Imagem aérea do Pentágono -EUA
Shutterstock

Funcionários do governo dos EUA disseram em entrevista ao The New York Times que vêm acompanhando há meses uma mineradora de Bitcoin chinesa que opera em Wyoming, próxima a uma base de mísseis nucleares da Força Aérea americana. O episódio acendeu um alerta nacional.

Os membros do governo disseram ao jornal que foram tomadas medidas para mitigar uma potencial coleta de informações, mas não deram maiores detalhes. Segundo o veículo, o alerta foi dado por uma data center da Microsoft que faz serviços para o Pentágono.

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A proximidade entre os dois locais é de aproximadamente um quilômetro e meio. Porém, em um relatório ao governo, a Microsoft disse que não tem indicações diretas de atividades maliciosas por parte desta da mineradora.

“Enquanto se aguarda mais descobertas, sugerimos a possibilidade de que o poder computacional de uma operação de mineração de criptomoedas de nível industrial, juntamente com a presença de um número não identificado de cidadãos chineses nas proximidades diretas do Data Center da Microsoft e de uma das três bases de mísseis estratégicos em os EUA, fornece vetores de ameaça significativos”, disse a empresa fundada por Bill Gates.

Investigações começaram em 2022

Em um relatório de 2022, do Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos, um órgão federal que monitora as ameaças representadas por agentes estrangeiros, foi informado que a proximidade poderia permitir que os chineses realizassem, de alguma forma, operações de coleta de informações.

Na época, diz a reportagem, a empresa de mineração teria respondido a todas as perguntas do órgão.

Em um relatório recente do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional também houve um alerta: se a China sentisse que um grande conflito com os EUA era iminente, “quase certamente consideraria a realização de operações cibernéticas agressivas contra infraestruturas críticas internas dos EUA”.

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Preocupação com apagões

As preocupações, no entanto, não se resumem apenas a segurança nacional, mas também com a possibilidade de um apagão na região. Isso porque tanto mineradoras cripto quanto os computadores da base militar operam 24 horas por dia.

Brian Harrell, ex-secretário adjunto da Homeland Security — o departamento de segurança nacional dos Estados Unidos —, disse durante o governo de Donald Trump que as operações simultâneas poderiam causar “enorme estresse” na rede, com possibilidades de apagões direcionados e ataques cibernéticos.

“Se a infraestrutura chinesa impactar os principais sistemas de eletricidade, deve atrair imediatamente investigação e escrutínio adicionais”, disse Harrell.

O jornal apurou que em pelo menos 12 estados, incluindo Arkansas, Ohio, Oklahoma, Tennessee, Texas e Wyoming, há mineradoras de criptomoedas ou operadas por chineses ou oriundas da China.

A quantidade de eletricidade gasta equivale a abastecer 1,5 milhão de residências. “A plena capacidade, só a mina de Cheyenne, Wyoming, necessitaria de eletricidade suficiente para abastecer 55.000 casas”, ressalta.

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Grande parte dessas mineradoras são o resultado da repressão da China ao setor, que fez com que uma das maiores empresas do setor, a Bitmain, deslocasse, a partir de 2021, 15 vezes mais equipamentos para os Estados Unidos do que nos cinco anos anteriores combinados. Uma apresentação recente da empresa afirmou que ela controla 90% do mercado global de equipamentos para mineração.

Os novos riscos surgem em meio a um aumento acentuado na mineração de Bitcoin nos Estados Unidos. No início deste ano, diz o New York Times, uma investigação estimou que as operações consumiam cerca de 4.000 megawatts — “suficiente para abastecer mais de três milhões de residências nos EUA”, e que mais megawatts estavam continuamente a entrar em funcionamento.

Em julho deste ano, a tese foi reforçada por um alerta de um funcionário da North American Electric Reliability Corporation, que supervisiona a proteção da rede elétrica.

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