Closem em mãos de um homem que usa algemas
(Foto: Shutterstock)

O mercado de criptomoedas segue no vermelho nesta quarta-feira (14) após o choque causado pelos números da inflação nos EUA, que não dão sinais de alívio. As bolsas europeias e índices futuros americanos desaceleram as perdas, com investidores agora analisando os próximos passos. Mas o BTC continua em queda livre, com baixa de 9,3% e negociado a US$ 20.345,20 nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.  

Em reais, o Bitcoin recua 6,8%, cotado a R$ 106.138,25, mostra o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).   

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Às vésperas da Fusão de sua blockchain, o Ethereum (ETH) tem baixa de 7,1%, para US$ 1.601,30. 

As altcoins mais negociadas também operam com fortes perdas, entre elas Binance Coin (-4,4%), XRP (-4,8%), Cardano (-6%), Solana (-13%), Polkadot (-6,2%), Dogecoin (-4,7%), Shiba Inu (-4,8%), Polygon (-7,5%) e Alavanche (-11,1%).  

Bitcoin hoje 

O relatório de inflação ao consumidor dos EUA divulgado na terça-feira (13) jogou um balde de água fria em Wall Street e no mercado de criptomoedas. A marca anual veio abaixo do número de julho – desacelerou de 8,5% para 8,3% – mas o índice mensal subiu 0,1%, enquanto economistas apostavam em queda. Esses dados reverteram as previsões de um aumento mais brando dos juros pelo banco central americano e de um alívio do aperto monetário em breve. 

Charlie McElligott, estrategista macro de ativos cruzados da Nomura Securities International, disse em entrevista à Bloomberg Television que o Federal Reserve não tem alternativa a não ser “apertar as condições financeiras, aumentar os rendimentos reais e isso só tende a esmagar os ativos de risco”. 

Fusão do Ethereum 

O MB e a Mercurius Crypto lançaram um relatório sobre a aguardada atualização do Ethereum, prevista para acontecer na madrugada desta quinta-feira (15). O relatório vai explorar o impacto da Fusão, ou “Merge”, na rede Ethereum a partir de três versões produzidas para públicos diferentes: Básico, Trader e Avançado. 

“A ideia foi trazer um pouco de luz para o mercado em um relatório mais denso a respeito dessa atualização do Ethereum. É importante entender essa mudança pelo benefício que ela vai trazer para a comunidade cripto como um todo e também do ponto de vista de investimento”, explica ao Portal do Bitcoin o chefe de pesquisa do MBAndré FrancoClique aqui para baixar gratuitamente a versão que preferir do relatório. 

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Mandado de prisão contra Do Kwon

Em uma semana agitada para o mercado cripto, um tribunal na Coreia do Sul emitiu um mandado de prisão para Do Kwon, cofundador do ecossistema Terra, cuja implosão das criptomoedas LUNA e UST no início do ano provocou uma crise global no mercado de criptomoedas. O mandado também inclui outras cinco pessoas por suposta violação da lei do mercado de capitais do país, segundo informações do Decrypt. Do Kwon, apesar de ser sul-coreano, supostamente vive em Singapura.

Apesar da ampla investigação do colapso do Terra, Kwon nega as alegações de que o projeto era uma “fraude”. Ele também alega que perdeu quase todo o seu patrimônio líquido no colapso do Terra.

Em julho, promotores sul-coreanos já haviam feito uma batida na casa do outro cofundador do Terraform Labs, Daniel Shin, como parte de uma investigação sobre alegações de atividade ilegal por trás do colapso do Terra. Uma ação coletiva também foi movida contra Kwon e o Terraform Labs em junho no Tribunal Distrital dos EUA no norte da Califórnia.

Problemas técnicos na FTX 

Quando os dados de inflação nos EUA provocaram uma onda vendedora de bitcoins na terça (13), traders de criptomoedas se surpreenderam ao descobrir que não podiam acessar a FTX, uma das maiores exchanges do mundo, de acordo com o Wall Street Journal. “Não posso acreditar na ‘performance’ que acabo de ver com a FTX”, postou o usuário Crypto_McKenna do Twitter. “Mudando para a Binance imediatamente”, acrescentou, em referência à concorrente da corretora americana. 

