alemanha seguem como os países mais atrativos a criptoinvestidores, com tributação praticamente inexistente. Singapura vai além, com leis de incentivo às criptomoedas. O país asiático funciona como um centro regional para as fintechs.

Muitas corporações multinacionais também têm exercido influências positivas sobre a cotação do Bitcoin, ao se posicionarem a favor da utilização de criptomoedas como meio de pagamento.

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Gigantes como Tesla, Microsoft, Apple, Google, PayPal e Verifone foram alguns exemplos em 2021. Recentemente foi a vez da Walmart, a maior rede varejista do mundo. Em 21 de outubro, a Walmart anunciou o lançamento de um programa piloto, através do qual seus clientes poderão comprar Bitcoin em caixas eletrônicos de algumas de suas lojas nos EUA. A empresa anunciou que está desenvolvendo uma estratégia para levar adiante a implementação de criptomoedas em seu sistema corporativo.

Neste mês tivemos também a primeira empresa a lançar um ETF de futuros de Bitcoin na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), a ProShares. ETFs são “fundos negociados em bolsa”, ou “fundos de índice”, no Brasil.

O lançamento da nova modalidade de investimentos em criptos foi considerado um sucesso, e contribuiu para a disparada do preço do Bitcoin nessa última semana. Desde então, outras duas gestoras de ativos também obtiveram aprovações similares da Comissão de Valores Mobiliários e de Câmbio dos EUA (SEC), Valkyrie e VanEck.

Conclusão

Ações restritivas, que outrora impactavam fortemente o mercado, não demonstram mais ter efeitos significativos. É o caso das sanções chinesas ao longo do ano, em especial a proibição total de criptomoedas em setembro. Por outro lado, cresce a aceitação do mercado para utilização do Bitcoin e de outras criptomoedas como forma de pagamento ou canal de investimentos.

Essas ações positivas, como o lançamento de ETFs de Bitcoin na NYSE e de caixas eletrônicos de Bitcoin no Walmart, demonstram grande efeito favorável à cotação do Bitcoin. A combinação desses fatores, observados em 2021, aponta para uma maior estabilidade e maturidade do setor criptofinanceiro, com menores riscos de investimento.

Sobre o autor

Fares Alkudmani é formado em Administração pela Universidade Tishreen, na Síria, com MBA pela Edinburgh Business School, da Escócia. Naturalizado Brasileiro. É fundador da empresa Growth.Lat e do projeto Growth Token.

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