Maioria fracassa no day trade, dizem pesquisadores de economia da FGV

Atividade atrai interessados, mas é comparada a um jogo de azar por pesquisadores da FGV

Foto: Shutterstock


“Viver de day trading é como viver de roleta”. Assim disse Bruno Giovannetti, professor e pesquisador da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), comparando a atividade de trader a um jogo de cassino.

Day trading é uma atividade em que a pessoa compra e vende o mesmo ativo no mesmo dia com objetivo da obtenção de lucro com a oscilação de preço. A entrevista sobre o assunto foi divulgada na quarta-feira (22) no Youtube.

Os entrevistados, Giovannetti e Fernando Chague, também pesquisador e professor da FGV, são autores de um estudo realizado no ano passado que foi encomendado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre sobre a atividade de Day Trading.

De acordo com o estudo, os pesquisadores mostraram que mais de 90% dos day traders têm prejuízo. Segundo o jornalista que os entrevistou, Rui Santos, o estudo da dupla se tornou referência entre analistas de mercado também acadêmicos.

Eles descobriram que no período de 2013 a 2016, apenas 10% persistiram na atividade. “Muita gente desistiu no meio do caminho”, disse Chague.

Day trade requer sorte

Sobre a capacitação para trabalhar na área, Giovannetti sugere que poucos conseguem chegar a um objetivo.

“Não adianta repetir. A gente viu que o tempo vai passando e ele (o trader) não vai melhorando”, disse.



Por isso, de acordo com o estudo, foi feita a comparação entre a atividade de day trading e um jogo de azar muito comum em cassinos, a roleta.

Santos então colocou a premissa: “Depende muito mais da sorte do que de técnica, análise e estudo”, reiterando o que disseram os pesquisadores no artigo intitulado “É possível viver de day trading?”

Em seguida, ele questionou sobre a lógica apontada no estudo que compara a atividade de day trade com um jogo de roleta. Neste tipo de jogo, segundo Giovannetti, as chances de ganho são de aproximadamente 49%.

No entanto, conforme explicou, há uma grande probabilidade de perdas no decorrer do tempo. No final, contudo, somente alguns saem ganhando e o cassino fica no lucro por conta da insistência dos jogadores.

Demanda por cursos de day trade

Conforme explicou Chague, o estudo deu-se após eles perceberem uma grande demanda por cursos de trading, uma atividade intrínseca do mercado financeiro e desconhecida pela maioria das pessoas.

Eles viram então que o público estava procurando saber mais sobre a atividade, principalmente nas redes sociais. Isso os deixou com uma pulga atrás da orelha, disse Chague, que comentou: “Como é que é possível isso?”

Concorrência desleal

Segundo Giovannetti, há também uma competição um tanto injusta. Ele se referiu a “máquinas” de grandes instituições financeiras que também fazem o day trade e acabam chegando na frente em oportunidades de ganhos.

Ele disse que é uma competição um pouco desleal, “é coisa de milissegundo”, explicou Giovannetti.

“É como você pegar um monte de gente de um metro e meio para treinar para jogar a NBA [liga americana de basquete]. O pessoal vai treinar, vai ficar treinando arremesso e tudo, e na hora que colocar para jogar não vai dar muito certo”.

Confira a entrevista completa:

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