Imagem da matéria: Entenda como funciona o mecanismo de geração de rendimentos do Yearn Finance
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Todos nós conhecemos o Yearn. É o agregador de “ative e esqueça” que é executado em grandes protocolos geradores de rendimentos do setor de Finanças Descentralizadas (ou DeFi, na abreviatura em inglês), como Compound, Aave, Curve e Convex.

Usuários podem obter dinheiro de forma passiva com apenas um clique. Nos Vaults do Yearn, estrategistas competem continuamente para programar as maiores estratégias de geração de rendimentos conforme recebem 50% da receita.

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Ao longo do tempo, o protocolo se tornou um sinônimo de “rendimento” e ganhou a reputação da indústria como uma fonte de rendimentos de risco minimizado.

Mas o que não sabemos sobre o Yearn? O que está por debaixo dos panos? É claro que cresceu onze vezes em termos de valor total bloqueado (ou TVL) desde o início de 2021, mas de onde está vindo esse crescimento?

É uma pergunta importante de entender, pois um investimento em token é, na teoria tradicional, avaliado em nada mais do que o valor descontado de futuros fluxos de caixa. E o crescimento futuro é definido na margem – então quem é o depositante marginal do Yearn?

A anatomia do Yearn

Primeiro, vamos analisar os múltiplos produtos do Yearn.

Vaults

Por ser um grande protocolo usado pela maioria dos usuários, Vaults contabilizam 67% do TVL do Yearn. Usuários depositam em um vault, definido por ativo, e as estratégias implícitas de rendimento são executadas para implementar o capital.

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Como a primeira iteração, vaults da primeira versão (V1) estavam limitados a estratégias únicas e, desde então, se tornaram obsoletos.

A segunda versão (V2) oferece uma agregação mais complexa de retornos conforme vaults podem ser movidos por múltiplas estratégias de rendimento.

Earn

Similar aos vaults, mas ainda mais simples. Originalmente, focava em ativos estáveis que usuários poderiam depositar e ativos são migrados entre protocolos de mercados monetários, dependendo de qual oferecer o rendimento mais alto.

Iron Bank (IB)

Protocolo de mercado monetário com foco em atender usuários e protocolos. Usuários podem depositar ativos aprovados como garantia para obter rendimento de mutuários ou tomar ativos emprestado.

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Usuários do protocolo podem entrar para uma lista de boa reputação (ou “whitelist”) para facilitar a tomada de empréstimos subgarantida.

Special

Serviços abrangentes para negócios secundários. Contabilizam o TVL de yGov e yveCurve.

Crescimento do TVL por produto no Yearn em 2021: crescimento do TVL em dólares de Vaults V1 e V2, Earn, Iron Bank e produtos Special.

O TVL cresceu significativamente entre março e maio de 2021, acrescentando mais de US$ 4 bilhões em TVL. Do novo TVL, 68% ou US$ 2,8 bilhões vieram de vaults V2 (até agora, a maioria).

No entanto, desde maio, os vaults V2 ficaram estáveis até setembro, quando o TVL dos vaults começou a subir novamente, crescendo mais de 31% até outubro.

Aqui, temos dois períodos distintos de crescimento nos vaults V2: um no início do ano, entre março e maio, e outro recente, iniciado em setembro.

Qualquer pessoa no setor cripto poderá te dizer que esses dois períodos são épocas de uma significativa valorização de preço do ether (ETH) e do bitcoin (BTC), resultando na pergunta: O crescimento é por conta de depósitos orgânicos e novos ou simplesmente apreciação implícita de preço?

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Stablecoin em vaults V2 vs. crescimento dos tokens ETH/BTC no Yearn em 2021: comparando o crescimento de stablecoins em vaults V2 contra vaults V2 denominados nos principais tokens (WETH, stETH e WBTC).

Yearn possui vaults diferentes para cada ativo compatível. Sete vaults têm mais de US$ 100 milhões em depósitos e contabilizam mais de 76% do TVL dos vaults V2.

Ativos compatíveis nesses vaults incluem as grandes stablecoins USDC, DAI e USDT, bem como os principais tokens em termos de capitalização de mercado ETH, staked ETH e WBTC.

Dividindo esses vaults entre ativos estáveis e ativos voláteis e focando na contagem bruta de tokens, é possível notar que depósitos estão organicamente aumentando, independente do preço.

Ao analisar a primeira fase do crescimento de V2 entre março e junho, ambos os depósitos de stablecoins e ativos voláteis aumentaram significativamente.

Stablecoins cresceram quase cinco vezes durante essa época e acrescentaram quase US$ 1 bilhão em novo TVL. Depósitos de ETH e stETH (yvCurve-stETH) cresceram quase três vezes e acrescentaram US$ 400 mil em novo TVL.

