Manipulação
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Enquanto a empresa de empréstimos de criptomoedas Celsius tenta sobreviver em meio a um processo de recuperação judicial, seus ex-funcionários vem a público para revelar detalhes sobre operações questionáveis, inclusive acusando a empresa de manipular o preço de seu token nativo CEL.

Leia também: Como a Celsius entregou US$ 1 bilhão em criptomoedas de clientes para um trader brincar com DeFi

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A acusação foi feita por ninguém menos que o ex-diretor de compliance de crimes financeiros da Celsius, Timothy Cradle, em entrevista à rede CNBC.

Ele conta que ficou “especialmente alarmado” sobre a manipulação de preço da criptomoeda durante uma festa da empresa no natal de 2019, na qual ouviu executivos dizendo abertamente que estavam “aumentando [pumping] o token CEL” e “negociando ativamente” para fazer o preço do ativo subir.

“Eles não tinham vergonha disso”, relembra Cradle. “Eles estavam absolutamente negociando o token para manipular o preço. Isso surgiu em duas conversas completamente diferentes por duas razões completamente diferentes”.

Pump and dump da criptomoeda CEL

O que Cradle descreve faz referência à prática de “pump and dump”, estratégia na qual investidores divulgam informações — muitas vezes falsas — para convencer pessoas a comprar um ativo e fazer seu preço aumentar, para logo em seguida despejá-los no mercado e realizar o lucro, à custa de outros investidores.

Afinal, a valorização de CEL era altamente benéfica para os executivos, bem como para a própria empresa, uma vez que eles eram os maiores detentores do token e atuavam ativamente no mercado, seja do lado de vendedor ou comprador.

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A empresa de dados blockchain Arkham estima que a Celsius gastou US$ 350 milhões adquirindo CEL em corretoras nos últimos três anos, mesmo já tendo bilhões do token em caixa. Ao mesmo tempo, os principais executivos — que ganhavam parte do salário em CEL — estavam vendendo.

A Arkham identificou que Alex Mashinsky, o polêmico CEO da Celsius, já lucrou pelo menos US$ 40 milhões despejando CEL no mercado. Já que quanto maior fosse o preço de CEL, maior seria o lucro de Mashinsky, ele era o maior defensor da moeda que criou.

O melhor momento da criptomoeda foi junho de 2021, quando seu preço atingiu um topo histórico de US$ 8. Hoje, CEL vale 89% menos, negociada a US$ 0,80, segundo o CoinMarketCap.

Outra ex-funcionário da Celsius que pediu para não ter seu nome divulgado pela CNBC, disse que fazer o preço de CEL subir naquela época não demandava muito esforço de Mashinsky e, enquanto ele falava para os investidores do varejo comprar seu token, discretamente o despejava no mercado.

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“É fácil manipular o preço do CEL devido aos baixos volumes de negociação. Tenho certeza que Mashinsky sabe disso. Isso é apenas um exemplo do que ele fazia para manipular publicamente o preço em benefício próprio”, acusa o ex-funcionário. 

As práticas suspeitas da Celsius

O que os dois ex-funcionários ouvidos pela CNBC falaram coincide com as acusações de Jason Stone, um trader que trabalhava de maneira informal para a Celsius e que agora processa a empresa na Justiça por não ter recebido o prometido por seus serviços.

De agosto de 2020 até abril de 2021, Stone tinha o controle sobre uma carteira com o equivalente a US$ 1 bilhão em criptomoedas de clientes da Celsius, com a qual tinha a carta branca de “brincar” em yield farming de projetos de finanças descentralizadas (DeFi) e tentar fazer o dinheiro render mais.

No seu processo, Stone faz diversas acusações contra a Celsius e Alex Mashinsky, inclusive a de que ele usava “ativamente os fundos dos clientes para manipular os mercados de criptoativos em seu benefício”.  

O trader também descreve como tinha liberdade de comprar quantos NFTs quisesse com os fundos dos clientes, como parte de seu acordo de participação nos lucros. Ele conta, por exemplo, que uma vez Mashinsky transferiu NFTs valiosos da carteira 0xb1 [a carteira com fundos de clientes] para um endereço controlado por sua esposa, Krissy Mashinsky. 

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