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O CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, confirmou que a exchange enfrentou problemas, afirmando que o “site fez uma atualização automática instável para muitas pessoas”. 

A volatilidade levou a mais de US$ 110 milhões em liquidações em exchanges de derivativos cripto no período de uma hora, de acordo com dados da Coinglass. 

Um porta-voz da FTX disse ao CoinDesk que a instabilidade na página da corretora foi resultado da volatilidade causada pelo relatório do IPC nos EUA, mas que a exchange continuou operando o tempo todo. 

Na Itália, a Binance está sendo processada por um grupo de investidores em uma ação coletiva que busca indenização por perdas causadas por paralisações das negociações na exchange durante períodos críticos no ano passado. A corretora cripto foi intimada a prestar depoimento nesta quinta (15). 

Bitcoin protege contra a inflação? 

A inflação parece ser o grande vilão das economias globais neste ano. Na América Latina,onde muitas moedas locais estão desvalorizadas em meio à disparada dos preços, consumidores recorrem cada vez mais às stablecoins lastreadas ao dólar, segundo novo estudo da Paxos publicado pelo CoinDesk. 

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Mas muitos questionam o uso das criptomoedas como hedge contra a inflação. Entre eles está o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, do Partido Liberal, que fez várias críticas supostamente direcionadas ao recém-eleito líder do Partido Conservador, Pierre Poilievre, que é favorável aos criptoativos e defende a tese. 

Outros destaques das criptomoedas 

Em meio à sangria dos mercados financeiros na terça-feira (13), titãs de Wall Street anunciaram a criação de uma exchange cripto com planos ambiciosos para reduzir os custos de negociação de ativos digitais. Jamil Nazarali, CEO da nova EDX Markets, disse ao CoinDesk que o objetivo é aproximar os custos ao nível visto nas transações com ações nos EUA.  

A EDX é apoiada pelas duas maiores corretoras de varejo dos EUA, Charles Schwab e Fidelity Investments. A Citadel Securities e a Virtu Financial, duas das maiores empresas de trading de ações dos EUA, e as firmas de investimento Paradigm e Sequoia Capital também apoiam o projeto, que pode receber mais investidores no futuro.  

A Celsius Network, em processo de recuperação judicial após o colapso das operações por problemas de liquidez, tem um plano para sair da crise. Em reunião realizada em 8 de setembro, o CEO da plataforma de crédito cripto, Alex Mashinsky, propôs transformar o negócio em uma empresa de custódia de ativos digitais, segundo uma gravação do evento compartilhada com o New York Times. Em comunicado, uma porta-voz da Celsius disse que a empresa realiza regularmente reuniões internas para “se preparar para todos os cenários”. 

No Brasil, Marcos Horie assumiu o posto de diretor-presidente da Xtage, plataforma de negociação de criptomoedas da XP. O novo CEO, há três anos na XP, contou ao Valor que a plataforma quer acelerar a operação e atender mais clientes com cripto em outras exchanges. Tokenização também é tema de “análise multidisciplinar” na empresa de investimentos.  

O mercado de criptomoedas enfrenta uma nova ameaça: o apelo dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que oferecem rendimento semelhante por um risco muito menor, destaca análise da Bloomberg. Em uma rara virada, os retornos das criptomoedas normalmente buscados por instituições caíram abaixo do que o governo dos EUA paga para emprestar por três meses. Com isso, hedge funds e family offices que migraram para o espaço digital têm um motivo a menos para continuar investindo. 

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Apesar da desvalorização do Bitcoin, a dificuldade de mineração da criptomoeda atingiu nível recorde, com alta de 3,45%, mostram dados on-chain

Regulação, CBDCs e Cibersegurança 

Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, também virou alvo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo reportagem do jornal O Globo, a área técnica da autarquia passou a enxergar contrato de investimento fraudulento no esquema do empresário, fundador da GAS Consultoria. O processo é resultado de novo entendimento da CVM sobre o caso, depois de ter acesso a provas da Operação Kryptos e constatar que parte dos recursos dos clientes foi investida em bitcoins.  