O segundo período de crescimento é bastante diferente. Contagem de stablecoins em vaults caíram de setembro a outubro enquanto houve um grande aumento de novos depósitos de tokens nos vaults denominados em ETH, principalmente no vault yvCurve-stETH.

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Mais de US$ 670 milhões (ou 170 mil ETH) foram acrescentados ao vault stETH entre 15 de setembro e 15 de outubro, registrando um aumento de seis vezes em 30 dias.

Crescimento dos principais vault V2 no Yearn em 2021: comparação do crescimento das principais stablecoins em vaults V2 contra vaults V2 denominados nos principais tokens (WETH, stETH e WBTC).

Na análise do TVL entre os principais vaults V2 (vaults com mais de US$ 100 milhões em TVL que, juntos, totalizam mais de 76% do TVL de vaults V2), a tendência recente de período de crescimento está clara.

O TVL da USDC diminuiu 9% nos últimos 90 dias. DAI subiu apenas 2%. Porém, o TVL de ETH e stETH subiram mais de 118% e 109%, respectivamente.

Então, aí os temos. Dois períodos distintos de crescimento para vaults V2 do Yearn com diferentes direcionadores: a Fase Um foi bastante influenciada por depósitos de stablecoins enquanto a Fase Dois foi exclusivamente direcionada por ETH e stETH.

No entanto, apesar das diferenças em fontes de crescimento, ambas as fases têm uma qualidade distinta: a nitidez do crescimento.

Depósitos de stablecoins subiram quase na vertical em abril. stETH e ETH fizeram o mesmo desde setembro.

Com direcionadores de crescimento tão concentrados e rápidos, surge outra pergunta: numerosos novos depositantes estão chegando ou isso é um resultado de poucos depositantes maiores?

Distribuições de TVLs dos principais vaults V2 do Yearn: análise da concentração de riqueza nos vaults V2 do Yearn em dispositores acima de US$ 10 milhões.

Para entender a distribuição de riqueza nos principais vaults V2, diversos grupos de depositantes são divididos em subgrupos por quanto TVL é depositado de um endereço único.

Por exemplo, depositantes que contribuem entre US$ 1 e US$ 100 mil estão em um subgrupo; entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, em outro; entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão, outro; e assim por diante.

Assim, revela uma relação distinta entre os tipos de depositantes que Yearn possui em seus vaults V2: concentração de riqueza.

Apesar de ter mais de 6.220 depositantes ativos nos principais vaults V2, US$ 2 bilhões ou 76% do TVL dos principais vaults V2 vêm dos 30 endereços que depositam mais de US$ 100 milhões.

US$ 10 milhões sendo depositados de um endereço único não é um dinheiro de alguém comum, e sim dinheiro de protocolo.

TVL contribuído por protocolos aos principais vaults V2 do Yearn: panorama de fontes de TVL com foco em integrações de protocolos parceiros (yvUSDC, yvDAI yvUSDT, yvUSDN, yvWETH, yvSTETH, yvWBTC).

US$ 1,5 bilhão ou 57% de todo o TVL nos sete principais vaults V2 vem de 18 integrações de protocolos parceiros identificados.

Parceiros de protocolos externos estão direcionando bastante TVL aos vaults do Yearn para reaproveitar o retorno gerado como um componente de design em seus protocolos.

Alchemix é o maior depositante do Yearn, contribuindo com quase US$ 600 milhões em TVL pelos vaults yvDAI e yvWETH. Sozinha, contribui com mais de 76% do TVL de DAI e 44% do TVL de yvWETH.

O protocolo Alchemix aceita depósitos de garantia que, de modo geral, são depositados nos vaults de geração de rendimentos do Yearn.

Rendimentos gerados com essa garantia são automaticamente aplicados como pagamentos a uma dívida de empréstimo pendente de um usuário no Alchemix.

Bentobox, do Sushi, é o segundo maior contribuidor de protocolo, com mais de US$ 583 milhões depositados nos vaults yvUSDC, yvUSDT, yvWETH e yvCurve-stETH.

BentoBox é um protocolo sob o guarda-chuva do Sushi que atua como um protocolo de camada base para que outros protocolos sejam desenvolvidos. Seu principal recurso é alocar depósitos inativos em estratégias de geração de rendimentos – uma delas são os vault do Yearn.

BentoBox é o maior depositante no vault yvUSDC, contribuindo com 1/3 do TVL do yvWETH e quase metade do TVL de US$ 674 milhões do yvCurve-stETH.

Os depósitos em ETH e stETH são bem notáveis, pois podem ser ligados a um protocolo meteórico que desenvolve na aplicação Kashi do BentoBox: Abracadabra.

