Imagem da matéria: Direto de El Salvador: Jameson Lopp fala sobre privacidade e bitcoin
Jameson Lopp na Labitconf em El Salvador (Foto: Saori Honorato/Portal do Bitcoin)

Jameson Lopp, um dos maximalistas de bitcoin mais conhecidos da comunidade e cofundador da empresa de segurança cripto Casa, está em El Salvador para participar da Labitconf, a maior conferência de bitcoin na América Latina.

Lopp desembarcou no país da América Central na manhã de quinta-feira (18) e foi direto para o Teatro Presidente onde concedeu uma entrevista para o Portal do Bitcoin.

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Nesta sexta-feira, ele dividiu um painel na Labitconf sobre privacidade do bitcoin com outros especialistas do mercado como Tadge Dryja, Giacomo Zucco e Stephan Livera.

Confira a entrevista abaixo:

Você é um membro importante da comunidade do bitcoin e está no setor há bastante tempo. Ver pessoas usando bitcoin para pagar de forma tão intensa no dia a dia era algo que você imaginava que aconteceria no começo? Te incomoda uma lei “obrigando” o uso de uma criptomoeda que tem como fundamento ser anti governos?

Ideologicamente eu não sou favorável ao governo obrigar as pessoas a fazer qualquer coisa. Eu sempre senti que o bitcoin tem uma ideologia de mercado livre. Então se o bitcoin for bom e capaz de servir as pessoas, se elas acharem valor,  então devem adotar. 

Agora, o que está acontecendo aqui é estranho por você tem um governo que tem a sua própria agenda e seu próprio conjunto de incentivos. Por várias razões, as pessoas do governo decidiram que é bom para eles e para o país em geral adotar o bitcoin, e isso vai causar atrito.

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Pode ser que não seja todo mundo no país que necessariamente quer gastar tempo tentando entender como entrar nesse novo sistema, mas certamente é um novo experimento que nunca vimos nada parecido antes.

Você está otimista ou pessimista com o futuro do bitcoin em El Salvador?

No geral eu sou otimista. Como um desenvolvedor, eu sei que terá problemas, mas é assim que as coisas funcionam quando construímos uma coisa completamente nova, você se depara com desafios e é por sua conta superá-los. Tudo vai depender da forma que o governo vai responder a esses desafios, tanto técnicos quanto sociais. 

Do modo que eu vejo, El Salvador está tentando acelerar a adoção de forma mais rápida do que aconteceria de forma orgânica e isso vai causar problemas. Por isso é importante assistir e o que está acontecendo aqui e torcer para que possamos aprender algo com isso. Talvez outros países olhem para cá e sejam capazes de fazer algo parecido mas sem as partes dolorosas.

Nos últimos tempos a comunidade passou a se preocupar cada vez mais com o que o governo diz que pode e o que não pode ser feito no mercado cripto. Há casos negativos como a repressão aos mineradores na China e  projetos de tributação nos EUA.. e aqueles positivos, como o bitcoin ganhar curso legal em El Salvador. Você acha que o bitcoin está dependendo cada vez mais da validação de quem está no poder?

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Da forma que o mundo funciona muitas pessoas confiam no seu governo — claro que tem aqueles que não confiam no governo, eu estou mais desse lado — e por causa disso eu acho que o apoio deles é uma forma de acelerar a adoção. Se o governo fala que vale a pena fazer algo e quer o maior número possível de pessoas adotando bitcoin, independente da razão, mais pessoas se abrem para a ideia porque de fato tem vários aspectos do espaço que assusta aqueles que estão do lado de fora como as apostas, gente perdendo dinheiro… 

Um dos seus focos principais na comunidade do bitcoin é incentivar a privacidade da criptomoeda. O que acha fundamental que o bitcoin melhore no futuro? Privacidade? 

Do ponto de vista de privacidade um dos maiores problemas hoje são ramps e off-ramps (“rampas” que conectam o mundo físico com o digital) que tendem a ser super vigiadas e fazem com que sua identidade seja amarrada com qualquer coisa que você esteja fazendo na rede do bitcoin.

Sou um pouco otimista que à medida que nós criamos uma economia mais circular, mais pessoas entram no bitcoin, comprando coisas com a moeda, e não vão depender tanto de passar pelas exchanges. São elas que estão fazendo a maior vigilância, com regras anti-lavagem de dinheiro e outras obrigações. Sair delas é um modo de melhorar a privacidade, dar menos dados. 

Mas nós também precisamos continuar construindo tecnologias melhores. Tem um grande número de times que estão focados em aspectos específicos da privacidade do bitcoin. Alguns são soluções de segunda camada, estilo Lightning, mas também está aumentando o número de protocolos de mixing de bitcoin que tentam fazer o serviço ficar melhor. 

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É tudo sobre incentivos. Um dos lados negativos quando falamos de privacidade na rede do bitcoin é que ela te exige mais tempo e mais recursos, então se queremos mais privacidade tem que ser algo padrão em qualquer carteira que esteja usando. 

No longo prazo eu tenho esperança de que veremos esses novos tipos de protocolos de mixing se tornando mais populares e fazendo ser mais barato transacionar, e fazendo isso através do mixer, você preserva a sua privacidade na rede do bitcoin.

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