Imagem da matéria: Entrevista: Colin Wu, o jornalista que vem decifrando o mercado chinês de criptomoedas
Jornalista Colin Wu, 30 anos. Foto: Reprodução

O jornalista Colin Wu, conhecido como Wu Blockchain, é referência quando o assunto é a cobertura do mercado chinês de criptomoedas. Por meio de um blog e de um perfil no Twitter, ele cobre diariamente sobre os bastidores da conflituosa relação entre a China e o bitcoin.

De Hong Kong, Wu, de 30 anos, conversou com o Portal do Bitcoin e contou como é noticiar direto da região, como lida com a censura e como pretende ampliar o alcance de seu trabalho.

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O repórter, que estudou jornalismo na Universidade de Pequim e fez mestrado na Universidade Chinesa de Hong Kong, falou ainda sobre o sentimento dos mineradores chineses com a possível proibição da atividade no país. Muitas das grandes mineradoras, segundo ele, devem ser mudar para outras partes do mundo.

Confira abaixo a entrevista completa:

Quando você começou a escrever sobre criptomoedas e quando teve o primeiro contato com o setor?
Eu fui repórter de 2011 até 2015. Em 2017 fui contratado pela Bitmain (maior empresa de mineração de bitcoin do mundo) na área de relações públicas, e lá tive meu primeiro contato com o mundo das criptomoedas.

No final de 2019, deixei a Bitmain, mas continuei em contato com a indústria por meio do meu blog. As pessoas começaram a gostar do que eu escrevia então desisti de procurar um novo emprego e comecei a me dedicar de verdade ao blog.

E como é ser jornalista na China? Você já sofreu algum tipo de censura?
Nunca sofri censura, porque evito entrar em assuntos políticos. Além disso, o setor cripto aqui é incerto, não tem nada explícito que proíba a produção jornalística dessa área.

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Mas depende também do formato que você reporta. O governo não gosta que notícias de cripto sejam dadas no formato de vídeo. O TikTok, por exemplo, o governo não quer que seja usado para falar sobre criptomoedas e pode derrubar o conteúdo. Mas se for o mesmo assunto no Weibo, não tem problema. Se você escrever sobre política na China, no entanto, vai ser difícil escapar da censura.

Qual é o problema com o TikTok e o vídeo?
Criptomoeda é uma forma de investimento e o governo chinês não quer que pessoas comuns comecem a investir. Como o vídeo tem uma linguagem mais fácil e um alcance maior, geralmente sofre essas restrições.

Como é a sua rotina exatamente cobrindo o mercado cripto direto da China? Você recebe bastante informação de outros participantes do setor, como os mineradores?
Não é diferente de outros tipos de cobertura. Basicamente, sigo os protocolos do jornalismo. A informação é importante para a indústria? É preciso reportar rápido? É algo novo?

Por ter trabalhado na maior empresa de mineração daqui, sei como tudo funciona. Tenho um contato mais direto com o mercado e as minhas fontes. Foco minha produção em três assuntos que acho que as pessoas têm mais interesse: a mineração na China; as exchanges, já que as maiores foram criadas aqui; e por fim as regulações do setor, que ainda são incertas.

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Você só escreve no blog ou colabora para outros jornais também? 
Eu trabalho por conta própria no blog. Eu estou planejando ampliar o site e abrir uma companhia de notícias, já tenho alguns investidores. Diferente dos outros países, na China os blogues são muito mais populares do que as outras mídias, as pessoas não se interessam muito em ler os jornais ou assistir televisão. Em cripto, a maioria dos jornalistas tem seus próprios blogues. 

A grande mídia da China cobre o mercado cripto? Existem sites de notícias especializados?
A maioria dos veículos da China publica notícias oficiais de empresas de mineração, porque podem lucrar com isso. O CoinDesk tem uma versão chinesa, mas os sites estrangeiros não têm muita entrada aqui. Temos o Chainews que é grande e o nosso site tem bastante influência. A mídia na China é em grande parte formada por blogs pessoais.

