Opinião: A Empiricus nunca irá descobrir o novo Bitcoin

Gurus de mercado sabem como cantar vitórias e apagar as derrotas
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Toda semana surge algum “expert” afirmando que determinada shitcoin vai substituir o Bitcoin. O discurso é sempre o mesmo: limitações da moeda 1.0, 2.0, que determinado projeto vai resolver.

É possível acabar com o gargalo da Ethereum, reduzindo o custo de transações e acabando com o problema do tamanho do banco de dados? Sim.

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Como assim? Existe um projeto rápido, seguro e barato?

Sim, chama-se Amazon Web Services (AWS). É possível inclusive utilizar a tecnologia de validadores independentes que depositam valores para assegurar sua honestidade. A solução pode contar com criptografia, e qualquer usuário pode manter uma cópia do registro, de forma independente, se assim desejar.

Ficou triste? Achou que havia uma mágica para resolver o trilema da escalabilidade (segurança — velocidade — independência)? Pois é, não há milagre. Para ganhar em velocidade e segurança, abre-se mão da independência, isto é, da descentralização.

Solana e Cardano podem “melhorar” o Ethereum?

Sem dúvidas, é possível aumentar a escalabilidade, com um nível semelhante de segurança, porém abrindo mão da independência. Isso ocorre tanto pela necessidade de abandonar a mineração tradicional, quanto pela crescente dificuldade de usuários comuns, rodando o software em um equipamento doméstico, de acompanhar e validar individualmente todas as transações.

Existem centenas de “malabarismos” para evitar que agentes maliciosos se tornem validadores e passem a privilegiar ou censurar transações; no entanto, o modelo cria uma brecha para ataques. Nenhum sistema é perfeito, porém a tendência é que o grupo de validadores concentre-se nos grandes detentores de moedas, que inclui exchanges, fundos e intermediários.

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A mineração do Bitcoin é ineficiente?

Sim, mas o sistema foi desenhado para isso. A prova de trabalho foi criada para tirar incentivos do spam nos e-mails. O gasto computacional, e energético, é proposital. Não há como garantir que o staker, que depositou garantias para atuar como validador, está “alinhado” com os interesses dos demais.

No Bitcoin, mesmo que grande parte dos mineradores apoiem uma mudança, são os usuários que ditam se vão ou não atualizar o software. Isso já ocorreu em 2015-2017 com o movimento NO2X, que se opôs ao aumento do tamanho do bloco, privilegiando o desenvolvimento da segunda camada.

Mas o André Franco já acertou o call de…

Não tenho nada contra o André Franco. Pelo contrário, ele estuda muito. No entanto, a jogada da Empiricus é puramente estatística. Se você escolher 50 shitcoins ao longo do ano, é bem provável que 10 dêem um salto absurdo. Basta marketear as campeãs e ignorar o retorno da carteira ante o benchmark, no caso, o Bitcoin.

Quanto ao argumento do “stop loss”, se você seguir a mesma regra, e eliminar os casos dentre as 10 campeãs, o resultado tende a piorar. Não acredita? Teste você mesmo escolhendo 4 shitcoins todo mês e acompanhe por um ano.

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Sobre o autor

Marcel Pechman atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Em 2017, se tornou trader e analista de criptomoedas. Maximalista convicto, assina também o canal no Youtube RadarBTC.