“E é curioso que esse caso se dê no momento em que a CVM informa estar em elaboração um parecer de orientação sobre criptoativos”, disse ao jornal Henrique Machado, sócio do Warde Advogados e ex-diretor da CVM.  

Em outra má notícia para o “Faraó”, preso sob acusação de promover um esquema de pirâmide financeira com criptomoedas, o Tribunal Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (TRE/RJ) o proibiu de disputar as eleições em outubro ao negar o registro de sua candidatura para deputado federal.  

Além desse revés, a GAS Consultoria voltou a responder por uma cobrança de R$ 615 mil mesmo em meio à elaboração de seu plano de recuperação judicial, de acordo com o colunista Lauro Jardim, de O Globo. 

O advogado Artemio Picanço, que afirma ter a maior carteira de clientes da GAS Consultoria, acredita que o Poder Judiciário precisa entender melhor o mundo dos criptoativos para orientar as sentenças. Em entrevista ao Portal do Bitcoin durante a Non Fungible Conference, Picanço destacou que os juízes, às vezes, tomam decisões “teratológicas” (absurdas, no jargão técnico). Como, por exemplo, legitimar a perda de um bem e do criptoativo por não ser regulado. 

Sobre o projeto de lei que regula os criptoativos no Brasil, Picanço vê pontos que podem ser melhorados e defende centralizar a supervisão em um só órgão, que tende a ser o Banco Central, para que o operador saiba “com quem vai falar” e oferecer maior segurança jurídica. Ele não acredita que o PL seja votado este ano e cita um “bastidor controverso”. 

No Uruguai, o poder Executivo apresentou ao Congresso um projeto de lei destinado a dar ao banco central do país poderes legais para regular ativos virtuais, de acordo com o CoinDesk

O comitê global de reguladores bancários da Basileia planeja concluir até o fim do ano os trabalhos para regras “robustas” sobre como bancos devem reservar capital para cobrir a exposição a criptoativos em seus registros contábeis, segundo comunicado do Grupo de Governadores de Bancos Centrais e Chefes de Supervisão (GHOS, na sigla em inglês) publicado pela Reuters.  

Metaverso, Games e NFTs 

A Kanna se intitula a primeira DAO, organização autônoma descentralizada, especializada em cannabis e criptomoedas. De acordo com a Forbes, a startup utiliza blockchain e o cânhamo para financiar sua operação em causas de impacto como a compensação de danos. A Kanna foi fundada este ano pelos sócios Luís Quintanilha, ex-diretor de marketing e sócio da Gama Academy, e Mario Lenhart, ex-executivo financeiro de empresas como PWC, FIAT e Votorantim. 

Robson Harada, CMGO do MB e cofundador da DAO ALMAdiz que é preciso “tirar a poesia”, ou seja, ter uma atitude mais pragmática e menos dogmática no processo de descentralização das DAOs, que nascem centralizadas. Durante o evento Non Fungible Conference encerrado na terça-feira (13) em São Paulo, o diretor de marketing e crescimento do MB destacou que o modelo de descentralização das DAOs pode ser aplicado em diversos segmentos, como “a área de benefícios do RH, e fazer votação entre os funcionários. Não precisa deixar muito complexo”, apontou. 

Felipe Cabralgerente sênior de produtos do MB e participante ativo de algumas DAOs, lembrou no mesmo evento que a primeira entidade desse tipo, chamada The DAO, colapsou justamente pela demora na tomada de decisão diante de um problema. 

Uma fundação de William Paley, fundador do grupo de mídia americano CBS falecido em 1990, planeja leiloar, por pelo menos US$ 70 milhões, uma coleção de obras-primas emprestadas ao Museu de Arte Moderna de Nova York para expandir a presença digital do museu, segundo o Wall Street Journal. Das 81obras da coleção William S. Paley expostas no MoMA, a Sotheby’s vai leiloar 29 peças entre quadros e esculturas – de artistas como Picasso, Renoir e Rodin – ainda este ano. 

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