Canal de TV e famosos promovem criptomoeda suspeita que promete valorização

Emissora de TV, grandes sites e personalidades promovem criptomoeda arriscada
CEO da Bittauros, Thiago Castilho e Val Marchiori. Imagem: (Reprodução/Youtube)


*Atualização: Após a publicação desta reportagem, empresa responsável pela Hopehash enviou um contraponto. Leia abaixo.

“Eu sei identificar uma grande oportunidade e agora estou ficando cada vez mais rica”, disse a socialite Val Marchiori em um vídeo promocional da exchange de criptomoedas Bittauros, publicado no Youtube no dia 26 de abril. A empresa, que tem sede em Uberlândia (MG), promove a criptomoeda Hopehash.

De acordo com a Bittauros, um protocolo de criação impede que a criptomoeda seja negociada por valores inferiores aos estipulados em cada fase de seu projeto. “Isto significa que o preço se mantém o mesmo até que a próxima fase se inicie, gerando uma valorização”.

Em um outro vídeo, Marchiori é apresentada como investidora e entusiasta. Ela acompanha Thiago Castilho, CEO da Bittauros, e ambos promovem a criptomoeda.

“O preço da Hopehash é algo em torno de R$ 200, mas hoje você compra por R$ 12”, diz Castilho ao som de ‘hello’, bordão da socialite. O Vídeo, intitulado ‘HopeHash Brasil — A hora de lucrar é agora!’, foi publicado no Youtube no dia 13 de maio.

Até aí, tudo bem. Dá pra ficar rico sim com criptomoedas. Aliás, muita gente ficou quando comprou bitcoin a R$ 500 em 2013 e vendeu a R$ 70 mil em 2017.

No entanto, a valorização de um criptoativo é parecida com as ações tradicionais da bolsa e depende de duas forças, que são oferta e demanda. São elas que garantem o funcionamento de um mercado e o preço de um produto.



Logo, garantir que o Hopehash irá valorizar é enganar o investidor. Não existe valorização programada de um ativo.

Afirmar que a criptomoeda vai valer R$ 200 reais daqui dois anos é arriscado e quem conhece o mercado sabe que isso não funciona.

Quem vai pagar o valor final? Quem vai aceitar Hopehash? Como será mantido um valor se até mesmo a gigante Binance queima unidades para (tentar) controlar o preço de sua BNB.

Isso faz lembrar o caso da Bitconnect. Após a descontinuação do seu programa de “empréstimos”, a criptomoeda caiu instantaneamente em mais de 99%, passando de US$ 330 para praticamente nada.

Hora do Faro

“A Hopehash (que) é única criptomoeda do mundo que não cai o preço, tá em fase de valorização e pode mudar sua vida”, anunciou Rodrigo Faro no programa ‘Hora do Faro’ da Record.

O anúncio sugere uma contrapartida de uma doação de R$ 10 mil feita pela Hopehash a uma participante do programa. O vídeo foi obtido pelo Portal do Bitcoin e enviado por uma pessoa que não quis revelar o nome.

Há outras personalidades que também têm divulgado o negócio,  como o cantor Mateus, da dupla Jorge & Mateus, que aparece em um vídeo anunciando a oportunidade com o slogan “Hopehash, nesta eu confio”.

O Terra e o Exame também publicaram uma matéria patrocinada que exalta a felicidade de Val Marchiori com seu novo meio de investimento. Contudo, os sites deixaram claro que a origem do texto é da empresa de divulgação Dino e se isentam de responsabilidades.

Projeto arriscado

É certo que as criptomoedas surgiram para dar início a uma disrupção nos sistemas de pagamentos e também proporcionar lucro aos ferrenhos holders. Mas isso não é garantido, e quem as possui também pode perder tudo. É assim que elas funcionam.

Considerando a estabilidade pré-estabelecida da criptomoeda da Bittauros, o sistema lembra as stablecoin, mas ela não é, pois não possui lastro e também não é um ‘bitcoin’.

E mesmo se fosse, impossível garantir que vai haver alta. Na verdade, uma stablecoin nunca vai oscilar tanto. Então está descartado o conceito de moeda estável para a Hopehash.

