Imagem da matéria: Bitcoin está ajudando imigrantes sem documentos a enviar dinheiro para casa
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Para os migrantes em busca do “sonho americano” em uma nova terra, encontrar maneiras de enviar dinheiro de volta para casa pode ser um pesadelo.

Isso é especialmente verdadeiro para os imigrantes sem documentos, que enfrentam barreiras legais e financeiras para enviar suas remessas. Mas para os conhecedores de tecnologia, um salvador surpreendente está surgindo: o Bitcoin.

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A empresa de análise de criptomoedas Arcane Research publicou na quinta-feira (22) os resultados de seu último estudo sobre o estado atual dos mercados p2p de Bitcoin. A empresa descobriu que as criptomoedas estão ajudando os imigrantes, uma vez que esses ativos digitais permitem transferências de dinheiro internacionais, sem impostos, baratas e rápidas, e sem qualquer burocracia que normalmente está envolvida no mercado de meio trilhão de dólares das remessas.

Além do mais, o relatório descobriu que os imigrantes sem documentos, em particular, estão cada vez mais se voltando para os mercados peer to peer para comprar Bitcoin e enviar dinheiro de volta para casa. Segundo Arcane, os cartões-presente são a forma de pagamento preferida nesses tipos de trocas, pois contornam as limitações bancárias e os requisitos do KYC.

“O comércio de cartões-presente ajuda imigrantes sem documentos a transferir valor para amigos e familiares em casa”, diz o relatório. Esse método de pagamento é popular na América do Norte e é, de acordo com a Arcane Research, uma das razões por trás da expansão da Paxful, uma bolsa de Bitcoin P2P em ascensão na região.

De acordo com o Useful Tulips, um site de métricas que monitora o setor, a Paxful tem até quatro vezes o volume de negociação da LocalBitcoins na América do Norte.

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Matt Ahlborg, do Tulip, explicou à Arcane Research como os imigrantes usam cartões-presente para enviar remessas de Bitcoin para seus parentes no exterior:

“Os imigrantes em países ocidentais transferem valor para o exterior por meio de cartões-presente na Paxful. Os cartões-presente são comprados pelo imigrante em uma loja local”, disse Ahlborg. “Esse cartão-presente é então fotografado e a foto enviada para amigos e familiares no exterior. Mais tarde, eles vendem esses cartões-presente na Paxful por BTC. Em seguida, eles convertem o BTC em moeda local, vendendo o BTC a um comprador no mercado local por meio de uma das plataformas P2P”, disse ele.

E embora o processo possa parecer complicado, a verdade é que é mais rápido e mais barato do que as opções tradicionais. O bitcoin se torna uma alternativa ainda mais viável para remessas quando as circunstâncias políticas ou econômicas são mais terríveis. Um exemplo claro é a Venezuela, onde quase todos os serviços de remessas são impedidos de operar no país devido às sanções do governo dos EUA.

“[Na Venezuela], Paypal, Western Union, MoneyGram não funcionam”, disse Ariana Entralgo, uma venezuelana que mora na Argentina. “Eu costumava enviar dinheiro informalmente por meio de uma dessas empresas promovidas no Instagram. Você envia um depósito aqui para uma pessoa, eles confirmam, ligam para a Venezuela e pedem uma transferência para uma conta bancária fornecida”, disse ela ao Decrypt, que afirmou usar bitcoin agora.

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“O que faço agora é comprar Bitcoins aqui por meio do LocalBitcoins e, uma vez que eles estejam na minha conta, simplesmente mando para a Venezuela e vendo o BTC pedindo ao comprador que deposite na conta do meu pai. Se tudo correr rápido, leva 30 minutos; se demorar um pouco mais, não passa de duas horas.”

Entralgo explicou que esse método tem outra vantagem: “Você não precisa pagar grandes comissões e é melhor para você porque, na maioria das vezes, o câmbio de Bitcoin na Venezuela são muito atraentes.”

A Arcane Research relatou que 43% de todo o comércio de Bitcoins na América Latina acontece na Venezuela e, embora não especifique o papel das remessas a esse respeito, não é muito difícil conectar os pontos.

A Venezuela está passando por uma crise migratória. Mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país em 2019, de acordo com o Instituto Brookings, com muitos indo para a vizinha Colômbia. E quase sem nenhum serviço importante de remessa disponível, o Bitcoin pode ser uma luz no fim do túnel para os venezuelanos que vivem no exterior e precisam enviar dinheiro para casa.

E parece que o governo de Nicolas Maduro, que há muito tempo olha para a criptomoeda como soluções potenciais para seus problemas econômicos, também está vendo uma luz: no início deste ano, lançou um serviço oficial de remessa de bitcoins administrado pelo Estado.

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*Traduzido e editado com autorização da Decrypt.co
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