Imagem da matéria: Crédito soberano de El Salvador está em risco com adoção do Bitcoin, diz Moody's
Foto: Shutterstock

A fraca perspectiva de risco soberano de El Salvador está sendo exacerbada pelas negociações de bitcoin (BTC) do país, de acordo com o Serviço de Investidores da Moody’s e a Bloomberg.

De acordo com Jaime Reusche, analista da Moody’s, a negociação de bitcoin do governo é “bem arriscada, principalmente para um governo que teve problemas com pressões de liquidez no passado”.

Publicidade

O presidente Bukele, que compra bitcoin para o país com dinheiro público utilizando seu celular, não compartilhou informações sobre as chaves, algo pertinente sobre a alocação de bitcoin do país. Mas, de acordo com seus tuítes, comprou cerca de 1.319 BTC até hoje.

Essas aquisições, de acordo com cálculos da Bloomberg desta semana, fizeram El Salvador perder dinheiro. As alocações totais em bitcoin do país alegadamente custam aproximadamente US$ 71 milhões a um preço médio de US$ 51.056 por bitcoin.

Na quarta-feira (12), essas alocações equivaliam a US$ 59 milhões.

É claro que essas perdas existem no papel se Bukele não tiver vendido nenhum dos bitcoins.

O risco soberano de El Salvador

El Salvador possui um título de US$ 800 milhões que irá vencer em janeiro de 2023.

Neste momento, o título possui um retorno de mais de 25% – sugerindo que mercados financeiros têm pouca expectativa de que o governo salvadorenho consiga pagar essa dívida.

Isso põe El Salvador em uma posição difícil quando o assunto é acessar mercados de dívida e mercados de títulos estrangeiros.

Publicidade

“Não sei quem irá comprar esses títulos, mas com certeza não seremos nós”, disse Kevin Daly, gestor de fundos no Aberdeen Standard Investments, em entrevista ao Financial Times em novembro de 2021.

Reusche sugeriu que, por enquanto, a alocação total em bitcoin de El Salvador não apresenta uma grande ameaça às obrigações financeiras do governo.

No entanto, se Bukele adquirir mais bitcoins, esse risco irá aumentar.

“Se aumentar muito, então representa um risco ainda maior à capacidade de repagamento e ao perfil fiscal do emissor”, explicou Reusche.

Em julho, Moody’s também reduziu a classificação de crédito de El Salvador para Caa. Obrigações classificadas em Caa são “consideradas como uma posição ruim e estão sujeitas a um risco de crédito muito alto”.

Publicidade

O título de bitcoin de El Salvador

Na semana passada, El Salvador anunciou que o governo iria enviar cerca de 20 projetos de lei para o Congresso e dar início a seu regime de títulos de bitcoin.

De acordo Alejando Zelaya, ministro de Finanças, esses títulos irão “oferecer estrutura jurídica e transparência legal a todos que comprarem o título de bitcoin”.

O governo espera que US$ 1 bilhão em títulos lastreados em bitcoin – que serão emitidos este ano – sejam parcialmente convertidos em bitcoin e parcialmente utilizados para financiar as operações de mineração de bitcoin do país.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

VOCÊ PODE GOSTAR
trader segura moeda de bitcoin em frente a grafico em computador

Bolsa de Chicago planeja lançar negociação de Bitcoin à vista, diz jornal

O objetivo é capitalizar a crescente demanda este ano entre os gestores de Wall Street para ganhar exposição ao setor de criptomoedas
bitcoin e ethereum em grafico vermelho de queda

Bitcoin e Ethereum passam a cair e provocam liquidações de US$ 150 milhões

Tanto o Bitcoin quanto o Ethereum despencaram na manhã de sexta-feira (10), provocando uma onda de liquidação de longo prazo
CEO da Galaxy Digital, Mike Novogratz, em entrevista ao BNN Bloomberg no YouTube

O Bitcoin precisa de uma nova narrativa para voltar a subir, segundo CEO da Galaxy Digital

Mike Novogratz também acredita que o preço do BTC flutue entre US$ 55 mil e US$ 75 mil até que novos eventos ocorram
Imagem da matéria: Herdeiro paga R$ 2,2 milhões em Bitcoin para resgatar vítima de sequestro em Petrópolis, mas é enganado

Herdeiro paga R$ 2,2 milhões em Bitcoin para resgatar vítima de sequestro em Petrópolis, mas é enganado

Ao todo, vítima gastou quase R$ 5 milhões nos pagamentos: além do envio de Bitcoin, foram 40 depósitos bancários