Imagem da matéria: NFTs da TIME mostram lenda da mídia se reinventando na era digital
Foto: Reprodução

Quando o mercado de tokens não fungíveis (ou NFTs, na sigla em inglês) explodiu em março e popularizou a Web 3.0, uma revista impressa e organização de notícias com 98 anos de existência gerou uma das manchetes mais surpreendentes do setor.

A TIME lançou NFTs desenvolvidos na Ethereum com base em suas capas icônicas com bordas vermelhas e gerou US$ 446 mil em ether (ETH) no processo.

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Unir a revista quase centenária ao mundo cripto “não foi planejada” por muito tempo, afirmou Keith Grossman, presidente da TIME, ao Decrypt. Na verdade, a venda de NFTs foi organizada durante algumas semanas.

Grossman afirmou que havia visto o potencial de entrada ao mercado NFT após a venda do clássico meme Nyan Cat como um NFT em fevereiro.

“Existe esse grande filósofo, chamado Mike Tyson, que uma vez disse que todo mundo tem um plano até você levar um murro na boca”, afirmou Grossman.

Nesse caso, o crescente mercado NFT e os evolutivos casos de uso para a tecnologia blockchain foram uma explosão impressionante que mudou o curso do caminho da TIME. “Naquele momento, olhei e tudo fez sentido para mim”, acrescentou.

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Lançar capas de revista como NFTs (assim como Fortune, Rolling Stone, The Economist e Vogue fizeram em seguida) foi apenas a pontinha da aventura da TIME na Web 3.0.

Em uma questão de semanas, a revista acrescentou pagamentos com criptomoedas para suas assinaturas digitais e firmou uma parceria com a Grayscale para produzir conteúdo educacional sobre criptoativos. TIME foi paga em bitcoin (BTC) por esse acordo e ainda o possui em seu balanço patrimonial.

Mas Grossman não queria apenas comprar cripto e vender NFTs. Ele estava buscando uma forma de integrar a tecnologia dos NFTs e da Web 3.0 para “mudar a relação que temos com clientes”.

Dada a rapidez com que a TIME entrou para o setor e o ritmo frenético que a indústria muda, Grossman admitiu que “não sabia como isso seria” na época. Então, recorreu à comunidade cripto para obter orientações.

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“Passei uns bons seis meses apenas ouvindo [especialistas] no Clubhouse e no Spaces [do Twitter] e falando com pessoas bem influentes e bem-sucedidas no setor – que sabiam bem mais do que eu sobro como eu deveria pensar em nossa marca”, explicou.

Isso resultou em TIMEPieces, uma coleção de NFTs desenvolvida na Ethereum que não apenas dá destaque a inúmeros artistas da indústria cripto (incluindo a artista-residente Nyla Hayes, de 12 anos), mas também fornece aos detentores acesso ao conteúdo exclusivo da TIME.

Lançada em setembro, une ativos da Web 3.0 com o que Grossman descreve como “acesso contínuo” e utilidade a uma interface familiar da Web 2.0.

Em novembro, a TIME começou suas iniciativas no metaverso em parceria com a Galaxy Digital, incluindo uma newsletter, conteúdo educacional e uma categoria do metaverso patrocinada de 100 Empresas da TIME.

A revista recebeu em ether (ETH) pelo acordo e irá armazená-lo. O aspecto educacional sugere o tipo de influência que a TIME quer ter para atrair novos investidores.

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“Levamos isso realmente a sério”, afirmou Grossman. “Estamos por aí há 98 anos e nosso objetivo é estarmos por mais 98 anos, se não mais.”

O futuro com a TIME

Muitos observadores estranharam que uma revista tradicional de 98 anos entrou para o bonde dos NFTs. A TIME era uma forasteira em cripto.

Os NFTs eram uma tentativa desperada de ganhar dinheiro? Alguns pensaram isso. Mas Grossman tentou tirar a imagem de enfadonha e antiquada da revista desde que se tornou presidente em 2019.

Em 2020, ele contou ao Digiday que a TIME sofreu “10 anos de negligência” por conta de má gestão e transições de governança e que ele estava disposto a atingir uma nova geração de leitores.

Segundo Grossman, ele tem sido o eixo entre tecnologia e imprensa. Na Wired, ele ajudou a lançar a primeira edição em iPad da revista de tecnologia, que o finado CEO da Apple Steve Jobs, tomou como um exemplo correto de leitura via tablet.

Ele também ajudou a desenvolver a tecnologia de anúncios vencedora de prêmios Ars Technica e lançou a plataforma de streaming de notícias Quicktake, da Bloomberg.

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Além disso, Grossman é acredita piamente na tecnologia Web 3.0 e na comunidade que foi formada no entorno.

Ele está sempre presente no Twitter, criando bate-papos no Space para discutir novas coleções de NFTs e tendências, compartilhando artes da TIME e mandando “gm” (ou “Good Morning”, ou “bom dia”, em português) para seus mais de 29 mil seguidores. (E, sim, ele possui um nome .eth de domínio da ENS.)

“Este momento – que estamos migrando de inquilinos on-line para proprietários on-line – pode ser mesmo um dos momentos mais transformadores de nossas vidas, certo?

Porque já estamos on-line”, disse. “Essa noção de que podemos estar on-line e sermos proprietários é absolutamente alucinante e essa evolução da Web 3.0 da internet, junto com as finanças, para mim, é incrível.”

Grossman também se conectou com criadores e colecionadores pelo setor NFT. Ele acredita que “a melhor criatividade e algumas das melhores IPs [propriedades intelectuais] estão sendo desenvolvidas atualmente nesse setor”.

Recentemente, a TIME anunciou planos de criar uma série de desenhos infantis para NFTs Robotos e, anteriormente, havia colaborado com os Cool Cats.

Ele afirmou que a comunidade cripto e NFT tem sido muito generosa com seu tempo e energia para ajudar a TIME a dar seu salto na Web 3.0. Um membro da comunidade, segundo ele, criou um servidor no Discord para TIMEPieces e o enviou a ele, pedindo por nada em troca.

Agora, Grossman e TIME estão tentando retribuir essa generosidade à comunidade, seja por meio da apresentação de promissores criadores, doando uma parte das vendas de NFTs para a caridade ou até mesmo dividindo metade de todas as receitas restantes por NFTs com artistas.

“Foi realmente importante para toda a organização TIME que, ao começarmos do zero, fizéssemos da forma certa”, afirmou Grossman.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização de Decrypt.co.

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