Imagem da matéria: Por que os projetos de stablecoin em Real não decolam no Brasil?
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Os projetos de stablecoins lastreadas em Real não são novos, mas não possuem grande representação no mercado brasileiro e as maiores exchanges do país não vislumbram listá-las. Como se esses problemas por si só não bastassem, o Pix (novo sistema de pagamento) instituído pelo Banco Central trouxe facilidades que podem afetar a usabilidade da tecnologia.

Uns dos primeiros projetos foi o RealT. Essa stablecoin nacional, emitida na rede Ethereum, buscava reduzir a dependência com os bancos e já tinha em torno de 500 mil unidades de tokens emitidos — mas foi descontinuado.

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Allex Ferreira, conhecido no mercado como Barão do Bitcoin e criador do RealT, afirmou que a ideia por trás de uma stablecoin é algo fantástico mas na prática o que se tem é gasto de tempo, dinheiro e a certeza de que é algo ainda sem vendabilidade.

“O usuário quer saber se a stablecoin vai conseguir dar liquidez ou não. Se vai ser usada ou não. O que importa é se é algo vendável em que se possa fazer trade e se tem volume, caso contrário será uma ferramenta que presta para nada”, disse ao Portal do Bitcoin.

Stablecoins em Real

Ele mencionou que o USDT (Tether) já faz muito bem o papel como uma stablecoin no mundo e que criar uma criptomoeda lastreada em Real seria uma perda de tempo pois se trata de uma moeda que não é forte como o euro ou o dólar. 

Os fundadores das stablecoins CBRL (CriptoBRL) e BRZ (Brazilian Digital Token) discordam.

De acordo com Ney Pimenta, Ceo da Bitpreço e na CBRL, uma stabelcoin lastraeda em Real pode proteger o investidor das oscilações do preço do dólar independente de a moeda brasileira não ser uma moeda forte.

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“Nas oscilações pode ser muito interessante fazer hedge em Reais, quando o dólar cair e depois voltar para o dólar”.

Thiago César, Ceo da BRZ token, concorda: “A ideia não é de investimento necessariamente. Serve também para facilitar a vida de quem quer fazer trading no Brasil”.

“Ela possibilita travar ganhos em Real e dar acesso para plataformas internacionais trabalharem com a moeda brasileira”, diz.

César apontou que sem uma stablecoin em Real, o usuáro brasileiro que quisesse operar numa plataforma estrangeira diretamente no Brasil não conseguiria e teria de comprar Bitcoin numa corretora local para depois enviar para uma exchange no exterior.

O motivo, segundo César, é porque “as empresas estrangeiras têm muita dificuldade em abrir contas em Reais no Brasil e sem uma stablecoin em Real sempre haverá no meio uma corretora brasileira para as operações entre os usuários e as plataformas internacionais”.  

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Sem apelo no mercado

O problema é que, conforme aponta Allex Ribeiro, não há praticidade quanto a liquidez dessas stablecoins, uma vez que elas teriam de estar listadas em todas as exchanges nacionais. Ele, porém, afirmou que pode ser algo a ser implementado no futuro.

Fabrício Tota, Diretor Comercial do Mercado Bitcoin, a maior do mercado brasileiro, afirmou que a corretora não vislumbra ainda a ideia de listar qualquer stablecoin lastreada em Real.

“Ainda não encontramos um projeto de stablecoin lastreada em reais que tenha feito nosso olho brilhar. Acompanhamos com atenção e entusiasmo as diversas iniciativas, porém não estamos nos movendo nessa direção no curtíssimo prazo”.

Pix, o desafio

A Foxbit, que já vinha testando o uso da BRZ na sua OTC, irá também agir com cautela. Segundo João Canhada, CEO da Foxbit, apesar de esse ativo não ser lastreado numa moeda forte há atrativos para o mercado que merecem atenção:

“Liberdade para operar 24/7 e executar trocas sem depender de conta bancária, bancos, limites ou quaisquer outras regras impostas ao sistema financeiro tradicional, inclusive permitindo armazenar reais sem ter domicílio bancário nacional, permitindo arbitragens entre exchanges do mundo todo de forma muito mais fluida e facilitada”.

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Ele, porém, chamou a atenção para o atual cenário que não parece ainda estar muito favorável para as stablecoins lastreadas em Real, já que o advento do Pix que promete resolver problemas gerado pelos bancos, com todas suas dificuldades de horários e limites. Isso a princípio vai beneficiar o mercado imediatamente, mas pode retirar parte da necessidade de se ter uma stablecoin na moeda nacional.

Negócio arriscado

Na mesma linha, Daniel Coquieri, COO da BitcoinTrade, acredita que o Pix vai suprimir “a necessidade de velocidade e simplicidade na hora de transferir reais de um lado para o outro, acabou diminuindo o chamariz da moeda”. 

Na visão dele, a facilidade de transferir dinheiro, sem necessidade de passar pelo banco, pagar TEDs, DOCs, tarifas caras, no formato 24h por 7 dias já é oferecida pelo novo formato de pagamento instantâneo do Banco Central.

Coquieri disse que tem monitorado todos os projetos, mas não está seguro o suficiente para incluir ainda qualquer stablecoin em Real na Bitcointrade. Ele mencionou que o mercado não possui ainda grande interesse nesse ativo, mas o perigo é a insegurança jurídica de listar algo que não se conhece.

“O maior risco de uma stablecoin, seja ela qual for é a questão da segurança jurídica e no token que você está listando. E no Brasil, por conta do histórico do mercado de fraudes e golpes, temos este risco dobrado, o que nos traz a necessidade de ter um cuidado maior para não colocar nossos clientes em risco”.

Garantia das Stablecoins

Segundo o criador da BRZ, a sua stablecoin tem estabilidade mantida por reservas maiores ou iguais  ao número de tokens em circulação e a empresa que dá o aval a isso é a Transfero. Ele mencionou que em breve irá apresentar uma prova de fundos que a empresa diz ter.

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“Demonstraremos o valor em reserva e isso será verificado por escritórios de advocacia e firma de contabilidade. E, mensalmente, publicaremos essa prova de fundos”.

Já o responsável pela CBRL resolveu fazer uma auditoria com pessoas do próprio mercado brasileiro — dentre elas o youtuber Vô Epaminondas. O fato é que nenhum dos auditores detém expertise contábil, o que segundo Pimenta não afeta a confiabilidade na stablecoin, pelo fato de essas pessoas terem adquirido parte dos tokens emitidos.

Conforme a auditoria, foram emitidos 1 bilhão de tokens da CBRL e destes, 1,51 milhão estariam em circulação. A maior parte dos tokens em circulação se encontra no Brasil na empresa de pagamento Alterbank e apenas 190 mil nas exchanges estrangeiras.

Apesar de o Mercado Bitcoin, Foxbit e a Bitcointrade não terem listado as stablecoins em Real, tanto a CBRL quanto a BRZ podem ser encontradas em algumas corretoras brasileiras.

A CBRL está listada nas corretoras brasileiras Bitpreço e na BitRecife e pode ser usada pela empresa de pagamento Alterbank. Já a BRZ pode ser encontrada nas corretoras NovaDax, Profitfy, BitRecife e BitPreço.

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