Tanto yvWETH como yvSTETH são dois dos três principais ativos em garantia utilizados no Abracadabra para lastrear sua stablecoin MIM.

Na verdade, Abracadabra (por meio do BentoBox do Sushi) e Alchemix têm papéis significativos nas duas fases de crescimento identificadas anteriormente.

Alchemix, inicialmente lançado em março com seu vault DAI, é bastante responsável pela enorme expansão de DAI no Yearn durante o primeiro período de crescimento.

Abracadabra quintuplicou seu TVL desde setembro e é o fator determinante para o crescimento do Yearn na segunda fase, amplamente composto de novos depósitos de stETH e ETH.

Outra ligação entre esses dois protocolos é sua associação à narrativa DeFi 2.0. É importante entender os mecanismos direcionados dessa narrativa para compreender como Yearn está aumentando sua influência pelo ecossistema.

Mapa do ecossistema DeFi do Yearn: representação gráfica do ecossistema DeFi em torno do Yearn.

Fora dos recursos de valor controlado pelo protocolo (ou PCV), protocolos que são comumente associados à narrativa DeFi 2.0 usam bastante os tokens dos vaults gerados de rendimentos do Yearn (yvTokens) como um aspecto de design para tornar processos existentes mais eficientes.

Abracadabra usa ativos geradores de rendimento para lastrear posições de dívida com garantia. Alchemix usa retornos do Yearn para autorrepagar empréstimos.

Frax usa retornos do Yearn para fornecer garantias à sua stablecoin. Ribbon usa yvUSDC do Yearn como garantia para vender estratégias estruturadas de opções;

Yearn cresceu, parando de ser o agregador de rendimento das pessoas para obter o papel de parceiro dominante de rendimentos para outros protocolos.

Pode-se dizer que Yearn encontrou o volume de seu crescimento e seu produto adequado ao mercado é um protocolo de “Yield-as-a-Service” (B2B, ou de empresa para empresa), e não como um protocolo para um usuário final (B2C, ou de empresa para cliente).

Isso não é completamente à toa.

Em março, antes da primeira fase de crescimento, Yearn anunciou seu programa de parcerias, em que protocolos parceiros que contribuíssem capital aos vaults do Yearn poderiam ganhar metade do rendimento gerado (após a receita estratégica de 50%).

O sucesso do programa de parcerias se resume a como o Yearn está posicionado no ecossistema.

Yearn é capaz de oferecer um ponto de integração único e confiável para outros protocolos gerem rendimento, então o tempo não é perdido e o risco de integração não é apresentado na gestão e manutenção das estratégias.

Atua como um protocolo de alocação de capital completamente à disposição de usuários e protocolos. No entanto, o Yearn se difere na magnitude do valor fornecido às duas partes diferentes, manifestado nas fontes dos números de crescimento do Yearn.

Para usuários, Yearn e seu rendimento são o objetivo final. Para protocolos, rendimentos são apenas meios para um fim, uma ferramenta utilizada na criação de um novo produto – algo que cria valor adicional e eficiência.

A próxima fase

Para onde Yearn cresce a partir daqui dependerá bastante de sua interface de usuário (ou UI) na terceira versão (V3), estratégia multichain e defensibilidade de sua posição.

O beta da UI da V3 do Yearn foi lançada em setembro e apresentou diversas mudanças importantes e focadas na melhoria da experiência de usuários, escalabilidade, adesão multichain e integrações B2B.

Grande parte das atualizações no UI da V3 são em sua arquitetura “back-end” (interna).

Um novo kit de desenvolvimento de software (ou SDK) é apresentado, simplificando a agregação de dados “on-chain” e “off-chain” no Yearn. Simplifica o processo de integração não apenas do Yearn, mas também de seus parceiros.

Multichain é um grande benfeitor da nova arquitetura da IU do V3. Agora, arquitetonicamente possível no back-end, Yearn pôde de anunciar, no início de outubro, que iria implementar no Fantom, seguido de diversos outros blockchains compatíveis com a Ethereum Virtual Machine (ou EVM), dado que tenham fontes de rendimento seguras e dependentes.

Até agora, Yearn foi capaz de defender sua posição no setor DeFi como o agregador de rendimentos dominante.

Isso é evidente por sua capacidade de comandar um modelo de taxas 2/20 líder de indústria, que gerou a quarta maior receita de protocolos DeFi nos últimos 180 dias sem quaisquer incentivos de liquidez.

A manutenção de sua posição dominante no Ethereum enquanto expande posições importantes entre ecossistema com possíveis novas fontes de rendimento, novos protocolos parceiros e novos competidores será a próxima questão a ser solucionada pelo protocolo.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Messari Hub.

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