ICO duvidosa

A ICO da Bittauros não tem diferença das demais oferecidas ao longo do tempo no mercado de criptomoedas. Foram inúmeros golpes aplicados em todo o mundo através de ICOs com ‘preços programados’ — falar que vai valer certo valor é fácil.

No ano passado, inclusive, gigantes das redes sociais, como o Facebook, por exemplo, baniram anúncios de ofertas de criptomoedas a fim de colaborar com a diminuição de golpes que se alastravam de forma assustadora.

Sobre as fases de venda

A fase de venda da criptomoeda está agora na fase 2. A fase 1 teve início em 05 de maio de 2018 e foi até o dia 06 de junho do mesmo ano.

Segundo informações no site, foram vendidas 1.000.000 de Hopehash a U$ 1,73 (cerca de R$ 7 ) cada.

A fase que está em andamento e que foi anunciada no vídeo promocional teve início em 07 de junho, também em 2018, e termina em 01 de  setembro deste ano.

Cada unidade está sendo oferecida a US$ 3,17, ou quase R$ 13 reais (o investimento no suposto criptoativo fica por conta e risco do leitor).

Há ainda mais quatro fases de oferta que só termina em dezembro de 2022. A meta é finalizar a ICO com o valor de US$ 53,27, ou seja, cada criptoptivo valendo mais de R$ 200.

De acordo com o site, os representantes da criptomoeda são Thiago Castilho, Victor Monteiro e Patrícia Faitanin. Todos apresentados como especialistas da exchange de criptomoedas Bittauros.

Contraponto

A Hopehash enviou a seguinte resposta à reportagem:

O advento das criptomoedas revolucionou a forma de interagir com o dinheiro e vem atraindo cada vez mais pessoas para um ecossistema descentralizado e potente, capaz de operar de forma confiável e concebido para ser autônomo e independente de figuras centrais como governos e instituições bancárias.

Neste cenário, a Hopehash surgiu como uma criptomoeda que já tem dado o que falar, assim como o Bitcoin que também recebeu elogios e críticas. Representada no Brasil pela corretora de criptomoedas Bittauros, a Hopehash tem chamado a atenção por apresentar uma visão diferente até mesmo para os entusiastas deste mercado, que em teoria já deveriam estar acostumados com as novidades constantes do setor.

A natureza das criptomoedas é marcada por sua característica disruptiva, regida por inovações constantes. Porém após algumas divulgações da criptomoeda Hopehash em programas de televisão, como o Programa da Eliana, a Hora do Faro e em vídeos do Youtube, um incômodo foi gerado em alguns jornalistas do segmento que lançaram reportagens com afirmações distorcidas e alegações inverídicas sobre o que é a Hopehash e como ela funciona. 

Exercendo o direito de resposta e prezando pela transparência, verdade e respeito aos usuários deste mercado, a Bittauros Exchange vem se pronunciar sobre a Hopehash a fim de esclarecer e levar entendimento a todos que se interessarem.

A Hopehash é uma criptomoeda confiável, segura e limitada. São somente 35 milhões de unidades disponíveis em nível global. Gerada a partir de um protocolo visionário de estímulo a real utilização deste ativo digital como um meio de pagamento, sua comercialização é descentralizada e foi dividida em fases com valores crescentes, que permitem aos usuários maior segurança com relação ao preço, que não cai. Este protocolo inibe a volatilidade que pode gerar queda do preço, que é um problema atual de outras criptomoedas negociadas em exchanges. Sobre o protocolo de preços da Hopehash cabe ressaltar que não há nenhuma lei ou regulamentação que condene a precificação de criptomoedas. 

Tentar definir ou julgar o uso da tecnologia blockchain, sobre o que é válido ou não, principalmente quando aplicada às criptomoedas não é o mais indicado. Blockchains conhecidos como o da Waves e da Ethereum, por exemplo, permitem a criação de smart-contracts com o poder de precificar seus tokens. Nestes casos, assim como a Hopehash, o protocolo de criação e as regras de comercialização são definidas exclusivamente por seu Blockchain, de forma inteligente e lícita. 

