Imagem da matéria: Briga entre fundadores gerou suspensão nas operações da Paxful
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As tensões entre os cofundadores da Paxful, Ray Youssef e Artur Schaback, são o motivo por trás do futuro incerto da Paxful. Nesta semana, a exchange de Bitcoin P2P anunciou abruptamente que havia suspendido as operações.

Embora Schaback esperasse retomar as operações, Youssef recomendou um novo provedor aos usuários da corretora.

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Em uma mensagem postada no site da Paxful na madrugada de quarta-feira (5), Youssef — o CEO da empresa — instou os usuários da exchange a retirar fundos de sua plataforma e explorar locais alternativos, citando a saída de funcionários-chave e os ventos contrários regulatórios em andamento nos EUA.

Ele disse que ainda não estava claro se a Paxful vai retomar suas operações, sugerindo que o futuro dela estava em risco.

Durante uma sessão no Twitter Spaces, Youssef disse que uma ação judicial movida contra ele próprio por Schaback era um fator capaz de pesar sobre a exchange, alegando que isso levou importantes membros da equipe a pedirem demissão.

“Eu não podia mais fazer isso, eticamente, então assumi uma responsabilidade legal maciça, e eu disse […] Estou encerrando isso”, disse Youssef. “Ele tinha uma ordem judicial que me impedia de fazer qualquer coisa, mas eu disse, foda-se.”

Choque

Schaback disse ao Decrypt que a decisão da Paxful de suspender as operações foi um choque. E embora ele tenha admitido que a suspensão das operações da plataforma poderia acabar com as coisas inteiramente, Schaback disse que planeja colocar o marketplace em funcionamento novamente.

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“Eu não esperava que fosse permanente”, disse ele. “Meu plano é reabrir a Paxful novamente com uma nova direção de negócios.”

Schaback afirmou que o anúncio de encerramento da Paxful fazia parte de um esforço “orquestrado” para mover os negócios da empresa para fora da jurisdição dos EUA, enquanto o culpava pelos problemas da empresa, que Youssef mais tarde negou ao Decrypt.

Acordo fracassado

Schaback disse que a raiz do desacordo pode ser rastreada até 2021, quando um possível acordo entre ele e Youssef fracassou. Esse acertou envolveria a compra da participação da Schaback na Paxful.

“Ele basicamente decidiu não comprar minhas ações ou encontrar investidores, porque encontrou uma maneira de assumir completamente o controle da empresa”, disse Schaback.

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Quando Youssef instruiu as pessoas a explorar outras plataformas de negociação no site da Paxful, ele sugeriu que os usuários escolhessem uma empresa chamada Noones — um “super aplicativo” com recursos semelhantes rotulados como “recomendação de Ray.”

site da Noones afirma que a empresa está sediada na Europa e nos Emirados Árabes Unidos, fundada por “um pequeno grupo de Bitcoiners apaixonados que se dedicam à atividades peer-to-peer no sul Global”, incluindo Nicholas Gregory e Yusuf Nessary.

Youssef disse que não tem um papel direto na Noones, mas apoia a empresa. No entanto, Schaback salientou que a Noones e a Paxful partilham semelhanças notáveis — incluindo o que parece ser uma base de dados de usuários. 

Várias contas no Twitter entraram em contato com os usuários da Paxful ao longo da semana, dizendo que eles “podem fazer login no Noones com suas credenciais da Paxful e seu KYC e negociações, já estarão lá.”

A Paxful afirmou no Twitter que as duas empresas não são afiliadas, direcionando uma conta para o site da Noones para levantar questões ou preocupações. “Informamos que a Paxful não é afiliada à Noones; é uma plataforma separada”, disse a conta da empresa.

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Alguns usuários no que parecia ser o canal oficial do Telegram da Noones disseram que conseguiram fazer login na plataforma usando suas credenciais Paxful sem problemas, enquanto outros pediram ajuda.

A funcionalidade faz parte de vários acordos de referência entre a Paxful e outros marketplaces, à medida que a empresa procura qualquer renda passiva que possa obter para se manter à tona enquanto os usuários retiram fundos, disse Youssef ao Decrypt.

“Quero que a carteira da Paxful permaneça ativa por pelo menos dois anos”, disse ele. “Isso significa que temos que obter alguma receita passiva na empresa para pagar engenheiros e funcionários.”

Disputa judicial

Os dois cofundadores expressaram relatos diferentes não apenas sobre o potencial futuro da Paxful, mas também sobre a natureza do processo de Schaback — apresentado no Tribunal de Justiça de Delaware em janeiro.

O processo de Schaback acusa Youssef de várias “ações flagrantes, não autorizadas e egoístas”, como “saquear os cofres da empresa” e um “esquema clandestino” destinado a colocar Schaback fora da Paxful, de acordo com um documento do Tribunal. Youssef negou estas alegações.

Em vez disso, Youssef afirmou ontem que o processo é uma tentativa da Schaback de extrair o máximo de dinheiro possível da empresa. “Meu cofundador acha que vai conseguir sair com nove dígitos, e é por isso que ele estava brigando tanto para fazer isso”, tweetou Youssef.

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Um porta-voz da Paxful recusou-se a conversar com o Decrypt sobre questões relacionadas ao processo, citando o papel da empresa como um “réu nominal.”

O processo cita Youssef e Schaback como os dois únicos membros do conselho de administração da empresa. E à medida que o conflito se desenrola, o impacto do seu desacordo estende-se muito para além de Delaware ou dos EUA.

De acordo com o Coin Dance, o volume de negociação da Paxful totalizou cerca de US$ 37 na semana passada, com uma parcela significativa de usuários baseados em países como Argentina, Quênia e Índia.

Na quarta (5), Youssef disse que a Paxful foi uma “grande experiência” em parte porque a empresa conseguiu levar o Bitcoin para áreas do hemisfério sul do mundo — começando com a Nigéria e construindo atividades no resto do continente Africano ao longo do tempo. Ele disse: “isso tornou os lugares férteis para criptomoedas.”

*Traduzido por Gustavo Martins com autorização do Decrypt.

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