Ações da Alphabet, Nvidia e GameStop tiveram desempenho melhor que o bitcoin em 2021

E após o péssimo início de 2022 para o bitcoin, Microsoft, Apple e Tesla também destronaram a criptomoeda nos últimos 12 meses
Imagem da matéria: Ações da Alphabet, Nvidia e GameStop tiveram desempenho melhor que o bitcoin em 2021

Foto: Shutterstock

Quando o assunto é investimentos, é difícil banalizar um retorno anual de 60%.

E, ainda assim, holders de bitcoin (BTC) ganharam menores retornos em 2021 do que uma das empresas da Web 2 que criptomoedas estão tentando destronar: Alphabet (GOOGL).

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O bitcoin teve um fraco dezembro, gerando retornos de 60% em 2021 – seu pior desempenho desde 2018, quando perdeu quase ¾ de seu valor (investidores só podem esperar que haja um ano em baixa como esse novamente).

É claro que rendimentos de dois dígitos não são de se jogar fora, principalmente dada a dominância de mercado do bitcoin.

O BTC possui uma capitalização de mercado de US$ 880 bilhões, classificado em oitavo lugar na lista de ativos do CoinMarketCap, entre as ações do Meta (FB) e Nvidia (NVDA).

Conforme ativos ficam maiores, sua mobilidade ascendente geralmente diminui; existe mais espaço para crescer quando você é menos bem-estabelecido, que é por que moeda mais novas, como Axie, Solana e Shiba Inu conseguiram gerar rendimentos astronômicos.

Mas Alphabet, que possui uma capitalização de mercado acima da do bitcoin, conseguiu destroná-lo.

A alta no preço da ação da empresa-mãe do Google foi de 68% em 2020, de acordo com dados do Google Finance, graças à crescente receita de anúncios por suas plataformas, incluindo o YouTube.

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Outras ações de grandes empresas de tecnologia também se destacaram.

Nvidia, que fabrica chips tanto para dispositivos de videogames como para máquinas para a mineração de criptomoedas, gerou 125% de rendimentos conforme os problemas na cadeia de suprimentos impulsionaram a demanda (e os preços) de seus produtos; agora, sua capitalização de mercado está acima de US$ 750 bilhões.

Na lista das principais ações está GameStop (GME), a varejista dos videogames que vale US$ 11,7 bilhões. Em janeiro, o grupo do subreddit WallStreetBets se coordenou para continuar comprando a ação e dominou os fundos de hedge que estavam com posições de venda no GME.

O preço da ação subiu de cerca de US$ 20, no início de 2021, para quase US$ 150 no fim do ano, um aumento de 687% para a ação de meme.

Graças aos monótonos primeiros dias de 2022 para o bitcoin, os ganhos da criptomoeda nos últimos 12 meses caíram 40%, segundo dados do site CoinGecko. Isso foi o suficiente para dar a algumas ações uma vantagem no ano passado.

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A empresa de computadores Microsoft (MSFT) subiu 54% no último ano. Apple (AAPL) registrou ganhos de 41%. E a fabricante de carros elétricos Tesla (TSLA), liderada pelo fanático por dogecoin (DOGE) Elon Musk, subiu 64%.

Ações da Tesla e Bitcoin

Na verdade, a ação da Tesla poderia ter tido um desempenho ainda melhor se não fosse pelo flerte de Musk com o bitcoin.

Em fevereiro, a empresa anunciou uma compra de US$ 1,5 bilhão em bitcoin e brevemente aceitou a criptomoeda como pagamento. No entanto, em março, viu o preço de suas ações cair de US$ 863 para US$ 563 conforme o bitcoin ascendeu.

Embora criptomoedas e empresas sejam tipos diferentes de ativos, a comparação dos números é instrutiva justamente por conta de suas diferenças. Muitas ações (exceto pela Alphabet) pagam dividendos regulares a acionistas.

Além disso, ações (mesmo as individuais) podem ser incorporadas em contas de aposentadoria, ou seja, têm benefícios fiscais integrados que as tornam mais atrativas a investidores do varejo.

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Isso não acontece com o bitcoin e, por isso, existe a demanda por um fundo de índice (ou ETF) de bitcoin que é negociado como ações em uma corretora nacional.

É claro que holders protestam que esses números são selecionados (ao aprimorar outro horizonte temporal, os números podem estar completamente diferentes). Afinal, o bitcoin é conhecido por passar por épicos desgastes.

Mas essa é justamente a questão, conforme destacado por Joe Weisenthal em um artigo à Bloomberg que comparou o bitcoin com a Apple: “Ao longo do último ano, pelo menos, você precisava ter estômago para enfrentar oscilações bem grandes para obter retornos que não são tão bons quanto os da empresa que fabrica o seu celular”.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.