O comportamento tradicional de mercado, baseado na oferta e na demanda, tanto para os ativos digitais comuns, ofertados sem precificação, quanto para as ações tradicionais da bolsa, sempre estarão suscetíveis a oscilações de preço e especulação, onde de um lado sempre haverá um que ganha e do outro lado sempre haverá um que perde. Porém, um ativo digital com um protocolo de preços não pode ser enquadrado nestas regras. Um novo cenário exige uma nova mentalidade. A validação de mercado também pode se dar pela adesão de empresas e, atualmente, a Hopehash talvez seja a única criptomoeda em processo contínuo de aceitação por empresas. 

O Bitcoin foi o primeiro ativo digital criado e até hoje ainda não é comercialmente usado em larga escala por causa da volatilidade do seu preço. Por outro lado, é indiscutível sua qualidade de possuir liquidez imediata, mas perceba que isso é uma desvantagem pois “ofende” o seu propósito de criação, que é substituir o sistema financeiro tradicional onde não haveria necessidade dessa conversão.

A Hopehash visa não só a utilização em massa, como prevê formas para isso, através de seu protocolo de preços que tem o intuito de proteger o usuário de oscilações que geram perdas, dando maior segurança para os usuários e gerando maior aceitação em um mercado que ainda é pouco conhecido. Por outro lado, os estabelecimentos comerciais que aceitam Hopehash também se beneficiam com a precificação da moeda e inclusive contratualmente se comprometem a seguir o preço vigente da fase. A cada dia novas empresas estão aceitando Hopehash, fruto de investimentos e trabalho da equipe Bittauros.

É certo que as criptomoedas surgiram para dar início a uma disrupção nos sistemas de pagamentos, mas afirmar que surgiram também para proporcionar lucro aos “ferrenhos holders” é um erro. Esta nunca foi a proposta de Satoshi Nakamoto quando criou a moeda mãe, o Bitcoin. O sistema de precificação é uma estratégia para adoção em massa, mas não isenta do risco e da necessidade de demanda pelo criptoativo Hopehash, obviamente se não houver demanda não haverá liquidez em exchanges. No entanto, tal fato não impede que o usuário se beneficie da valorização, posto que diversos estabelecimentos já aceitam a Hopehash como meio de pagamento, além de que com o cumprimento das fases o poder de compra do usuário aumenta.

A Hopehash não é uma stablecoin e nem uma ICO. Trata-se de uma criptomoeda participante de um modelo financeiro digital, que lançou sua própria solução para uso em escala como meio de pagamento. Neste cenário grandes avanços já estão acontecendo para real aplicação no dia a dia das pessoas. Atualmente, destaca-se uma Faculdade com mais de 500 mil alunos e mais de 800 cursos de graduação e pós-graduação (Grupo Faveni) que aceita a Hopehash como parte do pagamento de mensalidades e matrícula. Há também o reconhecimento de artistas e celebridades da música e da televisão que também já recebem em Hopehash parte de seus contratos, tudo isso já é realidade.

Quando é dito que o preço não cai se deve ao fato de existir um algoritmo que impede a venda ou compra da moeda por valor menor do que o definido em cada fase nas exchanges e nas empresas conveniadas. Vale ressaltar que em transações P2P, ou seja, diretamente efetuada entre os usuários, sem intermediários, o preço é definido pelas partes. Com relação à mudança de fases e valores dependerá da comercialização pela demanda, posto que as datas são metas projetadas e não obrigatórias.

A Bittauros reforça ainda sua postura de transparência nas mídias de divulgação da Hopehash. Em nenhum momento é citado ou prometido “renda fixa”, “lucro fixo”, “rentabilidade fixa” ou “garantia de rendimentos”, pois não existe fórmula mágica que faça isso. Tampouco existe alguma indução a investimentos altos ou quantidade mínima para compra. Tanto o site quanto as mídias sociais são explicativas e dispõem de um canal para atendimento e tira-dúvidas. As práticas adotadas pela Bittauros são totalmente lícitas e não possuem nenhum envolvimento com marketing multinível ou sequer possui semelhanças com estes tipos de empresas.

Nesta oportunidade, a empresa reforça sua missão de levar o mercado de criptomoedas a públicos que ainda não foram alcançados. Através de mídias abertas, a Bittauros tem divulgado as criptomoedas e isso contribui com todo o mercado de cripto em geral. A Bittauros de fato acredita que a Hopehash “pode” mudar a vida das pessoas, mas essa palavra “pode” não é sinônimo de garantias.