As histórias que você cobre são voltadas para leitores chineses ou você também tenta atingir um público mais global? 
No começo, eu só escrevia em chinês no meu blog, mas com o número de seguidores no Twitter aumentando (cerca de 53 mil), eu notei que as pessoas de outros países querem muito saber sobre o que acontece na China.

Lá no Twitter eu só escrevo em inglês para uma audiência global e no blog faço um conteúdo mais profundo, só em chinês. Os conteúdos nas duas plataformas geralmente são os mesmos, mas na rede social é mais direto porque existe um limite de palavras e meu inglês às vezes não consegue explicar assuntos muito complexos.

Como é o acesso às redes sociais e sites de notícias estrangeiros na China com as restrições de internet que existem aí? 
Aqui na China é só baixar um VPN que você consegue acessar qualquer coisa, é muito fácil para a maioria das pessoas. Mas não é todo mundo que usa, muitos não têm necessidade porque consomem o conteúdo produzido aqui e que circula nas redes sociais populares, como o Weibo e WeChat.

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Como os chineses negociam criptomoedas se as exchanges estão banidas do país? 
As maiores exchanges de criptomoeda foram lançadas aqui ou foram criadas por chineses, como Binance, Huobi, OKEx e Bybt, então é mais fácil para os chineses negociarem, já que elas ainda contam com mercado de balcão (OTC) aqui. Se quiser negociar direto nas exchanges, às vezes é possível usar VPN, outras vezes não.

Além das exchanges, existem alguns negócios pessoais na China que oferecem esses serviços que podem ser usados para comprar ou vender criptomoeda. 

A China fez duas grandes restrições ao setor em 2013 e 2017. O que muda com os recentes problemas?
A chance de a China banir a mineração é grande, mas as pessoas ainda estão assistindo e esperando o próximo passo. Até o momento, o que foi dito sobre isso por um oficial foi apenas uma frase, que é “reprimir a mineração e o trade de bitcoin” para evitar o risco econômico. 

Mas como será essa repressão? Apenas da mineração que usa energia fóssil? Ou será para todos, até mesmo os que usam energia de hidrelétricas? Então nós ainda não sabemos, mas com certeza é uma notícia ruim para a indústria de mineração da China, especialmente para as grandes indústrias. 

Na sua cobertura diária do mercado chinês, você nota que os mineradores da região estão com medo que o governo seja severo?
Os pequenos mineradores não se preocupam com isso, já que eles não podem banir a produção individual de bitcoin. Já as grandes indústrias estão realmente preocupadas com o risco. Vejo que um certo pânico se espalhou aqui entre os mineradores e muitos estão nesse momento procurando fazendas de mineração em outras partes do mundo, como nos EUA e no Canadá. Mas ainda é difícil prever como virá.

O CEO da Canaan falou que a postura do governo pode ser construtiva…
Eles só falaram isso porque a Canaan é uma empresa listada na Bolsa de Valores e precisa fazer seus investidores na Nasdaq se sentirem seguros.

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Esse constante clima de incerteza que o governo promove no setor vai fazer a China perder a sua dominância no mercado cripto?
Com certeza. A dominância da China no mercado já é menor do que era antes. Atualmente, a maioria das máquinas de mineração produzidas aqui são enviadas para empresas fora da China.

Possuir bitcoin é algo que a China nunca baniu. Você acha que existe um risco de isso acontecer um dia?
Não acho que o governo vai proibir a posse de bitcoin. Lá em 2013, eles já disseram que o bitcoin é um produto e não uma moeda, então isso só aconteceria se eles criassem uma nova lei que proíba esse tipo de produto no país. Mas não acho que irá acontecer. No mundo, não há muitos países que estão banindo o bitcoin, então é difícil acreditar que o governo faça isso.

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